Cadernos de Estudos Linguísticos https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel <p><strong>Escopo</strong>: A Cadernos de Estudos Lingüísticos publica dois números anualmente e tem como objetivo a publicação de textos científicos nas diversas áreas da Lingüística.Pretende propiciar aos pesquisadores a publicação de artigos que apresentem resultados de pesquisa, reflexões acadêmicas e estudos analíticos dentro de distintas abordagens teóricas. Espera-se, com isso, tornar disponíveis trabalhos relevantes que proporcionem o diálogo entre diferentes abordagens, o debate de questões pertinentes às áreas e o estímulo para o intercâmbio entre pesquisadores.<br /><strong>Qualis</strong>: A1<br /><strong>Área do conhecimento</strong>: Ciências Humanas<br /><strong>Ano de fundação</strong>: 1978<br /><strong>e-ISSN</strong>: 2447-0686<br /><strong>Título abreviado</strong>: Cad. Estud. Lingüíst. <br /><strong>E-mail</strong>: <a href="mailt:revistacel@iel.unicamp.br">revistacel@iel.unicamp.br</a><br /><strong>Unidade</strong>: <a href="http://www.iel.unicamp.br/" target="_blank" rel="noopener">IEL</a><br /><strong>Prefixo DOI</strong>: 10.20396<br /><a title="CC-BY-NC" href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" target="_blank" rel="noopener"><img src="https://i.creativecommons.org/l/by-nc/4.0/80x15.png" alt="Licença Creative Commons" /></a></p> Universidade Estadual de Campinas pt-BR Cadernos de Estudos Linguísticos 2447-0686 <p>O periódico <strong>Cadernos de Estudos Linguísticos</strong> utiliza a licença do <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0">Creative Commons (CC)</a>, preservando assim, a integridade dos artigos em ambiente de acesso aberto.</p> Perspectivas discursivo-pragmáticas das masculinidades no forró eletrônico nordestino https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8666917 <p>Este artigo apresenta uma discussão conceitual e analítica sobre processos performativos implicados na construção e na naturalização do que vamos chamar de “masculinidade forrozeira”. Nosso objetivo é compreender o papel de determinados valores identitários envolvidos na circulação performativa de sentidos sobre masculinidade em jogos de linguagem da prática cultural forró eletrônico. O estudo se ampara nos aportes teórico-metodológicos da Nova Pragmática/Pragmática Cultural (RAJAGOPALAN; MARTINS FERREIRA, 2006; RAJAGOPALAN, 2010, 2016; ALENCAR; MARTINS FERREIRA, 2012; FABRÍCIO; PINTO, 2013; ALENCAR, 2014; PINTO, 2014) e nos estudos sobre identidades de gênero (BUTLER, 1997, 2000, 2003) com foco nas masculinidades (CONNELL, 1995; CONNELL; MESSERSCHMIDT, 2013; ALBUQUERQUE, 2000, 2003, 2010). O quadro analítico inclui as categorias avaliação, explicitação de autoimagem (PINTO, 2014) e retórica sinonímica (FIORIN, 2014). Os resultados indicam que a masculinidade forrozeira se constitui na performatividade que reproduz uma tradição nordestina de sentidos e valores sobre “o homem regional”, mas que, ao mesmo tempo, instaura outros modelos igualmente hegemônicos no âmbito das masculinidades. Concluímos salientando a necessidade de tematizar e problematizar sentidos naturalizados que, eventualmente, possam estar na base de desigualdades de gênero, exclusões, estigmas e objetificação feminina. </p> Dina Maria Martins Ferreira Gustavo Cândido Pinheiro Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-08-03 2022-08-03 64 e022028 e022028 10.20396/cel.v64i00.8666917 Tendências genolexicais em adjetivos neológicos no português de Moçambique https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8666593 <p>O objetivo deste estudo é descrever as tendências dos falantes do português de Moçambique na construção de adjetivos neológicos, à luz das teorias de morfologia e de mudança linguística. Constitui objeto do estudo um setor genolexical particular que abrange os processos de derivação de adjetivos denominais e deverbais pelos sufixos <em>-ic(o)</em> e <em>-nt(e)</em>. A base empírica é constituída por adjetivos neológicos disponíveis na plataforma do Observatório de Neologismos de Moçambique. A análise qualitativa dos dados revela que, no processo de derivação lexical, embora recorrendo, às vezes, a unidades morfológicas das línguas <em>bantu</em>, os adjetivos derivados por cada sufixo obedecem aos preceitos da morfologia do português, o que justifica a necessidade da sua legitimação através de instrumentos normalizadores do portugugues de Moçambique. As novas unidades lexicais beneficiam em grande medida o processo de nativização do português no contexto moçambicano.</p> Diocleciano Nhatuve Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-15 2022-07-15 64 e022023 e022023 10.20396/cel.v64i00.8666593 ¿Está cerrada la frontera o pasa algo? https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8668053 <p>Este artigo, fundamentado na Análise de Discurso (AD) materialista, traz discussões acerca do espaço de fronteira, focalizando-se especificamente numa reflexão a respeito dos sujeitos e das línguas em funcionamento no cotidiano da fronteira entre Dionísio Cerqueira-SC, Barracão-PR (Brasil) e Bernardo de Irigoyen (Misiones, Argentina), no período de pandemia de covid-19. O <em>corpus</em> é composto por enunciados selecionados de uma entrevista produzida pelo canal de televisão Noticiasdel6 de Posadas (Argentina) e de um anúncio divulgado pela Radio Provincial LT 46, da cidade argentina de Bernardo de Irigoyen. Assim, as principais considerações realizadas neste estudo versam sobre as análises do enunciado <em>¿Está cerrada la frontera o pasa algo, intendente?, </em>que, colocado em diálogo com o anúncio da rádio, possibilitam observar uma relação desigual entre <em>organização </em>e <em>ordem</em> da fronteira. Essa pergunta também leva a questionar o funcionamento do Jurídico na fronteira pois, mesmo com os decretos oficiais publicados por Brasil e Argentina determinando o fechamento das fronteiras, as práticas cotidianas e ordinárias irrompem, perfuram o trabalho do Jurídico.</p> Marilene Aparecida Lemos Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-08-03 2022-08-03 64 e022027 e022027 10.20396/cel.v64i00.8668053 A expressão da temporalidade em narrativas orais de aprendizes iniciantes de português do Brasil L2 https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8664497 <p>As narrativas caracterizam-se principalmente por apresentar uma sequência temporal de eventos semanticamente relacionados, frequentemente intercalados com enunciados que trazem informação de fundo. Denominamos temporalidade a relação de referência temporal que permite a localização dos eventos em uma sequência no tempo. Essa referência é expressa através de diferentes recursos pragmáticos, lexicais e morfológicos. No caso de uma segunda língua, a aquisição da expressão da temporalidade frequentemente se dá em três estágios, nomeados com base nesses recursos. Realizamos uma análise orientada pelo significado de amostras de interlíngua na “variedade básica” de português do Brasil como segunda língua, a partir de narrativas baseadas em um livro infantil, eliciadas de seis aprendizes iniciantes, falantes de diferentes línguas maternas (italiano, holandês, alemão e espanhol). Identificamos a interlíngua de um aprendiz com o estágio pragmático e a dos demais, com o estágio lexical. Como esperado, as amostras dos aprendizes hispano-falantes apresentaram características diferentes das dos demais aprendizes, destacando-se o emprego de morfemas temporais de sua língua materna com radicais do português e a ausência de formas bases previstas para esse estágio. Em síntese, não encontramos tais morfemas em padrões regulares em nenhuma amostra, exceto por formas muito frequentes na língua alvo, adquiridas de maneira não analisada. Ainda assim, concluímos que todas as narrativas foram coerentes e que a proximidade entre uma língua materna e sua língua alvo pôde alterar as características desses estágios considerados universais.</p> Aparecida de Araújo Oliveira Kelly Yasmin Belarmino Almeida Keven Xavier do Carmo Laviny Vitória Braga Vicente Rafael Macário Fernandes Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-08-17 2022-08-17 64 e022030 e022030 10.20396/cel.v64i00.8664497 A reformulação em uma perspectiva interacionista para o estudo das relações de discurso https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8668768 <p>Neste trabalho, buscamos compreender, a partir da perspectiva interacionista da Equipe <em>Interaction &amp; Formation</em>, o papel das relações de discurso, mas, em particular, da reformulação, no domínio da formação profissional inicial. Para isso, apresentamos inicialmente uma abordagem para o estudo das relações de discurso que seja compatível com a proposta interacionista da equipe, bem como a maneira como a reformulação pode ser compreendida no âmbito dessa abordagem. Em seguida, apresentamos considerações sobre o <em>corpus</em> analisado neste estudo, que se constitui de duas sequências de interações ocorridas em 2005, no cantão de Genebra, Suíça, nas quais a mesma expressão conectiva reformulativa do francês (“en fait”) é empregada pelos aprendizes que participam de cada sequência. Por fim, procedemos à análise comparativa das sequências, para mostrar como um mesmo recurso linguístico, a relação de reformulação sinalizada pela expressão conectiva “en fait”, auxilia os participantes da interação a construir contextos distintos, mais ou menos favoráveis à formação profissional.</p> Gustavo Ximenes Cunha Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-15 2022-07-15 64 e022026 e022026 10.20396/cel.v64i00.8668768 "Teu nome que é meu inimigo" https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8664592 <p>Inscrevendo-nos em uma semântica enunciativa materialista, tendo em conta princípios da Análise de Discurso (AD) francesa, neste artigo contrastamos os sentidos de nome enunciados por uma personagem de <em>Romeu e Julieta</em> (1597), de Shakespeare, com a conceitualização de nome proposta por Guimarães (2002). A fim de apreender o funcionamento do nome próprio de pessoa dentro do mundo da peça, mobilizamos pressupostos materialistas sobre enunciação e sentido conforme desenvolvidos por Pêcheux ([1975] 1995), Guimarães (1989) e Orlandi (1990, [1999] 2007). Para além, buscamos pensar a nomeação em seu caráter político de partilha do sensível, na elaboração de Rancière (2000), cuja teoria em certa medida comparte, com a Semântica do Acontecimento de Guimarães, dos mesmos pressupostos materialistas sobre enunciação e sentido. O objetivo foi, a partir da combinação de tais formulações teóricas, ponderar a pergunta e a afirmação postas nos versos: “Que há num nome? Aquilo a que chamamos rosa / Teria o mesmo perfume se chamada por qualquer outro nome” – estes são dizeres da personagem Julieta, que quer o nome da personagem Romeu um rótulo vazio. Concluímos que, de um ponto de vista materialista histórico, o nome muda, sim, a rosa, já que Romeu, tendo sido nomeado Romeu (seu nome) e designado um Montéquio (seu sobrenome) ao nascer, se constituiria, inevitavelmente, parte de uma história hostil como membro de uma família inimiga à de Julieta (designada uma Capuleto). Não obstante a paixão que entorpece o olhar dos amantes, o político e a relação de confronto persistem, e o comum partilhado no sensível entre todos aqueles que participam da contenda entre as famílias tem implicações não só na esfera da intimidade dos dois jovens apaixonados, como também no âmbito da Verona shakespeariana, cidade em que se passa a peça.</p> Joyce Mattos Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-08-15 2022-08-15 64 e022018 e022018 10.20396/cel.v64i00.8664592 A pressuposição-defeito de Paul Henry e a pressuposição argumentativa de Oswald Ducrot https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8664758 <p>Este artigo apresenta uma abordagem crítica a Paul Henry, em relação à sua contestação ao conceito de pressuposição de Oswald Ducrot, o que Henry fez com base em termos como “psicossocial”, “persuasão” e “influência”, termos esses estranhos à epistemologia ducrotiana. Nossa metodologia explora um melhor tratamento teórico constituinte da noção de <em>pressuposição argumentativa</em>, que, ao contrário do que apresentou Henry, nunca se opera isolada, mas é sempre operável em uma <em>démarche argumentativa</em> composta de pressuposto (pp), posto (p) e encadeamento (<strong>→</strong>). Conservando seus méritos, defendemos a hipótese de que Henry não desconstruiu porque não abordou a pressuposição argumentativa ducrotiana, mas trabalhou pontos de uma <em>pressuposição-defeito</em> mais limitada, que não resiste a ambiguidades e paradoxos, desconsiderando envergaduras e refinamentos da démarche argumentativa e suas cinco constitutividades, pelas quais a pressuposição ducrotiana insiste e resiste.</p> Julio Cesar Machado Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-08-16 2022-08-16 64 e022033 e022033 10.20396/cel.v64i00.8664758 Causas denominativas na categoria dos cronotopônimos https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665027 <p>Em estudos da toponímia brasileira, um dos procedimentos mais utilizados pelos pesquisadores quanto à análise dos nomes geográficos é a aplicação de um modelo taxionômico. O modelo de Dick (1990b), que tem como objetivo a classificação dos elementos motivadores de forma objetiva e de uma perspectiva sincrônica, inclui, por exemplo, a categoria dos <em>crononotopônimos</em> – topônimos com indicadores cronológicos representados pelos adjetivos novo(a) e velho(a). Quando se deseja evidenciar as causas específicas – que envolvem as razões do denominador – é necessário o levantamento de pelos menos alguns aspectos da história do acidente geográfico nomeado, isto é, a perspectiva passa a ser diacrônica. O objetivo do estudo apresentado neste texto é demonstrar que em uma mesma categoria, as causas denominativas, apesar de específicas para cada designativo, podem ser sistematizadas e divididas em grupos conforme seu conteúdo semântico. Para isso, toma-se a lista de nomes de municípios brasileiros disponibilizada pelo IBGE e separam-se os 137 considerados <em>cronotopônimos</em>; na sequência, investigam-se aspectos da história de cada município (especialmente a partir do Portal Cidades@ do IBGE e dos sites oficiais de cada município). No que se refere às reflexões teóricas, parte-se dos estudos de Lognon (1920), Dauzat (1947) e Dick (1990a, 1990b, 1999). A pesquisa evidenciou como principais causas denominativas dos <em>cronotopônimos</em> as seguintes: a) um aglomerado humano já nomeado, após atos administrativos, passa à categoria de município e inclui o adjetivo novo(a) para marcar um outro momento da história do seu desenvolvimento; b) o município recebe o nome em referência a outra cidade, estado, país etc. e, para evitar a homonímia de topônimos, inclui-se o adjetivo novo(a). Além dessas, outras causas denominativas estão descritas no artigo.</p> Anna Carolina Chierotti dos Santos Ananias Marilze Tavares Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-04-25 2022-04-25 64 e022011 e022011 10.20396/cel.v64i00.8665027 Escrita acadêmica no campo da educação https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8668219 <p>Em tempos de acirrada política neoliberal comprometida com o produtivismo acelerado, o artigo é uma das formas de comunicação que mais circulam no âmbito acadêmico-científico, objeto sobre o qual recaem muitos dos índices de ranqueamento institucionais e é ele próprio tema recorrente de estudos vinculados aos estudos do letramento, à didática da escrita e aos estudos do discurso. Encontramos em Swales (1990) propostas que buscam articular saberes de campos teóricos distintos que podem contribuir para a didática da escrita acadêmica. Nessa seara, o objetivo principal deste estudo é compreender como a orientação retórica de introduções e conclusões dos artigos científicos da área da Educação se faz presente na composicionalidade, no estilo e no desenvolvimento temático desse gênero. Trata-se de uma pesquisa documental, cujo <em>corpus</em> é composto por 16 artigos da área da Educação, tendo sido os periódicos avaliados como Qualis A1, no quadriênio Capes 2013-2016. Os resultados revelam a presença dos movimentos retóricos apontados por Swales, por meio das estratégias discursivas de engajamento e posicionamento (HYLAND, 2015), e contribuem para a composicionalidade do gênero. Apesar disso, não é possível afirmar, como descrito por Swales, que tais movimentos sejam de ordem obrigatória. Verificou-se também que as configurações de escolhas sistemáticas de linguagem devem ser compreendidas no interior de um campo disciplinar e que o texto reflete as escolhas e as limitações que atuam sobre os autores.</p> Ada Magaly Matias Brasileiro Adilson Ribeiro de Oliveira Kariny Cristina Souza Viviane Raposo Pimenta Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-09 2022-06-09 64 e022015 e022015 10.20396/cel.v64i00.8668219 Aspectos fonológicos dos lapsos de fala https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8666588 <p>Este estudo teve como objetivo examinar a estrutura sonora de blends lexicais de lapsos de fala (BL), isto é, de palavras formadas por blending e resultantes de uma falha de processamento linguístico, como em <em>mosquilongo</em> (pernilongo+mosquito). Para tanto, a composição de BL foi analisada tendo em vista os traços segmentais, o acento lexical e a estrutura silábica de 40 BL coletados de modo naturalístico. A análise do <em>corpus</em> indica que enquanto a produção de BL respeita as restrições sonoras do PB, assim como identificado, na literatura, para blends neológicos, a manutenção e a coincidência das estruturas dos itens originais suscitam a hipótese de que a similaridade estrutural dos elementos acessados é um aspecto que favorece a produção de BL.</p> Amanda Macedo Balduino Shirley Freitas Mayara Espadaro Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-03-23 2022-03-23 64 e022009 e022009 10.20396/cel.v64i00.8666588 A ortografía de la lengua española dentro da política pan-hispânica da real academia española https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8664924 <p>Este artículo tiene como objetivo analizar la actual política lingüística que la Real Academia Española y el consorcio de academias hispanoamericanas llevan a cabo, con una concepción de lengua estándar y unificada, cuya base subraya la noción ideológica de una nación (panhispánica) y una lengua (la del antiguo imperio). Para ello, se cotejarán la <em>Ortografía de la lengua española</em>, publicada en 1999, cuyo lema “unifica, limpia y fija” resume la política lingüística practicada por la RAE, y textos que tratan de políticas lingüísticas y glotopolítica.</p> Wagner Monteiro Pereira Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-03-07 2022-03-07 64 e022003 e022003 10.20396/cel.v64i00.8664924 O projeto de linguística integral em Ferdinand de Saussure e Eugenio Coseriu https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8664559 <p>Neste trabalho, propomo-nos a realizar uma discussão epistemológica do trabalho de Ferdinand de Saussure e Eugenio Coseriu com o objetivo de discutir a noção de linguística integral. Para atingir esse objetivo, estudamos algumas obras. Do lado de Coseriu, buscamos obras em que o tema é explicitamente tratado. Do lado de Saussure, recorremos aos cadernos de Constantin do terceiro curso, alguns trabalhos interpretativos desse manuscrito, e alguns trabalhos interpretativos dos manuscritos sobre os anagramas e as lendas. Defendemos que as reflexões de Saussure e de Coseriu apontam para uma linguística integral, ou seja, uma linguística que deve dar conta dos diferentes aspectos envolvidos no complexo funcionamento da linguagem, ordenando esses aspectos em um marco homogêneo e unitário. Esse raciocínio nos conduz a pensar, portanto, que, para bem compreender a linguagem, é necessário estabelecer planos e disciplinas diferentes.</p> Clemilton Lopes Pinheiro Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-03-07 2022-03-07 64 e022004 e022004 10.20396/cel.v64i00.8664559 O princípio da complementaridade entre linguagem verbal e visual em imagens midiáticas https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8663896 <p>Vários estudos têm buscado entender como e em qual nível se dá a complementaridade entre texto escrito e imagens, principalmente, em anúncios midiáticos. O objetivo principal é entender como as mensagens escritas e as imagens interagem e se complementam na formação de um todo coerente na busca de persuadir os leitores à adesão de certos produtos ou serviços anunciados. Neste sentido as análises irão partir dos microelementos até atingir os macroaspectos, onde as formas linguísticas e os atos de imagem agem em conjunto para transmissão de aspectos ideológicos e hegemônicos. Além disso, as análises contam com as teorias de Halliday (1978; 1994), Kress e van Leeuwen (1996; 2002; 2006), Royce (2007). Pelo fato de as análises recaírem sobre anúncios publicitários, os estudos de Fairclough (1995) sobre as tendências da mídia atual também se mostram relevantes para este artigo. Os resultados apontam que os aspectos ideacionais, interpessoais e composicionais de anúncios midiáticos se complementam na formação de um todo coerente capaz de persuadir o leitor a adquirir um determinado produto ou influenciar comportamentos.</p> Leonardo Antonio Soares Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-03-07 2022-03-07 64 e022002 e022002 10.20396/cel.v64i00.8663896 Marcas de oralidade e temporalidade linguística https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665735 <p>A posição sintática das formas clíticas em línguas latinas é objeto amplamente descrito nos estudos linguísticos (BERTA, 2003; CYRINO, 1993; NIEUWENHUIJSEN, 2006, PETROLINI JR., 2014), haja vista as expressivas mudanças por que passa esse sistema ao longo dos séculos, bem como os contrastes que apresenta quando em tela normas inter e intralinguísticas. Situado em um núcleo de pesquisa que coaduna interesses da Linguística e dos Estudos da Tradução – <em>estudos em corpus do espanhol escrito com marcas de oralidade</em> (CEEMO) –, este debate analisa as estratégias tradutórias vislumbradas no conjunto de três versões da obra <em>Don Quijote de la Mancha</em> em português, objetivando debater sobre o conflito de normas nesse também concreto uso da linguagem. Entram em discussão a <em>temporalidade</em> linguística, debatido como um problema sociolinguístico a ser considerado na tradução (HURTADO ALBIR, 2001), e o campo teórico das <em>marcas de oralidade nos textos escritos</em> (KOCH; OESTERREICHER, 2007; MARCUSCHI, 2001). À luz desses debates e recortando o fenômeno da posição das formas clíticas, o estudo aponta estratégias tradutórias distintas, no que diz respeito à preservação ou distanciamento da estilística cervantina.</p> Leandra Cristina de Oliveira Beatrice Távora Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-04-26 2022-04-26 64 e022012 e022012 10.20396/cel.v64i00.8665735 Sentenças panquecas não têm artigos definidos em português brasileiro https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665010 <p>Neste texto, discutimos um aspecto da caracterização dos nominais em posição de sujeito de sentenças panquecas em português brasileiro. Descritivamente, sentenças panquecas têm duas características centrais nessa língua: (i) um nome na posição de sujeito, com uma estrutura menor do que um DP, recebe uma interpretação de situação; (ii) o predicado não concorda morfologicamente com esse sujeito. Um exemplo disso é a sentença <em>Panqueca é bom</em>. Estudos recentes (SIQUEIRA, 2017, SIQUEIRA; SIBALDO e SEDRINS, 2020) defendem que sentenças panquecas podem ter artigos definidos, como em <em>A panqueca é bom</em>. Mostramos que sentenças como <em>A panqueca é bom</em> são, na verdade, casos de elipse de parte do VP. Elas só são gramaticais caso tenham identidade com o antecedente e não são possíveis caso o antecedente seja só pragmático, isto é, caso o antecedente não tenha material linguístico. Em contraposição, sentenças panquecas, tais como tradicionalmente descritas, são possíveis em casos de antecedente pragmático e possuem, portanto, anáforas profundas em sua constituição. Quando os dois tipos sentenciais são examinados à luz da classificação em termos de anáfora superficial e anáfora profunda, evidencia-se que sentenças panquecas exemplificadas por <em>Panqueca é bom</em> têm uma constituição diferente de sentenças com elipses verbais, como <em>A panqueca é bom</em>. Dessa forma, mostramos que só a primeira se configura como uma verdadeira sentença panqueca.</p> Luana De Conto Janayna Maria da Rocha Carvalho Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-04-25 2022-04-25 64 e022013 e022013 10.20396/cel.v64i00.8665010 Produção das vogais altas em sílabas postônicas finais no falar popular de fortalezenses https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665661 <p>O objetivo deste trabalho foi analisar a produção das vogais /i/ e /u/ em sílabas postônicas finais na fala popular de fortalezenses, a fim de investigar variáveis sociais e linguísticas que possam explicar e prever o apagamento dessas vogais. Utilizou-se para análise dados do corpus NORPOFOR – Norma Oral do Português Popular de Fortaleza-CE. Foram analisadas as variáveis previsoras faixa etária, escolaridade, sexo/gênero, vogal da sílaba tônica, consoante precedente, número de sílabas e frequência da palavra em relação à variável resposta presença/ausência da vogal átona. Foram inspecionadas, em 16 gravações do tipo DID – Diálogo entre Informante e Documentador (uma entrevista informal com duração média de 1 hora), um total de 796 palavras, 398 terminadas em /i/ e 398 em /u/ postônicos finais. As palavras foram analisadas acusticamente a fim de classificar a produção da vogal átona final, e os dados foram utilizados para ajustar dois modelos de regressão logística de efeitos mistos, uma para cada vogal final. Houve mais apagamentos do que produção das vogais, e houve mais apagamentos de /i/ do que de /u/. Nenhuma variável social (idade, escolaridade, sexo/gênero) se mostrou significativa. Para /i/, o número de sílabas da palavra (quanto maior a palavra, mais apagamento) bem como a natureza da consoante precedente (desvozeada para vozeamento, e fricativa ou africada para modo de articulação) se mostraram relevantes para explicar e prever seu apagamento. Para /u/, apenas o vozeamento da consoante precedente (desvozeada) se mostrou significativo.</p> Ronaldo Mangueira Lima Júnior Francisco Alerrandro da Silva Araujo Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-08 2022-06-08 64 e022017 e022017 10.20396/cel.v64i00.8665661 Socionomástica comercial https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665736 <p>Neste artigo apresentamos uma investigação na área de Onomastics Comparativos cujo objetivo é contrastar dois repertórios onomasticos de línguas e culturas próximas. Realizamos uma análise comparativa que compara os crematórios que designam lojas de vestuário e acessórios e os locais de restauração de duas sintoxicações: a cidade espanhola de Castro e a cidade brasileira de Marechal Cândido Rondon. A análise dos dados considerou os seguintes parâmetros: escopo de origem e linguagens utilizadas, critérios da denominação e estrutura dos crematórios. Os resultados convergentes confirmam a influência da globalização, o prestígio da língua inglesa e a descrição e sugestão como os critérios de palavra mais destacados. Os resultados divergentes indicam que há maior propensão ao primeiro procedimento pela localidade brasileira e ao segundo pela localidade espanhola. Isso leva a uma maior preferência por sitagmas nominais nos usos brasileiros, o que contrasta com o uso de outros tipos de estruturas nos crematórios da cidade espanhola.</p> Carmen Fernández Juncal Márcia Sipavicius Seide Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-04-25 2022-04-25 64 e022010 e022010 10.20396/cel.v64i00.8665736 O trabalho de leitura de literatura na educação básica brasileira: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8667197 <p>Problematizações surgem de maneira a questionar as metodologias de ensino de língua (em análise linguística, literatura, leitura e produção textual) na educação básica. Diversas obras têm sido elaboradas e lançadas de forma a tentar atualizar os debates sobre o papel e a possibilidade de o trabalho de leitura de literatura em língua portuguesa. No entanto, ainda assim, uma lacuna parece continuar se inscrever a respeito do investimento em trabalhos que articulem teorias literárias (narratologia, por exemplo), teorias pedagógicas e teorias discursivas. Como resultado, importantes referências têm sido lançadas, mas ainda reforçando relações jurídicas, econômicas e do político que conduzem professores (formadores de leitores de literatura) e alunos (leitores de literatura em formação) a identificações cujos funcionamentos precisam ser compreendidos como estratégia de se debater a permanência do autoritarismo e do liberalismo em práticas de leitura de literatura na educação básica. A partir disso, recorremos a alguns conceitos fundamentais da análise de discurso desenvolvida por Michel Pêcheux e Eni Orlandi – como interpretação, compreensão, leitura, autoria e sujeito – e a algumas reflexões de Dermeval Saviani sobre a historicidade da formação de professores e de uma Pedagogia Histórico-Crítica no Brasil. Com essa base, pretendemos sustentar um gesto de leitura sobre <em>Letramento literário </em>(2006), de Rildo Cosson, uma referência recorrente em cursos de formação de professores de literatura no Brasil. A partir da análise discursiva de algumas sequências recortadas da mencionada obra, objetivamos compreender o funcionamento de enunciados que, contraditoriamente, acabam corroborando relações jurídicas, econômicas e do político da língua que merecem ser consideradas no trabalho de construção de leitura (e no reconhecimento de sua divisão social) enquanto paráfrases do autoritarismo, do produtivismo e da exclusão de algumas posições de sujeito na formação social (travestidos pela metáfora da “liberdade de leitura”, “liberdade do leitor” pelo letramento).</p> Jacob dos Santos Biziak Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-02 2022-06-02 64 e022016 e022016 10.20396/cel.v64i00.8667197 Para argumentar, basta começar https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665885 <p>Neste trabalho, com o objetivo de responder à pergunta: quais indícios de natureza linguístico-discursiva podem ser observados entre o funcionamento dos mecanismos de junção e a aquisição da tradição discursiva argumentativa no modo escrito de enunciação?, observo a tradição discursiva argumentativa no contexto de aquisição do modo escrito de enunciar, a partir de uma descrição analítica do funcionamento dos mecanismos de junção, em um espaço teórico construído a partir do diálogo entre os conceitos de tradição discursiva (TD) (KABATEK, 2005); heterogeneidade da escrita (CORRÊA, 2004); aquisição da escrita (LEMOS, 1998); e mecanismos de junção (MJs) (RAIBLE, 2001). Foram analisados 60 textos produzidos por alunos do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental, numa abordagem quantitativo-qualitativa, e alcançados resultados relativos: (i) à descrição da funcionalidade dos MJs, no contexto investigado; (ii) à análise do caráter sintomático dos MJs enquanto marcas da relação oral/falado e letrado/escrito; e (iii) à discussão sobre as relações entre MJs e a aquisição da TD argumentativa na escrita. Tais resultados mostraram que <em>transformação</em> e <em>mudança</em> operam-se no funcionamento simbólico da língua por meio da movimentação, no processo de subjetivação, que, concomitantemente, atinge as formas táticas dessa língua e os sentidos que nela se constituem.</p> Lúcia Regiane Lopes-Damasio Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-03-08 2022-03-08 64 e022005 e022005 10.20396/cel.v64i00.8665885 Ler o arquivo em análise de discurso https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8664658 <p>Este artigo busca investigar de que maneira o alienismo brasileiro se constitui em estreita relação com as teorias raciais, com a memória antiafricana e com novas formas de organização do direito e do espaço urbano no século XIX. Ancorado teoricamente na Análise de Discurso materialista, o texto busca dar visibilidade aos processos históricos da produção do sentido, montando um arquivo que permita escutar a conjuntura discursiva do Brasil oitocentista. O presente estudo permite, pois, uma compreensão semântica das contradições e das relações de sentido a partir da montagem e da leitura de um arquivo singular, que abre espaço para a formulação de um dispositivo distinto do historiográfico, pondo em primeiro plano o funcionamento material, ou seja, histórico, da língua. &nbsp;</p> Fábio Ramos Barbosa Filho Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-03-21 2022-03-21 64 e022007 e022007 10.20396/cel.v64i00.8664658 As formas da língua na "análise automática do discurso" (1969-1983) https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8664079 <p>A Análise de Discurso proposta por Michel Pêcheux se exerce sobre a dupla materialidade da língua (base) e do discurso (processo). No entanto, há uma insatisfação, tanto dos linguistas quanto dos analistas do discurso, relativa ao suposto esquecimento do aspecto linguístico na AD. Assim, pretendo estabelecer um percurso de leitura sobre o conceito de “língua” no projeto teórico da<em> Análise Automática do Discurso (1969-1983) </em>de Michel Pêcheux como uma maneira de expor e defender sua importância nas análises e no arcabouço teórico da Análise do Discurso contemporânea. O percurso deste trabalho, portanto, inicia-se pela apropriação discursiva dos primados da metáfora sobre o sentido e do valor sobre a significação, estendendo-se até suas reelaborações finais, em que se formula a assunção de que a língua é capaz de revolta.</p> Filipo Figueira Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-04-04 2022-04-04 64 e022008 e022008 10.20396/cel.v64i00.8664079 Transcrição e enunciação https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8661294 <p>Este trabalho desenvolve uma proposta enunciativa, com base em Émile Benveniste, de abordagem da transcrição de dados. Utiliza-se, como recurso heurístico, a distinção entre <em>dizer </em>e <em>mostrar </em>feita por Wittgenstein. A transcrição é vista como um processo que acumula um duplo funcionamento: em primeiro lugar, ela é do campo do <em>mostrado </em>porque comporta uma instância de <em>ciframento </em>e uma instância de <em>deciframento</em>; em segundo lugar, é do campo do <em>dizer </em>porque comporta uma instância de <em>escuta</em> do locutor. A transcrição é, nesse caso, um <em>dizer</em> de uma dada escuta. Assim, conclui-se que, do ponto de vista enunciativo, transcrever é simultaneamente da ordem do <em>dizer </em>e do <em>mostrar</em>.</p> Valdir Nascimento Flores Jefferson Lopes Cardoso Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-03-07 2022-03-07 64 e022006 e022006 10.20396/cel.v64i00.8661294 De cabeça para baixo https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8666524 <p>Neste artigo, apresentamos uma descrição das características e propriedades linguísticas de orientacionais de inversão (OIs), responsáveis por expressar que objetos estão em uma posição não canônica. Nosso objetivo é analisar e descrever o comportamento semântico do OI “de cabeça para baixo”, em contextos espaciais e não espaciais, usando as ferramentas da semântica formal. Com base em algumas noções da semântica de vetores espaciais (VSS, do inglês “Vector Space Semantics”) (ZWARTS, 1997), analisamos o OI em questão com base em dados coletados dos <em>corpora</em> WebCorp (MORLEY, 2006) e Google. O resultado é uma análise e uma descrição de “de cabeça para baixo” baseadas nas noções de quadro referencial do contexto (QR), vetores extrínsecos (VEs) e vetores intrínsecos (VIs), cujos resultados indicam que o OI “de cabeça para baixo” em contextos espaciais mobiliza apenas o eixo vertical e, portanto, combina apenas com referentes que possuem orientação em tal eixo, enquanto nos usos não espaciais, por conta da impossibilidade de inversão de eixos, envolve não a orientação do objeto, mas sim estados canônicos.</p> Yasmin Vizeu Camargo Renato Miguel Basso Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-04-25 2022-04-25 64 e022014 e022014 10.20396/cel.v64i00.8666524 O próprio conceito de contato linguístico à luz do interesse contemporâneo em translanguaging https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8667525 <p>Este trabalho tem por objetivo pleitear que o conceito de translinguagem desafia uma série de conceitos tradicionalmente consagrados como contato linguístico, código linguístico, <em>code-switching</em>, línguas discretas concebidas como objetos autocontidos e hermeticamente isolados um do outro etc.– enfim, toda a parafernália conceitual com a qual estamos acostumados a abordar o fenômeno de multilinguisimo. Longe de ser uma exceção, multilinguísmo é sabidamente o que há de mais comum no mundo, sendo o dito monolinguísmo nada mais que produto de políticas repressivas praticadas em tempos passados em nome de interesses geopolíticos, dentre os quais, a criação e/ou a manutenção de estados-nações como baluarte de identidade coletiva e diferenciação em oposição aos desafetos, tachados de ‘forasteiros’ – um fenômeno de exceção imposto sobre a ordem natural das coisas. Ou seja, monolinguíssimo é um ponto totalmente fora da curva, um fato historicamente atestado, porém ofuscado pela ingerência por fatores de ordem geopolítica.</p> Kanavillil Rajagopalan Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-08-03 2022-08-03 64 e022024 e022024 10.20396/cel.v64i00.8667525 Aquisição de Português como L2 por crianças venezuelanas em contexto fronteiriço https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8668238 <p>Este trabalho constitui um recorte de um estudo mais amplo sobre aquisição do português brasileiro (PB) como segunda língua (L2) em contexto escolar, na fronteira norte do Brasil (Pacaraima) e sul da Venezuela (Santa Elena de Uairén). Analisamos a aquisição do PB, em especial a questão do <em>code-switching</em>, por três crianças venezuelanas de 4 anos de idade interagindo com falantes nativos de PB em sala de aula (Educação Infantil). Foram realizadas 18 sessões, entre 30 e 45 minutos, filmadas em sala de aula e que foram posteriormente transcritas a partir da ferramenta CHAT/CLAN. Trata-se de um estudo longitudinal, de cunho qualitativo. Para a análise dos dados, partimos de uma abordagem dialógico-discursiva que busca entender o modo de funcionamento da linguagem e a produção de sentido que se dá nas relações empreendidas entre sujeitos, na relação com outros discursos, com os aspectos socioculturais e ideológicos, em determinados contextos discursivos (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2014 [1929], SALAZAR-ORVIG, 2010; SALAZAR-ORVIG et. al., 2010, Del Ré et al, 2014a). Os resultados revelam que as crianças praticam <em>code-switching</em> em eventos discursivos específicos da esfera escolar de forma distinta, sobretudo motivadas por fatores externos, tais como a temática da interação ou a experiência com os gêneros discursivos canções e contos infantis.</p> David Sena Lemos Alessandra Del Ré Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-08-16 2022-08-16 64 e022029 e022029 10.20396/cel.v64i00.8668238 Macedo Soares, Amélia Mingas e a historiografia linguística transatlântica https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8668269 <p>Este texto apresenta exercícios preliminares de análises historiográficas, com a finalidade de trazer ao debate um modo de trabalho em implementação. Esse modo de trabalho desenvolve-se no âmbito de um projeto coletivo de estudo da<em> história linguística transatlântica</em> e tem por metas gerais contextualizar documentos estratégicos para a compreensão dessa história e examinar, do ponto de vista da Historiografia Linguística, conceitos e termos nos quais o saber sobre as ‘línguas’ desse contexto tem se apoiado<em>,</em> a fim de evidenciar características que podem ser distribuídas em um eixo que vai do <em>eurocêntrico</em> ao <em>descolonial</em>. Pretende-se, com isso, contribuir para a reflexão sobre usos contemporâneos da (meta)linguagem. Neste artigo, contextualizamos e examinamos textos de Antônio Joaquim de Macedo Soares (Brasil, 1838-1905) e Amélia Arlete Dias Rodrigues Mingas (Angola, 1940-2019), ilustrando duas das estratégias de implementação da proposta.</p> Olga Coelho Eduardo Ferreira dos Santos Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-28 2022-06-28 64 e022020 e022020 10.20396/cel.v64i00.8668269 Estudo qualitativo sobre a variabilidade na aprendizagem e atrito de entonação em falantes bilíngues de português brasileiros de espanhol l2 https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8668234 <p>Analisamos neste estudo a produção de contornos de frequência fundamental de falantes bilíngues brasileiros residentes na Espanha. Sua produção em espanhol L2 foi comparada à de nativos espanhóis e sua produção em português L1 à de falantes monolíngues do português brasileiro. A análise é de base qualitativa, baseada na observação visual de padrões em contornos de <em>f<sub>0</sub></em> normalizados temporalmente. Foram comparadas frases em três modalidades, declarativas, interrogativas totais e interrogativas pronominais, elicitadas em dois estilos de elocução - lidas isoladamente e inseridas em uma narrativa. Na análise, observamos evidência favorável à presença de dois fenômenos relacionados ao bilinguismo: aprendizagem, na forma de padrões produzidos em espanhol L2 que se aproximam aos observados na fala nativa dos espanhóis e atrito linguístico, manifesto no aparecimento de padrões produzidos pelos bilíngues na sua L1 que são semelhantes aos encontrados no espanhol nativo. Os dois fenômenos manifestam-se de forma gradiente e variável entre os falantes analisados. Identificamos padrões nas produções de contornos de <em>f<sub>0</sub></em> dos bilíngues e propomos uma classificação preliminar dos comportamentos variáveis em termos de incorporação de características do espanhol nativo na produção de L2 (aprendizagem) e da transferência para o português de traços entoacionais do espanhol (atrito). Na discussão dos resultados, apontamos uma possível relação entre a ocorrência de aprendizagem e atrito e a experiência dos falantes com L2, em especial tempo residência na Espanha e de estudo formal do espanhol e quantidade de uso de L1. Propomos, com base no modelo Speech Learning Model (SLM-r), entender a manifestação diferencial dos dois processos nas três modalidades sentenciais estudadas como resultado da interação entre os diferentes repertórios tonais do espanhol e do português brasileiro.</p> Cristiane Silva Pablo Arantes Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-08-04 2022-08-04 64 e022022 e022022 10.20396/cel.v64i00.8668234 Propriedades estruturais dos ideofones no kreyòl https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8667694 <p>Este estudo analisa a categoria dos ideofones no kreyòl (crioulo haitiano), itens lexicais que representam uma ideia em um som. O trabalho tem como objetivo apresentar as propriedades estruturais dos ideofones haitianos relacionadas aos âmbitos morfofonológico, sintático e semântico. O embasamento teórico segue Samarin (1965), Childs (1994a, 1994b), Dingemanse (2011), Costa (2017), entre outros autores. Quanto aos preceitos metodológicos, a investigação parte da recolha de dados em fontes já existentes, sobretudo, Prou (2000) e Champion <em>et al</em>. (2015). Um corpus de 81 dados de ideofones foi reanalisado e reclassificado a partir de três critérios para uma palavra ser considerada um ideofone no kreyòl: (1) apresentar conteúdo/traço onomatopaico, (2) sofrer reduplicação (morfo)fonológica e (3) não possuir somente conteúdo nominal. Logo, o corpus passou a contar com 66 dados, que foram tratados nos <em>softwares</em> Excel e <em>Dekereke</em>. Dentre as hipóteses levantadas, assumimos que os ideofones haitianos representam um marcador de complexidade gramatical, posto que as suas características gerais indicam a utilização de diferentes recursos para expressar um mesmo fenômeno. Além disso, destacamos que a morfofonologia é a área de análise mais produtiva dos ideofones haitianos. Em linhas gerais, as principais características estruturais dos ideofones do kreyòl são: (1) para a sintaxe – tendem a ocorrer em sentenças declarativas, manifestam-se em posição sintática medial e/ou final; (2) para a morfofonologia – apresentam formatos morfofonológicos variados (A, A.A, A.B.B, A.B.C etc); sofrem reduplicação total e parcial, e reduplicação morfológica e fonológica; obedecem aos inventários vocálico e consonantal existentes no kreyòl, bem como seguem a estrutura silábica canônica (CV, CVC, CCV etc.); e (3) para a semântica – podem ser enquadrados em diferentes macrocategorias semânticas, sendo as mais expressivas: ações, sons e movimentos.</p> Ariele Helena Holz Nunes Ana Lívia Agostinho Copyright (c) 2022 Cadernos de Estudos Linguísticos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-28 2022-06-28 64 e022019 e022019 10.20396/cel.v64i00.8667694