Remate de Males https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate <p><strong>Escopo: Remate de Males</strong> é uma publicação semestral do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP e tem por finalidade a divulgação de artigos, resenhas, entrevistas e fontes documentais relevantes para os estudos literários. A revista aceita colaborações vinculadas à teoria, à crítica e à história literárias. Dossiês temáticos e seus respectivos prazos para submissão de artigos serão periodicamente divulgados pela comissão editorial. Artigos de temática livre podem ser submetidos em fluxo contínuo. <br><strong>Qualis</strong>: A1 <br><strong>Área do conhecimento</strong>: Ciências Humanas<br><strong>Ano de fundação</strong>: 1980<br><strong>E-ISSN</strong>:2316-5758<br><strong>Título abreviado</strong>: Remate de Males<br><strong>E-mail</strong>:<a href="mailto:%72%65%6d%61%74%65@%69%65%6c.%75%6e%69%63%61%6d%70.%62%72">remate@iel.unicamp.br</a><br><strong>Unidade</strong>: <a href="http://www.iel.unicamp.br" target="_blank" rel="noopener">IEL</a><br><strong>Prefixo DOI</strong>: 10.20396<br><a title="CC-BY-NC" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" target="_blank" rel="noopener"><img src="https://i.creativecommons.org/l/by-nc/4.0/80x15.png" alt="Licença Creative Commons"></a></p> Universidade Estadual de Campinas pt-BR Remate de Males 2316-5758 <p dir="ltr"><img src="https://i.creativecommons.org/l/by-nc/4.0/88x31.png" alt="Licença Creative Commons"><br>O periódico <strong>Remate de Males</strong>&nbsp;utiliza a licença do <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" target="_blank" rel="noopener">Creative Commons (CC)</a>, preservando assim, a integridade dos artigos em ambiente de acesso aberto.</p> <div>&nbsp;</div> Um estado de cavalos https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8661554 <p>Este trabalho parte da comparação feita por Silviano Santiago, em <em>Genealogia da ferocidade</em> (2017), entre o cavalo mumificado descrito em <em>Os sertões</em> (1902), de Euclides da Cunha, e a figuração desse animal em <em>Grande sertão: veredas</em> (1956), de João Guimarães Rosa, que o crítico usa para recusar qualquer continuidade entre um e outro como o teria feito, finalmente, parte da fortuna crítica roseana. Isto porque o protagonista de Rosa se recusa a ser um “amansador de cavalos”. Diferentemente, no livro <em>Ensaio geral</em> (2007), Nuno Ramos reivindica essa mesma imagem do cavalo fossilizado de <em>Os sertões</em>, o que traz consequências não apenas para a figuração do animal no seu posterior <em>Adeus, cavalo</em> (2017), como contamina sua leitura da tradição literária brasileira, a exemplo da ênfase dada à mineralização dos objetos na poesia de João Cabral de Melo Neto. Mostrar-se-á, assim, o debate acerca do caráter neorromântico de <em>Os sertões</em> para, em seguida, evidenciar como um maior distanciamento em relação a ele implica um maior grau de aderência a uma ideia de <em>formação</em> não antropocêntrica.</p> João Guilherme Dayrell Copyright (c) 2022 João Guilherme Dayrell https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 541 568 10.20396/remate.v41i2.8661554 Os ensaios longos do poeta-crítico Mário Faustino https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8666249 <p>O poeta-crítico Mário Faustino (1930-1962) – vitimado por um acidente de avião aos trinta e dois anos de idade, no auge da sua produção – raramente é ignorado pelos estudiosos da poesia brasileira dos anos 1950 e da sua crítica. Os poemas do autor e as discussões por ele levantadas na sua página “Poesia-Experiência” (publicada semanalmente no Suplemento Dominical do<em> Jornal do Brasil</em> entre 1956 e 1958) tornaram-se, de fato, tópicos incontornáveis para compreender os debates literários daquele momento. Neste artigo, o que se pretende é apresentar a trajetória crítico-criativa de Faustino para, assim, situar e abordar mais detidamente a parte da obra do autor que merece mais atenção: a dos ensaios longos, de caráter instrumental e didático, notadamente a daqueles compostos como “Diálogos de oficina”. Empreendemos a nossa investigação em seis breves etapas: na primeira, apresentamos um panorama da carreira do autor, destacando os desafios estéticos que ele buscou superar; na segunda, o modo como se organizou a sua obra, tendo em vista situar os três ensaios/diálogos de oficina eleitos para discussão nas etapas seguintes; na terceira, o modo como a última parte dessa obra se baseou em uma determinada poética de fragmentos; na quarta, o pensamento do autor sobre a relação poesia-sociedade, base do ensaio “Para que poesia?”; na quinta, as teses de Faustino sobre as relações poeta-mundo e poesia-objetos, bases dos ensaios “O poeta e seu mundo” e “Que é poesia?”, respectivamente; na sexta, enfim, tecemos uma síntese da nossa discussão acerca da posição assumida pelo poeta-crítico, nos seus ensaios, em relação ao sistema poético brasileiro.</p> João Moura Fernandes Braulio Fernandes Copyright (c) 2022 João Moura Fernandes, Braulio Fernandes https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 569 595 10.20396/remate.v41i2.8666249 Literatura https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8666139 <p>Com este artigo pretendemos, primeiro, demonstrar que todo gesto mimético empreendido pela literatura, toda forma artística, é também a expressão de um modo de subjetividade, assim como revelador de uma visão de mundo. Depois, que seria principalmente através dos aspectos formais, e não necessariamente discursivos, que a literatura apreenderia e representaria mais complexamente a realidade, que por sua vez deve ser entendida num sentido mais subjetivo e menos factual. Por fim, conciliando a reafirmação da expressividade formal da literatura com uma concepção mais subjetiva e complexa da realidade, problematizamos a possibilidade de a literatura produzir em relação ao mundo um tipo de conhecimento menos conclusivo, assertivo e muito mais autoirônico, admitidamente paradoxal, inconcluso e metafórico.</p> Eduardo Melo França Copyright (c) 2022 Eduardo Melo França https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 596 618 10.20396/remate.v41i2.8666139 Vestígios inapagáveis https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8660563 <p>O ensaio detém-se na leitura analítico-interpretativa dos livros de ficção de Bernardo Kucinski, <em>K.: relato de uma busca</em> e <em>Os visitantes</em>, que tratam do desaparecimento de Ana Kucinski e de seu marido, Wilson Silva, durante a ditadura militar. Propõe-se que, em lugar da figuração direta da violência desencadeada pelo aparato repressor, a opção de Kucinski é por uma espécie de recolha dos indícios deixados na esteira dos crimes cometidos em nome do Estado.</p> André Luis Rodrigues Copyright (c) 2022 André Luis Rodrigues https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 314 336 10.20396/remate.v41i2.8660563 Entre ovídio e pessoa https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8661491 <p>Shakespeare, de acordo com Pessoa a partir de Rita Patrício, “é causa da ausência de construção a que a modernidade está condenada e que passa a caracterizá-la. Nessa medida, Pessoa retoma a imagem de Shakespeare como uma figura da modernidade que a representa no que esta tem de imperfeição construtiva” (PATRÍCIO, 2012:201). Poderíamos aproximar a expressão de Pessoa a Milton e considerá-lo um “supra-Ovídio” ou criador de uma “supra-Bíblia”. A escrita de Milton altera o cânone e questiona a auctoritas do texto religioso.</p> Luiz Fernando Ferreira Sá Copyright (c) 2022 Luiz Fernando Ferreira Sá https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 337 352 10.20396/remate.v41i2.8661491 Macunaíma e Chico Antônio https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8661623 <p>Mário de Andrade compreendeu a nação a partir de relações entre pares de opostos. O Brasil seria a imagem híbrida entre a cidade e o sertão, o moderno e o arcaico, o progresso e o atraso. Este artigo questiona o modo como o escritor pensou a identidade brasileira a partir da análise de dois textos: a narrativa clássica <em>Macunaíma</em> e a série de crônicas <em>Vida do cantador</em>, baseada no personagem real Chico Antônio, cantor popular que Mário de Andrade conheceu quando de sua viagem ao Nordeste em fins dos anos 1920. Busca-se mostrar, particularmente, a construção de uma imagem do Brasil enquanto crítica ou reação à civilização moderna. Em outros termos, segundo o autor, a nação brasileira seria uma civilização nova, dita tropical, avessa ao paradigma de sociedade burguesa europeia.</p> Caion Meneguello Natal Copyright (c) 2022 Caion Meneguello Natal https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 353 377 10.20396/remate.v41i2.8661623 Viagem e formação https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8664895 <p>O artigo discute a relação entre o deslocamento espacial e a formação do <em>self </em>nas trajetórias dos protagonistas de <em>O encontro marcado</em>, de Fernando Sabino, e <em>O ventre, </em>de Carlos Heitor Cony, tomados como representantes do <em>Bildungsroman </em>brasileiro dos anos 1950. Busca-se entender como aquela relação manifestava uma nova imagem do <em>self </em>no nosso romance, em personagens inadaptados aos seus meios de origem e impelidos a processos conflitivos de afirmação existencial. Analisa-se a viagem como tópica que dava fisicalidade a tais processos, dramatizando a busca de modos de acomodação na sociedade a serem descobertos na própria experiência do mundo. Para descrever aquela tópica, usa-se o conceito de “mapa” (KOCKELMAN, 2012) para analisar a influência de valores na construção de sujeitos e mundos sociais: especificamente, observa-se como a função existencial da viagem ecoava valores inicialmente formulados no primeiro romantismo. Para explicar porque esses valores adquiriram relevância no Brasil dos anos 1950 e assim evidenciar a importância que o <em>Bildungsroman</em> então assumiu em nossa literatura, argumenta-se que o gênero dava expressão a angústias de uma juventude presa na transição entre modelos de vida fundados na obediência a instituições tradicionais e a plena legitimação da construção dos próprios modos de vida, que seria estabelecida apenas em gerações posteriores. Ao final, faz-se uma breve digressão sobre a relação entre o <em>corpus</em> analisado e versões posteriores do <em>self </em>no romance brasileiro.</p> Pedro Dolabela Chagas Luiz Guilherme Oliveira Copyright (c) 2022 Pedro Dolabela Chagas, Luiz Guilherme Oliveira https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 378 404 10.20396/remate.v41i2.8664895 A predicação de Cardozo nos versos de Cabral https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8662096 <p>Sendo Joaquim Cardozo o interlocutor mais recorrente ao longo da obra de João Cabral de Melo Neto, é possível visualizar uma série literária entre os poemas que celebram tal diálogo poético. Todavia, a interlocução permite que o conjunto de composições delineado aí se desdobre em dois níveis: o dos poemas em que o homenageado aparece no título do texto e aqueles outros nos quais sua ocorrência é acidental, adquirindo função predicativa, ora adjetival ora adverbial. Tal predicação será ilustrada retrospectivamente por meio de um adjetivo constante no livro <em>A escola das facas</em> (1980) e de um advérbio presente em <em>Quaderna</em> (1960), ambos inscritos sob o mesmo significante: “Cardozo”. Considerada como uma dobra da convenção literária, interessa assinalar materialmente como tal influência foi se consolidando, no contexto editorial e no curso dos versos, a ponto de instituir um vinco na tradição poética brasileira.</p> Éverton Barbosa Correia Copyright (c) 2022 Éverton Barbosa Correia https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 405 426 10.20396/remate.v41i2.8662096 “Diadorim sou eu” e o problema biográfico de Guimarães Rosa https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8663412 <p>Este artigo tem como objetivo problematizar a expressão “O Diadorim do <em>Grande sertão</em> sou eu”, dita por João Guimarães Rosa (1908-1967) a Afonso Arinos e registrada por Josué Montello, assim como busca circunscrever o problema biográfico do autor mineiro. O texto fundamenta-se na discussão de “crítica biográfica” (SOUZA, 2020) para fazer a leitura do campo biográfico e da personagem Diadorim. A conclusão aponta para a possibilidade de relacionar fato e ficção à pesquisa e à grande carência de estudos biográficos sobre o autor mineiro.</p> Gustavo Castro e Silva Florence Dravet Leandro Bessa Copyright (c) 2022 Gustavo Castro e Silva, Florence Dravet, Leandro Bessa https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 427 448 10.20396/remate.v41i2.8663412 Historia magistra vitae e sua (des)continuidade em Pinheiro Chagas https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8663464 <p>O <em>topos</em> <em>historia magistra vitae</em>, sistematizado por Cícero para afirmar o caráter exemplar e moral da história, foi apropriado por cronistas, historiadores e romancistas portugueses ao longo dos séculos XV-XIX. No Oitocentos, em particular, lugares-comuns recorrentes antigos e modernos foram associados a artifícios românticos (expressivos, psicológicos, científicos, patrióticos etc.) e circularam sobejamente nas letras portuguesas. O antagonismo entre historiadores e literatos não deve ofuscar as tópicas compartilhadas, os diálogos travados e os projetos comuns, especialmente aqueles com apelo nacional. Pretende-se avaliar de que maneira a historiografia portuguesa do século XIX retomou preceitos outrora constituintes e definidores da <em>historia magistra vitae</em>, conferindo especial atenção aos escritos de Pinheiro Chagas. Por meio desse trabalho, notamos dois movimentos simultâneos em se tratando da historiografia portuguesa oitocentista: a perseverança de aspectos epistêmicos, normativos e pedagógicos, outrora reunidos na concepção de história exemplar, e a descontinuidade do topos, tão perceptível quanto maior for nosso interesse em historicizar o passado.</p> Cleber Vinicius do Amaral Felipe Copyright (c) 2022 Cleber Vinicius do Amaral Felipe https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 449 466 10.20396/remate.v41i2.8663464 A lira da razão https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8666567 <p>Desde que os primeiros estudos sobre a história da literatura brasileira foram publicados no século XIX, consolidou-se uma interpretação do advento do romantismo como um momento particular no processo de emergência da consciência nacional. Esse pressuposto é baseado em uma ideia (mesmo quando não explicitada) de unidade que permeia ambos os processos. Esse artigo argumenta que no interior das incertezas do contexto brasileiro, o romantismo fornece um conjunto de elementos estéticos que serão apropriados e significados por diferentes grupos.</p> Jefferson Cano Copyright (c) 2022 Jefferson Cano https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 467 488 10.20396/remate.v41i2.8666567 Grande sertão https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8666244 <p>O presente artigo revisita as teorias dos três amores de <em>Grande sertão: veredas</em> (os amores de Riobaldo por Otacília, Nhorinhá e Diadorim), para analisar o modo como a presença da donzela-guerreira (Diadorim) acaba gerando uma situação dramática no desenvolvimento do personagem-narrador do romance, que questiona o patriarcalismo e acaba por demandar uma outra ordem social à altura do amor alternativo representado por Diadorim.</p> Alfredo César de Melo Copyright (c) 2022 Alfredo César de Melo https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-31 2021-12-31 41 2 489 501 10.20396/remate.v42i1.8666244 O relato (ético) de um tradutor de Maurice Blanchot https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8665578 <p>Neste artigo, com base em minha experiência de tradutor do escritor francês Maurice Blanchot, proponho algumas reflexões sobre a tradução enquanto ato ético, entendendo por ato ético o respeito pela diferença da língua do outro estrangeiro, o que significa não aclimatá-la à língua do tradutor, mas sim deixá-la abrir novos espaços sintáticos e semânticos em minha própria língua. Nesse percurso, além da análise da tradução de fragmentos escolhidos da narrativa <em>L’attente l’oubli</em>, de Blanchot, pretendo dialogar com três ideias essenciais, a meu ver, ao ato tradutório: a primeira, a ideia de Jacques Lacan sobre a letra como materialidade do significante; a segunda, a ideia de Antoine Berman sobre a ética na tradução; e, a terceira, a ideia do próprio Blanchot sobre a tradução enquanto diferença. </p> Davi Andrade Pimentel Copyright (c) 2022 Davi Andrade Pimentel https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 502 522 10.20396/remate.v41i2.8665578 Proust e a busca da cena ausente https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8660554 <p>Este artigo analisa a composição de dois volumes de <em>Em busca do tempo perdido</em> (<em>À La recherche du temps perdu</em>, 1913-1927), de Marcel Proust: <em>A prisioneira</em> (<em>La Prisonnière</em>, publicado postumamente em 1923) e <em>A fugitiva </em>(<em>Albertine disparue</em>, publicado postumamente em 1927), como uma derivação do desvio da escrita literária que, por sua vez, é decorrente do desvio do comportamento homossexual de determinados personagens da obra proustiana. O foco narrativo da obra se faz, assim, a partir da influência de duas cenas homossexuais com componentes de perversão sadomasoquista observadas pelo narrador na sua infância e juventude, as quais o levam à elaboração da cena imaginária que coloca sua companheira, Albertine, como protagonista de uma cena do desvio homossexual. Derivadas dessa cena, as narrativas de <em>A prisioneira</em> e <em>A fugitiva</em> originam uma escrita que se estrutura na ambivalência, uma vez que se desenvolvem por meio do imaginário ciumento do narrador e se constituem pela alternância entre as cenas reais de sua relação com Albertine e as cenas ficcionais elaboradas pelo ciúme, através das tentativas infrutíferas do narrador em compor a cena ausente, a cena que, nunca acontecendo efetivamente, finda por se concretizar em obra.</p> Francisco Renato de Souza Copyright (c) 2022 Francisco Renato de Souza https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 523 540 10.20396/remate.v41i2.8660554 Uma tribo de canibais sai em viagem gastronômica pela Europa https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8667207 <p>Resenha do livro <em>Cannibal Angels: Transatlantic Modernism and the Brazilian Avant-Garde </em>de Kenneth David Jackson.</p> Fábio Waki Copyright (c) 2022 Fábio Waki https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-30 2021-12-30 41 2 619 628 10.20396/remate.v41i2.8667207 Duzentos anos de literatura brasileira após a independência https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8668041 <p>Para o seu número 41.2, a Remate de Males convidou pesquisadores e estudiosos para refletirem sobre o passado, o presente e o possível devir da literatura brasileira, agora que o país está a ponto de completar 200 anos de independência. O ano 2022, o número redondo, em si, não representa muito mais do que uma efeméride da autonomia política da nação. A data, porém, pode ser valiosa se nos convidar a uma visão crítica mais ampla e abrangente, visando a um balanço da tradição e de seus futuros possíveis. O que significa essa data para a literatura brasileira? Qual a sua maturidade? Qual a sua organicidade? Quais os seus procedimentos de renovação? A ideia de formação ainda possui atualidade? Estas são apenas algumas das muitas questões que são abordadas e desenvolvidas neste volume.</p> Carlos Eduardo Ornelas Berriel Fabio Akcelrud Durão Copyright (c) 2022 Carlos Eduardo Ornelas Berriel, Fabio Akcelrud Durão https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2021-12-31 2021-12-31 41 2 309 313 10.20396/remate.v41i2.8668041