Literatura e Estética, Hoje

2020-06-04

A estética de Adorno foi considerada uma tentativa radical de construir una teoria clássica da obra de arte, e por decorrência da literatura. Considerava o produto artístico como um enigma sem solução, e a sua ideia da obra como esperança diante da opressão social podem hoje parecer resíduos de uma época e de uma forma de pensamento superadas. Estão nesta mesma posição tantos outros pensadores da literatura e da arte, como Walter Benjamin, Georg Lukács, por exemplo.

Os fenômenos literários e artísticos mais recentes têm adotado recursos como a citação sistemática, o pastiche de estilos, a demolição dos confins entre os gêneros, a contaminação entre as práticas, e dessa forma parecem fugir da austeridade com a qual Adorno determinava a função da obra literária e de arte.

No âmbito analítico, algumas teorias estéticas da segunda metade do século XX decretaram o fim histórico da função das letras e das artes e o nascimento de uma cultura pós-histórica e pós-moderna, situando uma dinâmica que conduz à dissolução do estético.

Qual o estado desse debate hoje? Diante do envelhecimento das críticas ao suposto classicismo de Adorno, que pressupunha uma ideia de autonomia estética, como abordar a relação entre teoria especulativa e prática artística? Existem argumentos atuais contrários à dissolução do estético? De que modo seria possível uma reformulação da estética tanto como disciplina como horizonte?

Editores: Fabio Akcelrud Durão e Carlos Berriel

Data limite para submissão 15/11/2020