O estigma da ameaça ao emprego pelos periféricos na periferia: crise e imigração no Brasil

Autores

  • Patricia Villen Observatório das Migrações em São Paulo, Núcleo de Estudos de População Elza Berquó

DOI:

https://doi.org/10.20396/rua.v21i2.8642466

Palavras-chave:

Migração. Refúgio. Trabalho. Crise

Resumo

Discute-se as razões pelas quais, mesmo com o percentual baixíssimo de população estrangeira atualmente no Brasil, num contexto de crise – com bruscos aumentos das taxas de desemprego – a figura do imigrante e do refugiado continua, como no passado, a representar um estigma da ameaça ao emprego. A especial ênfase dada à dimensão do trabalho elucida questões de fundo para se compreender as atuais manifestações de violência, racismo, xenofobia contra esses grupos. Procurou-se trazer em discussão as características históricas da base social da imigração de proveniência de países periféricos para o Brasil, sua ligação com a manifestação mais ampla desses fluxos em escala internacional, mostrando em que medida o país entra, hoje, como destino desses movimentos migratórios e as problemáticas derivadas.

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Biografia do Autor

Patricia Villen, Observatório das Migrações em São Paulo, Núcleo de Estudos de População Elza Berquó

Doutora em Sociologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas e pós-doutoranda no Observatório das Migrações em São Paulo, Núcleo de Estudos de População Elza Berquó, Av. Albert Einstein, 1300 - Cidade Universitária, Campinas – SP. Email: villenpatricia@gmail.com.

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Como Citar

VILLEN, P. O estigma da ameaça ao emprego pelos periféricos na periferia: crise e imigração no Brasil. RUA, Campinas, SP, v. 21, n. 2, p. 247–264, 2015. DOI: 10.20396/rua.v21i2.8642466. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8642466. Acesso em: 7 dez. 2022.

Edição

Seção

Estudos