Quando repetir é enunciar

questões sobre linguagem e memória

Palavras-chave: Discurso, Memória, Sujeito

Resumo

O texto propõe uma reflexão teórica sobre a singularidade da memória na enunciação de sujeitos idosos. Para tanto, busca delinear um conceito de memória, que se afasta dos estudos mnemônicos, sob o viés neurofisiológico, e se aproxima de reflexões de cunho filosófico e psicanalítico. Os estudos na perspectiva filosófica abordam a fenomenologia da memória e o paradoxo do trabalho do historiador, entre memória individual e coletiva, os quais permitem uma definição de memória como imagem/lembrança trazida para o presente através da linguagem e como sendo triplamente constituída, isto é, atribuída a si, aos outros, aos próximos. A teoria psicanalítica revisitada revela a memória como uma reinauguração de algo vivido, o que contradiz a visão do senso comum acerca da recorrência à repetição nas narrativas de alguém que envelhece. Assim, sob a perspectiva linguística-enunciativa, a memória revela-se como uma possibilidade de percorrer o tempo, permitindo a cada um a própria continuidade temporal, sem ruptura com o presente, como algo capaz de dar vida nova ao acontecimento e à experiência do acontecimento.

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Biografia do Autor

Patrícia da Silva Valério, Universidade de Passo Fundo

Doutorado em Linguística Aplicada pela Unisinos, mestrado em Letras pela Universidade de Passo Fundo. É docente do Curso de Letras e do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo.

Luiza Ely Milano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutorado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora do Instituto de Letras da UFRGS e professora/orientadora do Programa de Pós-graduação em Letras da mesma Universidade. 

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Publicado
2019-06-26
Como Citar
Valério, P. da S., & Milano, L. E. (2019). Quando repetir é enunciar. Cadernos De Estudos Lingüísticos, 61, 1-15. https://doi.org/10.20396/cel.v61i0.8654489