Imagens do canibalismo na primeira modernidade

a mesa de abate entre América, Ásia e Europa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v5i3.8666207

Palavras-chave:

Canibalismo, Mesa de abate, Cartografia, Primeira época moderna, Profanação da hóstia

Resumo

Em ilustrações de livros, gravuras e mapas europeus produzidos na primeira época moderna é comum representar o canibalismo através de mesas de abate sobre as quais seres humanos são desmembrados. Este artigo investiga os meandros globais percorridos pela mesa de açougueiro, ou de abate, antes de ser firmemente incorporada à iconografia do “canibalismo brasileiro”. Importantes precedentes são, de um lado, elementos retóricos e visuais remontantes à antropofagia mongol; de outro, a iconografia da profanação da hóstia e o conceito da contrafação do sagrado. 

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Biografia do Autor

Maria Berbara , Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutora pela Universidade de Hamburgo e ensina História da Arte na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Especializou-se em arte italiana e ibérica produzida entre os séculos XV e XVII, assim como em história cultural, globalismo na Primeira Época Moderna e intercâmbios intelectuais no mundo atlântico.  É procientista e bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.

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Publicado

2021-10-15

Como Citar

BERBARA , M. Imagens do canibalismo na primeira modernidade: a mesa de abate entre América, Ásia e Europa. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 3, p. 141–162, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i3.8666207. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8666207. Acesso em: 19 out. 2021.

Edição

Seção

Dossiê - A "virada global" como um futuro disciplinar para a História da Arte