Caminhar e desvelar paisagens

Palavras-chave: Paisagem, Horizonte, Caminhar, Revelação poética.

Resumo

Muito mais do que extensão do território que se abrange com um lance de vista, a paisagem é presença que se revela pelo caminhar. E não se revela cabalmente ou por completo, não só porque a todo visível corresponde um invisível, mas também porque a completude transformaria a paisagem em mero objeto destituído de horizontes, ou seja, de possibilidades e de mistério. Assume-se aqui que a riqueza de sentidos da paisagem não se limita à sua excepcionalidade, mas é extensiva às situações banais, e que o desvelamento poético é o modo de trazer a paisagem à presença sem destruir o seu segredo. Para dar tratos ao assunto, o presente artigo toma por referências reflexões tanto de pensadores (alguns dos quais pensadores da paisagem) quanto de poetas, e apóia-se no conto O recado do morro, de Guimarães Rosa, para elaborar a relação entre a paisagem, o caminhar e a revelação poética.

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Biografia do Autor

Arthur Simões Caetano Cabral, Universidade Federal de Goiás

Arquiteto e urbanista graduado pela FAU-USP em 2014, mestre e doutorando em Arquitetura e Urbanismo na FAU-USP, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFG.

Vladimir Bartalini, Universidade de São Paulo

Arquiteto e urbanista graduado pela FAU-USP, mestre e doutor em Estruturas Ambientais Urbanas pela FAU-USP, professor do Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Referências

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Publicado
2019-01-17
Como Citar
Cabral, A. S. C., & Bartalini, V. (2019). Caminhar e desvelar paisagens. RUA, 25(1). https://doi.org/10.20396/rua.v25i1.8654443
Seção
Estudos