Capital social, gênero e representação política no Brasil

  • Teresa Sacchet Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Representação política. Gênero. Capital social. Cultura política

Resumo

As mulheres ocupam menos de 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados no Brasil, contrastando com uma tendência internacional de aumento na representação política feminina. Este artigo considera fatores culturais, particularmente aqueles relacionados à cultura política e ao capital social para tratar dessa questão. A partir da análise dos dados de um survey nacional de 2006, o artigo analisa como o capital social é estruturado por gênero, e discute suas possíveis consequências para a representação política de homens e mulheres. Os resultados indicam que homens e mulheres participam em diferentes tipos de redes associativas: os homens tendem a se organizar em grupos voltados à esfera pública e as mulheres naqueles que lidam com questões práticas do cotidiano familiar e comunitário.

 

Abstract:

Women occupy less than 10% of seats in the Chamber of Deputies and the Brazilian situation contrasts with an international trend of growth in the political representation of women. In dealing with this issue, this article considers cultural factors, in particular those related to the political culture and social capital. Using data from a national survey of 2006, the article analyses how social capital are structured by gender and considers the likely implication of this factor for men and women's political representation. Results indicate that men and women participate in different types of associations. Men tend to organize themselves into social groups more geared towards the public sphere whereas women involve themselves in groups which deal with practical daily issues related to the family and community life.

Keywords: political representation; gender; social capital; political culture.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Teresa Sacchet, Universidade de São Paulo
Possui doutorado em Ciência Política (Government) pela Universidade de Essex, mestrado em Política e Sociologia pela Universidade de Londres (Birckbeck College) e graduação em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina. Concluiu um pós-doutorado no departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo em 2010, onde também lecionou entre 2006 e 2009, é pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas e professora visitante do departamento de Estudos de Genero e Politicas para as Mulheres da Universidade da California Berkeley nos EUA. 

Referências

ABERS, R. Inventing Local Democracy: grassroots politics in Brazil. New York: Lynne Rienner, 2000.

ABRAMO, C. W. e SPECK, B. W. Às claras. Transparência Brasil. São Paulo, 2006. Disponível em: . Acesso em: jan.2009.

ALVAREZ, S. Engendering Democracy in Brazil: Women’s Movements in Transition Politics, New Jersey: Princeton, 1990.

AVRITZER, L. Sociedade Civil, Espaço Público e Poder Local: uma análise do Orçamento Participativo em Belo Horizonte e Porto Alegre. In: DAGNINO, E. (org.) Sociedade Civil e Espaços Públicos no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

AVRITZER, L. Orçamento Participativo e Teoria Democrática: um balanço crítico. In: AVRITZER, L. e NAVARRO, Z. (orgs.). A Inovação Democrática no Brasil. São Paulo: Cortez, 2003.

BAQUERO, M. “Construindo uma outra Sociedade: o capital social na estruturação de uma outra sociedade no Brasil”. Revista de Sociologia Política, nº 21, novembro, 2003.

BAQUERO, M. Capital Social: Teoria e Prática. Porto Alegre: Unijui, 2006.

BAQUERO, M. “Eleições e Capital Social: Uma análise das eleições presidenciais no Brasil (2002-2006)”. Campinas, Opinião Pública, v. 13, nº 2, 2007.

BILAC, E. D. Gênero, vulnerabilidade das famílias e capital social: algumas reflexões. In: CUNHA, J. M. P. (org.). Novas metrópoles paulistas. População, vulnerabilidade e segregação. Campinas: Unicamp/Nepo, 2006.

BORBA, J. e SILVA, L. L. Sociedade Civil ou Capital Social: Um balanço Teórico. In: BAQUERO, M. (org.). Capital Social Teoria e Prática. Porto Alegre: Unijui, 2006.

BOURDIEU, P. The forms of capital. In: RICHARDSON, J. (org.). Handbook of Theory and Research for the Sociology of Education. New York: Greenwood Press, 1986.

COLEMAN, J. “The rational reconstruction of society: 1992 presidential address”. American Sociological Review, v.58, nº 1, fev., 1993.

CAIAZZA, A. e PUTNAM, R. "Women's Status and Social Capital in the United States." Journal of Women, Politics, and Policy, v.27, nº 1/2, 2005.

FREITAS, R. C. M. Programas de combate a Pobreza: o papel das mulheres. 2008. Disponível em: <http://www.eumed.net/rev/cccss/02/rcmf.htm>. Acesso em: mar.2009.

FIELD, J. Social Capital and Lifelong Learning. Bristol: The Policy Press, 2005.

FRANKLIN J. (org.). Women and social capital. Families & social capital. ESRC research group. London: London South Bank University, 2005.

GIDENGIL, E; GOODYEAR-GRANT, N. A.; BLAIS, A. e NADEAU, R. Gender Knowledge and Social Capital. Artigo apresentado na conferência “Gênero e Capital Social”. Universidade de Manitoba Winnipeg, Canadá, maio 2003.

HTUN, M. “Puzzles of Women’s Rights in Brazil”. Social Research, v. 69, nº 4, 2002.

IPU. ‘Women in National Parliaments: World Classification”. Disponível em: . Acesso em: out. 2009.

LAVALE, A. G. “Sem pena nem glória. O debate sobre a sociedade civil nos anos 1990”. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, nº 66, jul. 2003.

LOWNDES, V. Getting on or Getting by? Women, Social Capital and Political Participation. Artigo apresentado na conferência “Gênero e Capital Social”. Universidade de Manitoba Winnipeg, Canadá, maio 2003.

MAITLAND, R. E. Enhancing Women’s Political Participation: Legislative Recruitment and Electoral Systems. In: KARAN, A. (ed.). Women in Parliament: Beyond Numbers. Stockholm: IDEA, 1998.

MANSBRIDGE, J. The Discriptive Political representation of Gender: An AntiEssentialist Argument. In: KLAUSEN J. e MAIER C. S. (orgs.). Has Liberalism Failed Women? Assuring Equal Representation in Europe and the United States. New York: Palgrave, 2001.

MOISÉS J. A. “A Desconfiança das instituições democráticas”. Opinião Pública, Campinas, v.11, nº 1, 2005.

MOLYNEUX, M. “Gender and the silences of social capital: lessons from Latin América”. Development and Change, v.33, nº 2, 2002.

MOLYNEUX, M. “Mothers at the Service of the New Poverty Agenda: Progresa/Oportunidades, Mexico’s Conditional Transfer Programme”. Social Policy and Administration. v. 40, nº 4, ago. 2006.

NORRIS, P. Democratic Phoenix: Reinventing Political Activism. New York: Cambridge University Press, 2002.

NORRIS, P. A Virtuous Circle: Political Communications in Post-Industrial Democracies. New York: Cambridge University Press, 2000.

NORRIS, P. e INGLEHART, R. Gendering Social Capital: Bowling in women’s League? Artigo apresentado na conferência “Gênero e Capital Social”. Universidade de Manitoba Winnipeg, Canadá, maio 2003.

PHILLIPS, A. Democracy and Difference. Cambridge: Polity Press, 1993.

PHILLIPS, A. The Politics of Presence. Oxford: Clarendon Press, 1995.

PORTES, A. “Social Capital: Its Origins and Applications in Modern Sociology”, Annual Review of Sociology, v.24, 1998.

PRÁ, J. R. Políticas Públicas, Direitos Humanos e Capital Social. In: BAQUERO, M. (org). Capital Social Teoria e Prática. Porto Alegre: Unijui, 2006.

PUTNAM, R. Making Democracy Work: Civic Traditions in Modern Italy. Princeton: Princeton University Press, 1993.

PUTNAM, R. Bowling Alone: the Collapse and Revival of American Community. New York: Simon and Shuster, 2000.

PUTNAM, R.; FELDSTEIN, L. M. e COHEN, D. Better Together: Restoring the American Community. New York: Simon & Schuster, 2003.

SACCHET, T. Making Women Count: Campaigns for Gender Quotas in Brazil, PhD thesis, University of Essex, 2002.

SACCHET, T. Political Parties and Gender in Latin America: an Overview about Conditions and Responsiveness. In: GOETZ A. M. (org.), Gender and Political Governance in the South. London: Routledge, 2008a.

SACCHET, T. “Beyond Numbers: The impact of Gender Quotas in Latin America”. International Feminist Journal of Politics. London: Routledge, 2008b.

SARTI, C. A. “Feminismo no Brasil: Uma Trajetória Particular”. Cadernos de Pesquisa, nº. 64, fev. 1988.

SARTI, C. A. “O Início do Feminismo sob a Ditadura no Brasil: O que Ficou Escondido”. XXI International Congress of LASA, Chicago, v.26, set. 1998.

SCHERER- WARREN, I. Cidadania sem Fronteiras: ações coletivas na era da globalização. São Paulo: Hucitec, 1999.

SCHERER-WARREN, I. e CHAVES , I. (orgs.). Associativismo Civil em Santa Catarina: trajetórias e tendências. Florianópolis: Insular, 2004.

SUÁREZ, M., LIBARDONI, M., TEIXEIRA R. M., CLEAVER A. J. T., GARCIA, S. R., e CHAVES, W, S. “O Programa Bolsa Família e o Enfrentamento das Desigualdades de Gênero: O Desafio de Promover o Reordenamento do Espaço Doméstico e o Acesso das Mulheres ao Espaço Público”. Brasília: AGENDE, 2006.

TEOREL, J. Linking Social Capital to Political Participation: Voluntary Associations and Networks of Recruitment in Sweden”. Scadinavian Political Studies, v. 26, nº 1, 2003.

TSE. Disponível em: <http://www.tse.gov.br/sadEleicao2006>.

YOUNG, I. M. Comunicação e o Outro: Além da Democracia Deliberativa. In: SOUZA, J. (org.). Democracia Hoje. Brasília: UnB, 2001.

YOUNG, I. M. “Representação Política, Identidade e Minorias”. Revista Lua Nova, nº 67, 2006.

WOLLCOCK, M. “The Place of Social Capital in understanding Social e Economic outcomes”. Canadian Journal of Policy Research, Spring 2001.

Publicado
2015-10-27
Como Citar
Sacchet, T. (2015). Capital social, gênero e representação política no Brasil. Opinião Pública, 15(2), 306-332. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8641333
Seção
Artigos