Arqueologias Queer: tensionamentos da norma (PT)

2018-10-04

A Revista de Arqueologia Pública convida a comunidade acadêmica para submeter artigos, resenhas e entrevistas que irão compor o Número Temático Arqueologias Queer: tensionamentos da norma, que objetiva reunir contribuições sobre os reflexos da teoria queer no Brasil e em outros países, que enfatizem as percepções, vivências, leituras, usos e aplicações dessa perspectiva no campo da arqueologia e nos seus múltiplos desdobramentos. 

No Brasil, discursos e práticas conservadoras, institucionalizadas ou não, vêm se levantando contra posturas plurais, divergentes e que se contrapõem às condutas “não normativas” na contemporaneidade. É cada vez mais corriqueiro nos depararmos com posicionamentos públicos de cunho racista, sexista, machista, homofóbico, lesbifóbico, transfóbico e contra a comunidade LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Queer, Intersexo, Assexuado, Mais) em geral. Confrontar, criticar e denunciar tais atitudes é um dos enfrentamentos que necessitamos incorporar na nossa prática acadêmica, criando espaços para que a arqueologia alcance ressonância social e se engaje cada vez mais em defesa de uma sociedade justa e plural. Se como arqueólogas e arqueólogos dedicamos nossa vida para entender a diversidade ao longo do tempo e do espaço, por que pessoas e abordagens que fogem à norma masculina, branca, ocidental, cristã e heterossexual ainda causam estranhamentos e sofrem resistências? 

Nesse contexto, a teoria queer insere-se no âmbito das pesquisas sociais como contraponto às condutas dominantes pautadas na heteronormatividade e no binarismo de gênero, que apregoam que o modelo heterossexual formado por um homem e uma mulher é o único aceitável, correto e saudável. Portanto, esta abordagem posiciona-se politicamente contra as formas de pensar excludentes e posturas preconceituosas, fazendo uso de uma linguagem crítica e plural. No país, a teoria queer tem sido abordada pontualmente, sobretudo, em práticas de campo, com marcações politicamente engajadas e de militância contra posturas verticais e excludentes, mas com pouca projeção em espaços de discussão e na construção de debates teórico-metodológicos para a construção de possíveis linhas de investigação.

Diante disso, indagamos: em que medida assumir o locus de enunciação do lugar queer nos confere percepções para a interpretação dos vestígios arqueológicos e para o tensionamento da nossa práxis acadêmica? Como podemos construir pontes entre essas teorias e o fazer arqueológico, envolvendo novas leituras interpretativas sobre a cultura material, a história, a política, a cultura e a sociedade? Como as relações entre os profissionais da arqueologia lidam com um fazer científico plural? Por fim, como atuar e pensar para além da “norma” pode contribuir para uma arqueologia engajada no século XXI e que faça sentido para as pessoas para além da academia?

Este é um convite para todxs abrirem seus armários do campo acadêmico e projetar suas vozes e narrativas a partir deste local, pois falar de si não é novidade na arqueologia, entretanto, ainda temos muitos espaços de debates a serem conquistados no campo da ciência. 

 

Cronograma:

Data-limite para o recebimento das contribuições: até 3 de fevereiro de 2019.

ORGANIZADORES: 

Prof. Dr. Arkley Marques Bandeira (UFMA) 

Educador e Doutorando Maurício André da Silva (MAE - USP)