Estruturas de poder nas redes de financiamento político nas eleições de 2010 no Brasil

Autores

Palavras-chave:

Financiamento político. Análise de redes sociais. Desempenho eleitoral. Brasil. Eleições 2010.

Resumo

Este artigo analisa os 299.968 relacionamentos estabelecidos entre os 251.665 doadores e/ou receptores de recursos financeiros legais abrangidos pelas prestações de contas das campanhas nas eleições de 2010 no Brasil, englobando todos os candidatos e partidos. Aplica-se aos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a metodologia de análise de redes sociais e tratamentos estatísticos complementares para a exploração da topologia das sub-redes (componentes) e dos cálculos de centralidade dos atores – candidatos, agentes partidários e financiadores privados. Os resultados expõem a alta conectividade e assimetria da rede de financiamento eleitoral no Brasil e mostram que o posicionamento dos atores em estratos da rede é determinante para o desempenho tanto de candidatos quanto de financiadores, revelando, de uma forma inédita, uma elite no poder político-eleitoral brasileiro.

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Biografia do Autor

Rodrigo Rossi Horochovski, Universidade Federal do Paraná

Doutorado em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (2007), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (2000) e graduação em Ciências Sociais por esta universidade (1995). Atualmente é professor da Universidade Federal do Paraná, no Setor Litoral e nos Programas de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP) e Desenvolvimento Territorial Sustentável (PPGDTS). Tem experiência na área de Ciência Política, atuando principalmente nos seguintes temas: teoria e prática da democracia; associativismo e participação política; relações entre governo e sociedade civil; accountability e controles democráticos; análise de redes sociais e financiamento político.

Ivan Jairo Junckes, Universidade Federal do Paraná

É professor na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Setor Litoral, no Curso de Gestão Pública e no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial Sustentável - PPGDTS. Possui graduação em Psicologia (1989), mestrado (1997) e doutorado (2004) em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Desenvolve pesquisas em análise de redes sociais e financiamento eleitoral e tem interesse também nas temáticas de planejamento estratégico, gestão pública, questões de gênero, financeirização mundial, organização do trabalho e sindicalismo.

Edson Armando Silva, Universidade Estadual de Campinas

Possui graduação em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1985), mestrado em História pela Universidade Federal do Paraná (1993) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2000). Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa. É editor da Revista de História Regional e membro do conselho editorial das revistas: Revista Terr@Plural, Emancipação (UEPG) e Publicatio UEPG (Ponta Grossa). Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil República, atuando principalmente nos seguintes temas: história cultural, identidades, história da igreja, história regional e religiosidade.

Joseli Maria Silva, Universidade Estadual de Ponta Grossa

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1988), Mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (1995), Doutorado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002) e Pós-doutorado em Geografia e Gênero na Universidade Complutense de Madrid (2008- Bolsista CAPES). Pós-Doutorado em Geografia e Sexualidades na University of Brighton (2015- Bolsista CAPES). É docente do Ensino Superior desde 1990. Atualmente é professora Associada, nível B da Universidade Estadual de Ponta Grossa, docente dos cursos de Graduação em Geografia e do Programa de Pós-graduação em Geografia da UEPG (Mestrado e Doutorado). Editora chefe da Revista Latino-americana de Geografia e Gênero desde 2010. Desde 2003 coordena o Grupo de Estudos Territoriais e com trabalhos extensionistas participa da ONG Renascer direitos humanos LGBT desde 2006, bem como é Consultora representante do Brasil no Projeto Transrespect versus Transphobia da Transgender Europe com Sede em Berlim. É representante do Brasil na União Geográfica Internacional - Seção Gênero desde 2011 e é membro da Comissão de Coordenação da Rede Ibero-Latinoamericana de Geografia Gênero desde 2010. 

Neilor Fermino Camargo, Universidade Federal do Paraná

Possui mestrado em Informática na Área de Tecnologia da Informação pela Universidade Federal do Paraná (2003), graduado em Ciências Econômicas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná (1975). Atualmente é professor na Universidade Federal do Paraná - Setor Litoral. Tem experiência com mais de 30 anos no desenvolvimento, administração e consultoria em sistemas de informação, redes e bancos de dados, com atuação nas áreas do govermo federal no Ministério do Trabalho na Caixa Econômica Federal e em Empresas Privadas nas áreas finaceira, industrial e educacional.

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Publicado

2016-06-02

Como Citar

HOROCHOVSKI, R. R.; JUNCKES, I. J.; SILVA, E. A.; SILVA, J. M.; CAMARGO, N. F. Estruturas de poder nas redes de financiamento político nas eleições de 2010 no Brasil. Opinião Pública, Campinas, SP, v. 22, n. 1, p. 28–55, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8646018. Acesso em: 20 jan. 2022.

Edição

Seção

Artigos