PASOLINI E A CRÍTICA

2019-12-19

O que parece prevalecer nessa outra configuração de sentidos a partir de sua obra e de sua vida é a centralidade de sua figura de intelectual público, e nela a dimensão alcançada pela sua crítica. Essa centralidade é desde sempre reconhecida pelo próprio intelectual que em uma passagem anotou:

“É verdade que meu primeiro livro [...] foi um livro de poesia. E é verdade também que comecei a escrever poesia aos sete anos, no segundo ano do primeiro grau [...] mas, sabe-se lá por que, quando penso indistintamente no começo da minha carreira literária, me vejo como alguém 'proveniente da crítica'. Talvez porque nos albores dos anos 40, justamente meu maior entusiasmo – que era além do mais poético – era dedicado aos estudos de filologia românica e à história da arte [...]. O próprio fato de os primeiros versos publicados [e até hoje não repudiados], versos dos 18 anos, serem em friulano demonstra que a minha operação poética se dava sob o signo de uma inspiração fortemente crítica, intelectual”.

Neste número da Remate de Males serão bem-vindos artigos que tragam questões suscitadas por essa crítica radical de Pasolini nos mais diversos âmbitos em que ela se fez presente: da literatura às artes plásticas, da filologia à semiologia, do cinema ao teatro, da poesia à tradução, nas respostas aos leitores em jornais, nas constantes intervenções públicas em periódicos e em entrevistas.

Organizadores:
Maria Betânia Amoroso (Unicamp)

Claudia Tavares Alves (Unicamp)

 

Data limite para envio de artigos: 15 de maio de 2020.