https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/issue/feed LIAMES: Línguas Indígenas Americanas 2022-09-13T17:59:17+00:00 Angel Corbera Mori corbera@uol.com.br Open Journal Systems <p><strong>Escopo: </strong>A revista<em> <strong>LIAMES</strong>: Ling. Indig. Am. </em>é uma editada pela área de Linguística Antropológica (Línguas Indígenas) / Centro de Estudos de Línguas e Culturas Ameríndias (CELCAM) do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem / UNICAMP. Seu principal objetivo é propiciar aos pesquisadores da área a publicação de artigos de pesquisa e reflexão acadêmicas, estudos analíticos e resenhas que, por sua temática, versem sobre a investigação e documentação de línguas indígenas americanas, elaborados segundo distintas abordagens teóricas. Espera-se, com isso, tornar disponíveis trabalhos sobre as línguas indígenas americanas, proporcionar o diálogo entre diferentes abordagens e estimular o intercâmbio entre pesquisadores da área. De acordo com a política editorial da Revista, são aceitas contribuições de artigos redigidos não só em português, mas também em espanhol e inglês, eventualmente em francês e italiano. <br /><strong>Qualis</strong>: A2 <br /><strong>Área do conhecimento</strong>: Ciências Humanas<br /><strong>Ano de fundação</strong>:2001<br /><strong>E-ISSN</strong>:2177-7160<br /><strong>Título abreviado</strong>:LIAMES: Ling. Indig. Am.<br /><strong>E-mail</strong>: <a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/management/settings/context/mailto:angel@unicamp.br">angel@unicamp.br</a><br /><strong>Unidade</strong>: <a href="http://www.iel.unicamp.br" target="_blank" rel="noopener">IEL</a><br /><a title="CC-BY-NC" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" target="_blank" rel="noopener"><img src="https://i.creativecommons.org/l/by-nc/4.0/80x15.png" alt="Licença Creative Commons" /></a></p> https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8668367 Etnoterminologia de etnias das línguas de sinais das terras indígenas brasileiras 2022-07-11T15:23:23+00:00 Edivaldo da Silva Costa edieinstein@hotmail.com Erich Teles Bezerra erichczs@hotmail.com Leoni Ramos Souza Nascimento leoniramos@hotmail.com <p>Esta pesquisa teve como intuito registrar e analisar os sinais representativos das etnias de línguas de sinais das comunidades indígenas surdas brasileiras que possuem estudos consolidados. A metodologia se embasou nas pesquisas etnoterminográficas de Azevedo (2015); Bezerra (2021); Damasceno (2017); Lopes (2020); Vilhalva (2012); Pereira (2013), Kakumasu e Kakumasu (1968), Ferreira-Brito (1983, 1995), Baleé (1998) e Cerqueira (2008), Godoy (2020); Eler (2017); Araújo e Oliveira (2021); Giroletti (2008). Nos resultados foram identificados os sinais representativos de 34 diferentes etnias indígenas distribuídas entres 10 estados brasileiros, tais como no Amazonas, na Bahia-Minas Gerais, no Maranhão-Pará, em Pernambuco, no Mato Grosso do Sul, em Rondônia, em Roraima e em Santa Catarina. E, para o registro léxico-terminográfico têm-se os minidicionários de sinais emergentes indígenas de Vilhalva (2012), o do Sataré-Mawé de Azevedo (2016) e o do Munduruku de Ferreira; Gonçalves e Malcher (2021), além de um glossário de sinais Paiter Suruí de Eler (2017) e dois virtuais disponíveis no YouTube, Pereira (2013) e Bezerra (2021). Concluiu-se que os sinais representativos dessas etnias identificadas neste estudo, representam artefatos visuais da cultura e identidade indígena surda como elementos da natureza, adereços ornamentais, armas indígenas, piroga/canoa indígena, empréstimos linguísticos das línguas orais e arte em plumaria.</p> 2022-07-11T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Edivaldo da Silva Costa, Erich Teles Bezerra, Leoni Ramos Souza Nascimento https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8667953 Navegantes do Solimões 2022-07-13T19:36:25+00:00 Marcos Roberto dos Santos marcosroberto_ils@hotmail.com Viviane Cristina Vieira vivi@unb.br Janaína de Aquino Ferraz ferraz.jana@gmail.com <p>As pesquisas com línguas de sinais indígenas têm crescido significativamente no Brasil nos últimos anos, demonstrando a urgência de um olhar científico reflexivo e sistematizado para essas pessoas e para a valorização de suas línguas. Nesse contexto, essa pesquisa tem como objetivo analisar a constituição dos sinais emergentes de surdos indígenas do povo Omágua-Kambeba do município de São Paulo de Olivença, localizado na Mesorregião do Alto Solimões, no estado do Amazonas, bem como o impacto desses sinais nas práticas discursivas e sociais. Para isso serão utilizados estudos de teóricos da Análise de Discurso Crítica (adc) como Fairclough (2004, 2016); Ferraz (2015); Magalhães, Martins e Resende (2017). Também pesquisadores de línguas de sinais como Cuxac (1997), Quadros e Karnopp (2004); Fusellier-Souza (2003) entre outros. O referencial teórico-analítico é baseado na adc. Percebe-se que esses itens lexicais são constituídos por um sistema linguístico organizado, também se revelam como práticas que influenciam diretamente nas atividades sociais desses surdos dentro das comunidades.</p> 2022-07-13T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Marcos Roberto dos Santos, Viviane Cristina Vieira, Janaína de Aquino Ferraz https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8667939 Língua de sinais, gestos e cores 2022-08-30T13:55:03+00:00 Gustavo de Godoy e Silva gutzii@gmail.com <p>A língua de sinais ka'apor não tem nenhuma palavra que denote uma cor específica. Somando-se a esse fato, aparentemente curioso, há outro ainda mais revelador e ao que parece contraditório: há um sinal que designa a ideia genérica de cor. Isso não é tudo. O sinal cor é também usado na gesticulação que acompanha a língua ka'apor falada, a qual não apresenta um item lexical que designe o conceito de cor. Portanto, o ka'apor falado apresenta um gesto para a ideia genérica de cor e itens lexicais da fala que são termos para cores específicas. Partindo desses dados, retomo uma discussão geral sobre a semântica das cores específicas, argumentando que esse não é um domínio fundamental das línguas humanas (Wierzbicka 2008). Além disso, argumento que a modalidade gestual, embora seja um canal visual, é rebelde à referência de cores: as línguas de sinais, por isso, não se adequam à ideia de termos básicos para cores, tal como formulada por Berlin e Kay (1969). Cito aqui o caso da Libras, da língua de sinais do povo yolŋu e da língua de sinais de Top Hill. Por fim, observo que se a língua de sinais ka'apor ignora os termos específicos para cores, o pensamento mítico ka'apor, conhecido por surdos e ouvintes, conceptualiza o excesso de cores como algo maléfico – fato este já demonstrado pela análise comparativa de mitos (Lévi-Strauss 1964). O presente artigo é uma revisão e continuação do trabalho de Ferreira e Siqueira (1985) que compararam a língua de sinais do povo ka’apor com a Libras.</p> 2022-08-30T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Gustavo de Godoy e Silva https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8667561 Mapeamento de sinais do contexto escolar da comunidade surda indígena Paiter Suruí 2022-08-10T17:42:17+00:00 Rosiane Ribas de Souza Eler ribasroseane@hotmail.com Juliana Isabel Ribas Fagundes de Carvalho julianausabel@gmail.com <p>A presente pesquisa foi realizada na comunidade indígena da aldeia Gapgir que está localizada no município de Cacoal, estado de Rondônia. Teve como objetivo mapear os sinais utilizados por um grupo de alunos indígenas surdos do Povo Paiter Suruí, que se comunicam e se expressam por meio de sinais próprios criados na necessidade de comunicação. O suporte metodológico foi orientado pela metodologia de pesquisas pós-críticas em educação que acreditam ser possível pesquisar sem um método previamente definido (Paraíso 2012). A pesquisa fundamentou-se nos Estudos Culturais e nos Estudos Surdos. Os pressupostos teóricos tiveram como referência nos trabalhos das pesquisadoras surdas Perlin (2010), da língua de sinais indígena Vilhalva (2012), e dos estudos culturais Hall (2006) que podem fundamentar as pesquisas de registro da língua de sinais indígenas na perspectiva da valorização da cultura e identidade. Os trabalhos de Leite e Quadros (2014) contribuíram para mostrar a importância do registro das variedades de línguas de sinais do Brasil e que todas essas pesquisas na área de língua de sinais de grupos distantes dos grandes centros urbanos, particularmente os indígenas, contribuem para que essas línguas não desapareçam. Como resultado, registrou-se sinais próprios desses indígenas que surgiram para suprir a necessidade de comunicação entre seus pares na escola com influência da visualidade, que é uma marca importante na cultura surda.</p> 2022-08-10T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Rosiane Ribas de Souza Eler, Juliana Isabel Ribas Fagundes de Carvalho https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8667592 Línguas indígenas de sinais 2022-06-21T18:27:10+00:00 Priscilla Alyne Sumaio Soares priscilla.soares@crb.g12.br Cristina Martins Fargetti cmfarget@gmail.com <p>Apresentamos um levantamento de línguas (ou possíveis línguas) indígenas de sinais encontradas hoje em uso no Brasil. É sabido que, além da Libras, o Brasil possui pelo menos duas línguas indígenas de sinais, que já puderam ser minimamente analisadas em suas estruturas: a língua de sinais Ka'apor (Kakumasu 1968; Ferreira-Brito 1984) e a língua terena de sinais (Sumaio 2014; Fargetti, Soares 2016; Soares 2018). Neste trabalho, não utilizamos o termo “língua emergente”, mas dividimos nossa classificação em: “línguas de sinais” e “possíveis” línguas de sinais. Esta classificação as respeita enquanto sistemas linguísticos, não importando a situação em que estejam. Sobre as “possíveis” línguas que estão sendo estudadas, citamos neste artigo: sinais dos Sateré-Mawé, sinais Guarani, sinais Kaingang da aldeia (SKA), os sinais Paiter-Suruí, os sinais dos Akwe-Xerente, línguas de sinais dos surdos pataxó do sul da Bahia, sinais usados por alunos moradores de zonas periféricas de Belém (região amazônica) e Ororubá. Além disso, queremos ressaltar que esses indígenas surdos devem ter seus direitos linguísticos e educacionais garantidos, e que já existem pesquisas sendo produzidas sobre essa temática.</p> 2022-06-20T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Priscilla Alyne Sumaio Soares, Cristina Martins Fargetti https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8669403 Causativização e valência em Asuriní do Xingu 2022-08-30T13:55:00+00:00 Antonia Alves Pereira antoniapereira1@yahoo.com.br <p>A causativização é um fenômeno recorrente nas línguas. É concebida como um mecanismo morfossintático que afeta tanto a estrutura quanto o funcionamento de uma sentença, sendo o aumento de valência um dos efeitos mais visíveis e discutidos na literatura. Partindo dessa visão, o objetivo deste trabalho é discutir como a causativização afeta a valência no Asuriní do Xingu, língua Tupí-Guaraní, falada pelo povo Asuriní do Xingu, que vive no município de Altamira, estado do Pará. O trabalho parte do uso de diferentes tipos verbais nas formas básicas e derivadas por causativização, verificando a semântica e a morfossintaxe das sentenças derivadas, especialmente, no que se refere aos efeitos diretamente ligados à valência verbal. São três os causativos morfológicos encontrados na língua: {<em>mu</em>-}, {<em>eru</em>-} e {-<em>uka</em>t}, expressam distintos tipos de causativização e afetam a valência da construção. Ao se anexarem a uma raiz verbal, introduzem um novo participante no discurso, que assume o papel de <em>CAUSER</em>, fazendo surgir mais um argumento na sentença: verbos monovalentes passam a bivalentes e estes últimos a trivalentes. Dessa forma, o trabalho sustenta a existência de uma estreita relação entre causativização, transitividade e aumento de valência na língua<em>.</em></p> <p><em> </em></p> 2022-08-30T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Antonia Alves Pereira https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8668622 Graus de afastamento temporal em Pano 2022-09-13T17:59:17+00:00 Pilar Valenzuela valenzuela@chapman.edu Sanderson Castro Soares de Oliveira sanderson@ufam.edu.br <p>Além de simplesmente indicar o futuro ou o passado, as línguas da família Pano distinguem gramaticalmente vários graus de distância temporal em relação a um ponto de referência, tipicamente o momento do enunciado; isto é, eles possuem o que tem sido chamado de 'tempo métrico' (Chung &amp; Timberlake 1985; Frawley 1992), ‘graus de distanciamento temporal’ (Comrie 1985; Dahl 1985; Bybee et al. 1994; Botne 2012), ou 'gradação temporal' (Cabo 2013). Este artigo oferece uma análise comparativa dos ricos sistemas de gradação temporal encontrados em Pano, concentrando-se em categorias expressas morfologicamente. Com isso, busca-se expandir nosso conhecimento tipológico das línguas que apresentam essa característica, principalmente no que diz respeito à organização interna dos sistemas, às interações entre os marcadores de gradações temporais e outras categorias gramaticais (aspecto, modalidade, evidencialidade, negação e número), e as prováveis fontes dos marcadores de gradação temporal. Apesar de ser um dos maiores agrupamentos genéticos com elaborados sistemas de gradação temporal, as línguas Pano não têm recebido (muita) atenção nos tratamentos interlinguísticos desse recurso.</p> 2022-09-12T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Pilar Valenzuela, Sanderson Castro Soares de Oliveira https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8668999 A fonética dos encontros consonantais no Mebêngôkre Xikrín (Jê) 2022-08-22T18:28:33+00:00 Diana Jacarandá Pantoja Zavodny dianajacaranda28@gmail.com Fernando O. de Carvalho fernaoorphao@gmail.com <p>Este trabalho apresenta os resultados de uma investigação sobre a fonética da resolução de <em>clusters</em> consonantais em Mebêngôkre, uma língua do ramo setentrional da família Jê. Além das propriedades dos segmentos consonantais em contextos pré-vocálicos e precedendo pausa, buscamos descrever as modificações sofridas pelos mesmos em contextos pré-consonantal, seja envolvendo uma sequência de oclusivas orais (C<sub>1</sub> + C<sub>2</sub>), seja envolvendo uma soante em posição de C<sub>2</sub>. As evidências, além de apresentarem corroboração instrumental para uma série de afirmações feitas acerca da fonética do Mebêngôkre na literatura publicada, como o processo de vozeamento regressivo de consoantes surdas em coda quando seguidas de um segmento nasal, as vogais de suporte associadas à realização de /ɾ/, e a presença de pré-nasalização nas oclusivas vozeadas iniciais, trazem também alguns fatos novos, como a presença de consoantes geminadas e a indicação de que, ao menos no Mebêngôkre Xikrín, as oclusivas finais estariam passando por um processo de fusão em alguns contextos.</p> 2022-08-22T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Diana Jacarandá Pantoja Zavodny, Fernando O. de Carvalho https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8670032 Sobre a concordância de foco do agente em Proto-Maia 2022-08-10T17:42:13+00:00 Thilo Momme Holtmann momme.holtmann@googlemail.com <p>Em muitas línguas maias, uma construção especial é usada se o sujeito de um verbo transitivo estiver em foco, a chamada construção de foco do agente. Embora essa construção tenha dois participantes, ela é morfologicamente intransitiva e corresponde a apenas um argumento. As línguas maias modernas diferem em qual argumento o verbo concorda na construção do foco do agente. Em algumas, o verbo concorda com o sujeito, em outras com o objeto e em outras com o sujeito ou o objeto, dependendo de qual argumento é mais alto na hierarquia de pessoa. Todos esses sistemas de concordância foram propostos por diferentes autores como o sistema original usado no Proto-Maya. Com base em evidências do Q'eqchi' colonial, este artigo propõe que em proto-maia o verbo não concordava com nenhum argumento na voz antipassiva do foco. A variedade de diferentes sistemas de concordância dessa construção nas línguas maias modernas resulta do fato de que a concordância na construção do agente-foco se desenvolveu após a divisão do proto-maia.</p> 2022-08-10T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Thilo Momme Holtmann https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8669038 Padrões lexicais compartilhados no domínio etnobiológico das línguas do Chaco 2022-07-11T17:14:31+00:00 Nicolás Brid bridnicolas@gmail.com Johann-Mattis List mattis_list@eva.mpg.de Cristina Messineo cristina.messineo@gmail.com <p>Com mais de vinte línguas pertencentes a seis famílias linguísticas, o Gran Chaco desperta o interesse de linguistas dedicados à tipologia e comparação de línguas. No entanto, embora as semelhanças fonológicas e gramaticais tenham sido o foco da maioria desses estudos, a investigação de padrões semânticos tem desempenhado até agora um papel menor. Este trabalho retoma o problema da semelhança e possível difusão de traços entre as línguas do Chaco através da identificação e análise de padrões léxico-semânticos compartilhados no vocabulário etnobiológico de dezesseis línguas da região. Nossa pesquisa foi realizada com o auxílio de técnicas específicas de anotação e processamento de dados utilizando o programa EDICTOR que permite, ao contrário dos métodos clássicos, trabalhar com um grande corpus de dados disponíveis digitalmente. Os resultados preliminares da análise mostram que, no domínio estudado, os lexemas apresentam paralelismos semânticos baseados na mesma motivação lexical. Essa motivação se expressa no nível formal por meio de recursos como derivação e composição e, em menor grau, polissemia, enquanto no nível conceitual prevalecem a metáfora e a metonímia.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Nicolás Brid, Johann-Mattis List, Cristina Messineo https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8668970 Uma reconstrução fonológica de proto-kawapana 2022-08-22T18:28:35+00:00 Andrey Nikulin andre.n.guzman@gmail.com <p>Este artigo visa fornecer uma interpretação diacrônica de todas as correspondências sonoras segmentais entre as duas línguas Kawapana faladas na Amazônia peruana, o Shawi e o Shiwilu. Apresento uma reconstrução do sistema fonológico do Proto-Kawapana, que difere da proposta alternativa de Valenzuela (2011) em vários aspectos. Em particular, proponho que o Proto-Kawapana possuía um contraste entre dois fonemas líquidos (<em>*ɾ</em> e <em>*l</em>), carecia de obstruintes palatais, distinguia entre duas vogais anteriores (<em>*i</em> e <em>*ɪ</em>) e não apresentava contrastes de ponto de articulação em suas codas silábicas. A segunda parte do artigo é dedicada à reconstrução da história fonológica de Shawi e Shiwilu, incluindo mudanças sonoras como a harmonização vocálica (<em>umlaut</em>) e diversos tipos de palatalização. Concluo o artigo com uma tentativa de reconstrução de mudanças sonoras que devem ter ocorrido antes da desintegração do Proto-Kawapana, tais como a debucalização das codas consonantais do pré-Proto-Kawapana e a lateralização de <em>*ɾ </em>em determinados ambientes.</p> 2022-08-22T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Andrey Nikulin https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8668419 Os classificadores nominais da língua mamaindê 2022-08-08T12:13:47+00:00 David Eberhard dave_eberhard@sil.org <p>Neste artigo descreve-se o sistema de classificadores nominais na língua mamaindê, no Centro-Oeste brasileiro. Esta língua pertence ao subgrupo Guaporé dentro do conjunto Nambikwara do Norte, na família linguística Nambikwara. Esta família se espalha pelo norte e oeste do estado de Mato Grosso, na divisa com a Rondônia. Esta língua utiliza uma morfologia altamente polissintética, como o sistema de classificadores nominais sendo um excelente exemplo dessa riqueza. Após uma breve descrição da comunidade e da família linguística, identifica-se três funções para os classificadores nominais na língua mamaindê, são elas: 1) modificadores nominais; 2) substitutos anafóricos; e 3) nominalizadores verbais. Os exemplos dados de cada função mostram a natureza ampla e produtiva desta classe morfológica. Na última seção, a natureza metafórica dos classificadores nominais nos fornece uma ótica para melhor entender as categorias semânticas e a cosmovisão desta comunidade linguística.</p> 2022-08-05T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 David Eberhard https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8667996 Construções causativas em Amahuaca (Pano) 2022-05-25T11:40:46+00:00 Candy Milagros Angulo Pando candy.angulo@pucp.edu.pe <p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'Times New Roman',serif; mso-ansi-language: PT-BR;">Este artigo oferece uma discussão das propriedades morfossintáticas e semânticas das construções causativas em Amahuaca, uma língua Pano da Amazônia peruana, a partir de uma perspectiva tipológico-funcional. Esta língua possui o morfema causativo geral -<em>ma,</em> os causativos supletivos totais ou lexicais e o transitivizador -<em>n</em>, que também são encontrados nas línguas da família. Ao contrário, Amahuaca apresenta estratégias inovadoras: causativos semi-supletivos segmentais e suprassegmentais. Propõe-se que essas formas tenham sido resultado de processos morfofonológicos típicos da língua, que mudaram a forma dos causativos mencionados, mas não seu significado, pois essas estratégias estão relacionadas aos causativos morfológicos encontrados em outras línguas do mundo. para a família. Este artigo fornece uma descrição de cada uma das estratégias mencionadas, bem como uma explicação do tipo de causação (direta ou indireta) que elas concebem. Da mesma forma, aponta-se como os mecanismos causativos se distribuem no domínio funcional da causação, seguindo a proposta de Shibatani (2002) e Shibatani &amp; Pardeshi (2002).</span></p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"> </p> 2022-05-24T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Candy Milagros Angulo Pando https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8667997 O sufixo *-lli na toponímia andina sul do Peru 2022-04-29T14:15:17+00:00 Erik Cajavilca erik.cajavilca@unmsm.edu.pe <p>Um achado interessante é a presença de topônimos recorrentes nos Andes do sul do Peru, que terminam em &lt;lli&gt;/&lt;lle&gt;, muitos deles concentrados no sul de Cuzco e no norte de Arequipa, berço ancestral dos Chumbivilcas e Collagas. Em vista de seu caráter de fechamento de elemento lexical, é sem dúvida um sufixo nominalizador com a forma *-lli /-ʎi/. A análise aqui apresentada revelou uma grande produtividade morfológica do *-lli, que foi aplicado tanto a substantivos quanto a verbos, produzindo topônimos com os sentidos de 'lugar', 'abundância' e 'qualidade'. Além disso, sua homologia formal e parcialmente semântica com a agentiva deverbativa aimará -ri aponta para uma origem comum. No entanto, a multifuncionalidade e não seletividade de *-lli está muito acima do comportamento dos nominalizadores aimará modernos que são regularmente seletivos. Em relação à língua que a utilizou, estabeleceu-se um vínculo genético com o (proto) aimará de Vilcas, baseado na presença de *-lli sufixando principalmente as raízes aimará e quíchua. Da mesma forma, o padrão da pegada densa dos topônimos com epicentro na bacia superior e média do rio Velille reflete a presença de um grupo idiomático homogêneo, que provavelmente coexistiu com um dialeto Puquina. Essa consideração exige mais estudos sobre o papel e a presença de Puquina na região para comprovar não apenas a influência fonética de Puquina /ɾ/ &gt; [ʎ], mas também um efeito de superstrato.</p> 2022-04-29T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Erik Cajavilca https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8666489 Uma reconstrução comparativa da terminologia de parentesco do Proto-Tupi-Guarani 2021-12-21T00:15:31+00:00 Fernando O. de Carvalho fernaoorphao@gmail.com Joshua Birchall jtbirchall@gmail.com <p>Este trabalho apresenta uma reconstrução da terminologia de parentesco do Proto-Tupi-Guarani (PTG). O foco da contribuição consiste na apresentação de um conjunto sólido de cognatos, e da argumentação necessária para a reconstrução de aspectos formais e semânticos de cada étimo. A apresentação das etimologias é precedida de uma revisão do estado da arte sobre o sistema terminológico de parentesco do PTG, além de uma discussão de aspectos pontuais da estrutura do PTG que terão relevância para a avaliação das etimologias propostas. Por fim, consideraremos alguns problemas em aberto a respeito da reconstrução desse campo terminológico específico, muitos dos quais levantados e identificados aqui pela primeira vez, e discutiremos as características do sistema terminológico de parentesco do PTG em termos das tipologias tradicionais destes sistemas terminológicos.</p> 2022-03-09T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2022 Fernando O. de Carvalho, Joshua Birchall