A inflação e os Planos Cruzado e Real: uma interpretação institucionalista

Autores

  • Herton Castiglioni Lopes Universidade Federal da Fronteira Sul
  • Octavio Augusto Camargo Conceição Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Palavras-chave:

Institucionalismo de veblen. Teoria da regulação. Inflação. Plano cruzado. Plano real.

Resumo

O trabalho objetiva apresentar uma interpretação institucionalista da inflação e do resultado dos Planos Cruzado e Real a partir da teoria da regulação e do antigo institucionalismo de Veblen. Com a teoria da regulação observa-se a contribuição das formas institucionais de estrutura para persistência e fim da inflação no Brasil. Do ponto de vista do institucionalismo de Veblen demonstra-se que as formas institucionais contribuíram para consolidar o que se denominou de hábito inflacionário, presente no Brasil ao longo de sua história e que ganhou maior relevância na década de 1980, inviabilizando o Plano Cruzado. Por outro lado, com a nova configuração macroeconômica e o Plano Real finalmente aconteceu a supressão do hábito de reajustar preços, o que proporcionou a estabilidade monetária.

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Biografia do Autor

Herton Castiglioni Lopes, Universidade Federal da Fronteira Sul

Possui graduação em Ciencias Economicas pela Universidade Federal de Santa Maria (2003), mestrado em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria (2005) e Doutorado em Economia do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Brasileira, Economia Institucional e Estudos Industriais.

Octavio Augusto Camargo Conceição, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professor Adjunto do DCE/UFRGS e do Programa de Pós-Graduação de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Publicado

2016-10-27

Como Citar

LOPES, H. C.; CONCEIÇÃO, O. A. C. A inflação e os Planos Cruzado e Real: uma interpretação institucionalista. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 25, n. 1, p. 147–172, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8647320. Acesso em: 3 fev. 2023.

Edição

Seção

Artigos