Dossiê "Cidade, Saúde e Doença" recebe trabalhos até o dia 15 de agosto.

2019-06-07

Caros e caras leitores (as)

Resgate – Revista Interdisciplinar de Cultura torna pública a abertura de chamada a trabalhos que tenham interesse em compor o Dossiê “Cidade, Saúde e Doença”. O prazo para envio dos trabalhos se encerra no dia 15 de agosto de 2019.

O dossiê, que será publicado em dezembro de 2019, será organizado pelos professores Dr. André Mota, historiador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e Dr. Fabio de Oliveira Almeida (UFSCAR).

 Submissões

A convocação é destinada a autores de instituições acadêmicas do Brasil e do exterior, preferencialmente doutores ou em coautoria com doutores, dispostos a publicar artigos, em língua portuguesa, relacionados ao tema. Além de ensaios e artigos, podem ser enviadas também entrevistas e resenhas dentro da temática proposta. Os textos devem ser enviados exclusivamente através do site oficial da revista, mediante cadastro prévio.

Os interessados devem observar atentamente as normas de publicação no site, enviando os originais de acordo com o modelo de submissão disponibilizado para download.

As submissões à Resgate são avaliadas por especialistas que emitem parecer dentro do rigor de sua área de conhecimento e dentro das exigências do Comitê Editorial da revista.

Profa. Dra. Heloísa Pimenta Rocha

Editora

 

Ementa do Dossiê “Cidade, Saúde e Doença”

Prof. Dr. André Mota (USP)

Prof. Dr. Fabio de Oliveira Almeida (UFSCAR)

A partir do século XIX-XX, o processo de crescimento econômico atrelado à crença na viabilidade de um país civilizado e moderno imprimiria transformações de vulto nas sociedades ocidentais, entre elas a brasileira. Tal projeto, carrearia alterações de monta, referendando o ideário do progresso e acalentando a ilusão de que as nações desenvolvidas construiriam os pilares de uma moderna sociedade, tributária do desenvolvimento, agora expresso, e cada vez mais, na sua vida urbana, que deveria chegar com maior ou menor intensidade dentro de seu território e numa concepção de saúde de seu povo.

 Assim, não estaria o homem moderno frente às percepções do bem viver ligado apenas aos progressos científicos e tecnológicos da medicina e saúde pública, com seus campos de saberes e práticas, mas, antes de tudo, envolvido por uma história “mais profunda dos saberes, das práticas ligadas às estruturas sociais, às instituições, às representações, às mentalidades” (Le Goff, 1991, p. 8). Por isso, a mediação da vida social coletiva, quer na busca de normatizações e normalizações do que poderia ser concebido por um corpo saudável ou doente, quer na luta contra as práticas e representações consideradas ameaçadoras do status quo, quais sejam, as chamadas artes de curar com sua gama de ações incorporadas no cotidiano da população, se daria numa intensa construção historicizada por homens e mulheres num certo tempo (Canguilhem, 1971, p. 86).

 Será nessa propositura que se lança o dossiê “Cidade, Saúde e Doença”, buscando repercutir nacional e internacionalmente como a complexa rede de urbanização compôs um tecido de diversos matizes em torno das concepções de saúde e doença, sempre tendo níveis de interações das mais diversas ordens, envolvendo ideias, grupos e instituições. Para isso esperamos por estudos que possam refletir ineditismo interpretativo aliado à pesquisa documental de ponta, contribuindo ao interesse dos estudiosos preocupados pelo estudo dessa articulação tão instigante e necessária.

Bibliografia

CANGUILHEM, Georges. Lo normal y lo patológico. Buenos Aires: Siglo Veintuno; 1971.

LE GOFF, Jacques. (organizador). As doenças têm história. Lisboa: Terramar; 1991.