Chamada de artigos: Dossiê Arqueologia, Patrimônio e Gênero: provocações feministas

2020-07-29

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O contexto atual tem sido marcado por retrocessos nas políticas públicas voltadas ao setor educacional, cultural e patrimonial, por manifestações reacionárias frente aos debates sobre identidades de gênero e diversidade sexual e pelo escancaramento do racismo que caracteriza, historicamente, a sociedade brasileira e tantas outras. Tal conjuntura traz, portanto, desafios específicos para pesquisadoras/es e profissionais do campo da Arqueologia e do Patrimônio. Não por acaso, exemplos mundo afora têm evidenciado tensões e descontentamentos vinculados a essas áreas. Nesse sentido, a manifestação feminista ocorrida em 2013 em frente a um importante monumento histórico, o Panthéon de Paris, é emblemática. A insurgência era contra o deplorável fato de que o local até então abrigava 73 sepulturas dentre as quais apenas duas eram de mulheres. Mais recentemente, insurgências contra monumentos que representam figuras responsáveis pela colonização e escravização de comunidades africanas e indígenas também têm provocado debates acerca da retirada dos mesmos, evidenciando a luta pelo patrimônio e pelo direito à memória.

Este número da Revista de Arqueologia Pública tem como objetivo reunir reflexões que demonstrem o papel da crítica feminista e dos debates em torno da historicidade das identidades de gênero no campo da Arqueologia, do patrimônio cultural e da memória. Se em 1984, em um artigo intitulado Archaeology and the Study of Gender, as arqueólogas estadunidenses Margaret Conkey e Janet Spector já criticavam o androcentrismo então preponderante nas produções acadêmicas da área, as décadas seguintes assistiriam a uma multiplicação das abordagens feministas, inspiradas sobretudo pelas críticas feitas por feministas negras, lésbicas e trans, em diálogo com as críticas marxistas e os estudos culturais, pós-coloniais e decoloniais. Em decorrência disso, variáveis como raça, classe, sexualidade, geração, dentre outras, colocaram-se como eixos incontornáveis a serem analisados de forma interseccional ao gênero.

O dossiê pretende reunir reflexões teóricas, análises críticas das narrativas arqueológicas e patrimoniais, pesquisas arqueológicas que abordem questões de gênero, relatos de experiências em exposições e outras formas de socialização do patrimônio cultural e práticas que visem a subverter as normatizações de diferentes ordens presentes em discursos patrimoniais.

Dessa forma, buscando manter viva a chama desses importantes debates, convidamos pesquisadoras e pesquisadores que trabalham com diferentes objetos e problemas, relacionados a espaços geográficos e temporais diversos, a contribuir com suas provocações para este número.

As contribuições podem ser feitas até o dia 07/12/2020.

Submissões: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/about/submissions

Coordenadoras do Dossiê:

Dra. Camila A. de Moraes Wichers e Dra. Letticia Batista Rodrigues Leite.