Os homens-fronteira: problemas históricos e soluções ficcionais em Erico Verissimo

Jocelito Zalla

Resumo


A fortuna crítica sobre Erico Verissimo geralmente enfatiza valores universais em sua obra, apesar da tematização de aspectos históricos e folclóricos de alcance regional. Se essa operação tende a legitimar o estudo de sua ficção, também pode desconectá-la de seu meio de produção e de circulação imediata. Este artigo, assim, pretende analisar as relações entre O continente, primeiro livro da trilogia O tempo e o vento - dedicado à formação histórica do Rio Grande do Sul - e a tradição letrada local. Dois procedimentos metodológicos principais serão adotados: identificar respostas literárias a problemas compartilhados de memória; avaliar os usos da temática local para a escrita de ficção. A solução formal mais empregada, a técnica do contraponto, permite a representação complexa da realidade, articulando diferentes pontos de vista a partir de personagens-chave (como a filiação cultural do Rio Grande a Portugal ou Espanha). Contudo, dois temas históricos ganham bastante atenção do romancista: a miscigenação racial e a escravidão. A narrativa, então, soma-se aos esforços de desconstrução de mitos da memória histórica oficial, como o da branquitude do gaúcho e o parco uso da mão de obra escrava no passado sulino.


Palavras-chave


Erico Verissimo. Literatura e história. Memória histórica. Regionalismo gaúcho.

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DOI: http://dx.doi.org/10.20396/remate.v36i2.8647911

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