As jornadas de maio em Goiânia: para além de uma visão sudestecêntrica do junho brasileiro em 2013

Autores

  • Francisco Mata Machado Tavares Universidade Federal de Goiás
  • João Henrique Ribeiro Roriz Universidade Federal de Goiás
  • Ian Caetano Oliveira Universidade Federal de Goiás

Palavras-chave:

Contentious politics. Criminalização de movimentos sociais. Metodologia da pesquisa-ação. Jornadas de junho.

Resumo

O ano de 2013 apresentou, no Brasil, formas de contestação social que oferecem instigantes problemas à ciência política. Este artigo se situa nesse contexto para se dedicar à compreensão, mediante um estudo de caso, da Frente de Luta do Transporte Público (FLTP) na cidade de Goiânia. A indagação condutora da pesquisa é a seguinte: o que se pode inferir, a partir do caso da FLTP, sobre as mais comuns generalizações atinentes ao local dos acontecimentos, às demandas expressadas e à relação entre ativismo e repressão nos protestos que tiveram lugar no Brasil em 2013? Tal ampla questão é articulada em três eixos, nomeadamente: a relação entre o caso estudado e as tensões de ordem colonial que contrapõem o centro brasileiro, situado no Sudeste, às localidades periféricas, como o Centro-Oeste (i); a relação entre a FLTP e os outros movimentos ou partidos, em especial quanto à coesão ou ao foco das demandas pleiteadas (ii); e a relação da FLTP com o aparato coercitivo e penal-persecutório do Estado (iii). O artigo encerra um estudo de caso baseado na metodologia da pesquisa-ação. O seu principal resultado é a refutação de três generalizações comuns sobre os protestos brasileiros de 2013, atinentes ao local onde se iniciaram, às demandas apresentadas e à relação entre as manifestações e a repressão policial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Francisco Mata Machado Tavares, Universidade Federal de Goiás

Graduado em direito (UFMG - 1998- 2003). Mestre em Ciência Política (UFMG - 2006-2008). Doutor em Ciência Política (UFMG - 2009-2013). Atua em Teoria Politica, especialmente em "contentious politics", aspectos políticos do materialismo histórico e teoria democrática contemporânea. Tem experiência profissional como docente em instituições federais e particulares e como advogado em direito tributário ( atuando no setor privado) e em direito administrativo (atuando no terceiro setor). É coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFG. É professor adjunto, em regime de dedicação exclusiva, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal Goiás - UFG, campus de Goiânia.

João Henrique Ribeiro Roriz, Universidade Federal de Goiás

Professor adjunto no curso de Relações Internacionais e nos programas de pós-graduação em Ciência Política e em Direitos Humanos da Universidade Federal de Goiás. Professor visitante no Departamento de Política e Relações Internacionais, Universidade de Oxford (Bolsista CAPES). Trabalhou como como Legal Officer na Missão de Paz da ONU em Kosovo (UNMIK) e como Consultor do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC). Áreas de interesse: direito internacional, teoria das relações internacionais, direitos humanos e política externa.

Ian Caetano Oliveira, Universidade Federal de Goiás

Atualmente mestrando do Instituto de Estudos Sociais e Políticos do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás, onde foi bolsista CAPES - Jovens Talentos da Ciência (2012-2013), Monitor da área de Ciência Política (2013-2014) e Pesquisador PIBID (2014-2015). Tem enfoque nas áreas de Ciência Política e Sociologia Política. É integrante do Programa de Pesquisa sobre Ativismo em Perspectiva Comparada (PROLUTA)

Referências

ALZAMORA, G. C.; ARCE, T.; UTSCH, R. S. Acontecimentos agenciados em rede: os eventos do

Facebook no dispositivo protesto. In: SILVA, R. H. A. (org.). Ruas e redes: dinâmicas dos protestos (BR). Belo Horizonte: Autêntica, 2014.

BORGES, F. "Goiânia é a 28a colocada em ranking das cidades mais violentas do mundo". G1, 24/3/2014. Disponível em: http://g1.globo.com/goias/noticia/2014/03/goiania-e-28-colocada-em-ranking-das-cidades-mais-violentas-do-mundo.html. Acesso em: 17 jun. 2014.

BOURDIEU, P. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. 16a ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.

BRINGEL, B. "Miopias, sentidos e tendências do levante brasileiro de 2013". Insight Inteligência, São Paulo, vol. 67, p. 43-51, out. 2013.

BRYDON-MILLER, M.; GREENWOOD, D.; MAGUIRE, P. "Why action research?". Action Research, vol. 1, n° 1, p. 29-38, Londres, Sage, 2003.

DAHL, R. A. Poliarquia: participação e oposição. Trad. Celso Mauro Paciornik. São Paulo: Edusp, 2012.

DELLA PORTA, D.; REITER, H. Introduction: the policing of protests in western democracies. In: DELLA PORTA, D.; REITER, H. (eds.). Policing protest: the control of mass demonstrations in western democracies. Londres: Minessota University Press, p. 1-34, 1998.

DOUZINAS, C. "Athens uprising". European Urban and Regional Studies, vol. 20, n° 1, p. 134-138, 2013.

FERES JÚNIOR, J. "Aprendendo com os erros dos outros: o que a história da ciência política americana tem para nos contar". Revista de Sociologia e Política, Curitiba, n° 15, p. 97-110, nov. 2000.

FILLIEULE, O.; JOBARD, F. The policing of protest in France: toward a model for protest policing. In: DELLA PORTA, D.; REITER, H. (eds.). Policing protest: the control of mass demonstrations in western democracies. Londres: Minessota University Press, p. 70-90, 1998.

FOMINAYA, C. F. Social movements & globalization: how protests, occupations & uprisings are changing the world. New York: Pallgrave McMillan, 2014a.

FOMINAYA, C. F. Debunking spontaneity: Spain 15-M's Indignados as autonomous movement. Social Movements Studies: Journal of Social, Cultural and Political Protest, Londres, vol. 4, n° 2, p. 142-163, 2014b.

FOMINAYA, C. F.; COX, L. (eds.). Understanding European movements: new social movements, global justice struggles, anti-austerity protest. New York: Routledge, 2013.

FLYVBJERG, B. Making social science matter: why social inquiry fails and how it can succeed again. Cambridge: Cambrigde University Press, 2011.

FOUCAULT, M. Segurança, penalidade e prisão. Coleção Ditos e Escritos, vol. VIII (seleção de Manoel Barros da Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

GOIÁS. Secretaria de Estado de Planejamento. "Goiás supera média nacional em policiais por habitantes", 2014. Disponível em: http://www.casacivil.go.gov.br/post/ver/171082/goias-supera-media-nacional-em-policiais-por-habitantes. Acesso em: 24 fev. 2015.

GOODIN, R. E. The state of the discipline, the discipline of the State. In: GOODIN, R. E. (ed). The Oxford Handbook of Political Science. Oxford e Nova York: Oxford University Press, p. 3-60, 2011.

HABERMAS, J. The crises of the European Union: a response. Cambridge: Polity Press, 2012.

LIMONGI, F.; ALMEIDA, M. H. T.; FREITAS, A. Da sociologia política ao (neo)institucionalismo: trinta anos que mudaram a ciência política no Brasil, 2015. Texto preparado para o livro: AVRITZER, L.; MILANI, C. (orgs.). Ciência política no Brasil: história, métodos, conceitos (no prelo). Disponível em: https://www.academia.edu/15209689/DA_SOCIOLOGIA_POL%C3%8DTICA_AO_NEO_INSTITUCIONALISMO_TRINTA_ANOS_QUE_MUDARAM_A_CI%C3%8ANCIA_POL%C3%8DTICA_NO_BRASIL. Acesso em: 20 set. 2015.

MAC ADAM, D.; TARROW, S.; TILLY, C. Dynamics of contention. Londres: Cambridge University Press, 2004.

MAQUIAVEL, N. Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

MARX, K. "Marx to Ruge". Kreuznach, september, 1843. Disponível em: http://www.marxists.org/archive/marx/works/1843/letters/43_09.htm. Acesso em: 11 jan. 2013.

MELO, R. "Número de assassinatos sobe 6% e o de mulheres, 150%". O Popular, Goiânia, 2/1/2015. Disponível em: http://www.opopular.com.br/editorias/cidades/n%C3%BAmero-de-assassinatos-sobe-6-e-o-de-mulheres-150-1.747846. Acesso em: 20 fev. 2015.

MORAES, T. P. B.; SANTOS, R. M. "Os protestos no Brasil: um estudo sobre as pesquisas na web e o caso da Primavera Brasileira". Revista Internacional de Investigación en Ciencias Sociales, vol. 9, n° 2, p. 193-206, dez. 2013.

OLIVEIRA, M. "15 das maiores cidades têm um veículo para cada dois habitantes". G1, 2/11/2009. Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL1361733-9658,00- DAS+MAIORES+CIDADES+TEM+UM+VEICULO+PARA+CADA+DOIS+HABITANTES.html. Acesso em: 12 jun. 2014.

PULCINELI, F. "Marconi diz ser contra estabilidade do servidor público". O Popular, 26/11/2015. Disponível em: http://www.opopular.com.br/editorias/blogs/fabiana-pulcineli/blog-da-fabiana-pulcineli-1.526/marconi-diz-ser-contra-estabilidade-do-servidor-p%C3%BAblico-1.995673. Acesso em: 28 nov. 2015

SAMPAIO JÚNIOR, P. A. "Jornadas de junho e revolução brasileira". Interesse Nacional, São Paulo, vol. 6, n° 23, p. 57-66, out.-dez. 2013.

SANTOS, B. S. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2006.

SANTOS, F. "Do protesto ao plebiscito: uma avaliação crítica da atual conjuntura brasileira". Novos Estudos, Cebrap, 96, jul. 2013a.

SANTOS, F. "Primavera Brasileira ou Outono Democrático?". Insight Inteligência, São Paulo, vol. 67, p. 33-38, out. 2013b.

SANTOS, W. G. "Anomia niilista". Valor Econômico, 2013a. Disponível em: http://www.valor.com.br/cultura/3211228/anomia-niilista. Acesso em: 19 jun. 2014.

SERODIO, G. "Brasil é 4o país mais desigual da América Latina e Caribe, diz ONU". Valor Econômico, 21/8/2012. Disponível em: . Acesso em: 10 jun. 2013.

SILVEIRA, S. A; PIMENTEL, T. "Cartografia de espaços híbridos: as manifestações de junho de 2013". (2013). Disponível em: http://interagentes.net/?p=62. Acesso em: 20 jun. 2014.

SINGER, A. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

SINGER, A. "Brasil, junho de 2013: classes e ideologias cruzadas". Novos Estudos, Cebrap, n° 97, p. 23-40, nov. 2013.

TARROW, S. O poder em movimento: movimentos sociais e confronto político. Trad. Ana Maria Sallum. Petrópolis: Vozes, 2009.

TAVARES, F. M. M. "As ruas e o fórum: a ciência política brasileira diante do ativismo e da participação social como formas de inclusão das vozes subalternas". Belo Horizonte: UFMG, 10 abr. 2015. Palestra ministrada no evento Postdoctoral Talks.

TILLY, C. Repression, mobilization and explanation. In: DAVENPORT C., et al. (eds.). Repression and mobilization. Minneapolis: University of Minesota Press, 2004.

Downloads

Publicado

2016-06-02

Como Citar

TAVARES, F. M. M.; RORIZ, J. H. R.; OLIVEIRA, I. C. As jornadas de maio em Goiânia: para além de uma visão sudestecêntrica do junho brasileiro em 2013. Opinião Pública, Campinas, SP, v. 22, n. 1, p. 140–166, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8646023. Acesso em: 2 dez. 2021.

Edição

Seção

Artigos