Razão e emoção: reações ao estado da economia e aprovação do governo federal

Autores

  • Pedro Santos Mundim Universidade Federal de Goiás
  • Wladimir Gramacho Universidade de Brasília
  • André Jácomo de Paula Pinto Universidade de Brasília

Palavras-chave:

Emoções. Inteligência afetiva. Avaliação de governo. Crise econômica. Dilma Rousseff.

Resumo

O artigo analisa os efeitos dos juízos cognitivos e das reações emocionais ao estado da economia brasileira e das finanças pessoais de entrevistados em dois surveys sobre a aprovação do governo federal. Com base na teoria da inteligência afetiva, o artigo mensura e compara a influência dessas duas perspectivas sobre a opinião pública brasileira em dois contextos distintos. Em novembro de 2014, a presidente Dilma Rousseff havia sido recém-reeleita e a percepção predominante sobre o estado da economia era satisfatória. Já em abril de 2015, o governo havia anunciado duras medidas de ajuste fiscal e aumento de preços públicos, alterando de modo relevante a opinião da sociedade brasileira sobre o contexto econômico. Nossos resultados confirmam a expectativa de que razão e emoção atuam de modo complementar na formação da opinião sobre o governo federal e que, em tempos de crise, a influência relativa das emoções é maior.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Pedro Santos Mundim, Universidade Federal de Goiás

Professor Adjunto de Ciência Política da Faculdade de Ciências Sociais e Coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência Política da UFG. Doutor em Ciência Política pelo IUPERJ (2010), Mestre em Comunicação Social pela UFMG (2004) e Bacharel em Jornalismo pela PUC-MG (2001). 

Wladimir Gramacho, Universidade de Brasília

Graduado em Comunicação/Jornalismo pela Universidade de Brasília (1994), mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (1999) e doutor em Ciência Politica pela Universidade de Salamanca (2007), sou desde 2014 professor adjunto da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília.

André Jácomo de Paula Pinto, Universidade de Brasília

Possui graduação e mestrado em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Atualmente é Gerente de Pesquisas de Opinião Pública do Instituto FSB Pesquisa e Professor Associado do Curso de Ciência Política do Centro Universitário UDF. Trabalhou como Analista de Pesquisas de Opinião na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Referências

ABELSON, R. P.,et al.“Affective and semantic components in political person perception”. Journal of Personality and Social Psychology, vol. 42, n° 4, p. 619-630, 1982.

BARTELS, L. M. “Messages received: the political impact of media exposure”. American Political Science Review, vol. 87, n° 2, p. 267-285, 1993.

BERLEMANN, M.; ENKELMANN, S. “The economic determinants of U.S. presidential approval: asurvey”. European Journal of Political Economy, vol. 36, p. 41-54, 2014.

BRADER, T. “Striking a responsive chord: how political ads motivate and persuade voters by appealing to emotions”. American Journal of Political Science, vol. 49, n° 2, p. 388-405, 2005.

CARLIN, R. E.; LOVE, G. J.; MARTÍNEZ-GALLARDO, C. “Cushioning the fall: scandals, economic conditions, and executive approval”. Political Behavior, vol. 37, p. 109-130, 2014.

CLARKE, H. D.; STEWART, M. C. “Prospections, retrospections, and rationality: the “bankers” model of presidential approval”. American Journal of Political Science, vol. 38, n° 4, p. 1.104-1.123, 1994.

CONOVER, P. J.; FELDMAN, S. “Emotional reactions to the economy: I’m mad as hell and I’m not going to take it anymore”. American Journal of Political Science, vol. 30, n° 1, p. 50-78, 1986.

DARNTON, R. Os best-sellers proibidos da França pré-revolucionária. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

DOWNS, A. Uma teoria econômica de democracia. São Paulo: Edusp, 1999.

EDLIN, A.; GELMAN, A.; KAPLAN, N. “Voting as a rational choice: why and how people vote to improve the well-being of others”. Rationality and Society, vol. 19, n° 3, p. 293-314, 2007.

ELSTER, J. Peças e engrenagens das ciências sociais. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994.

ELSTER, J. “Rationality and the emotions”. The Economic Journal, vol. 106, n° 438, p. 1.386-1.397, 1996.

ERIKSON, R. S.; MACKUEN, M.; STIMSON, J. A. “Bankers or peasants revisited: economic expectations and presidential approval”. Electoral Studies, vol. 19, n° 2-3, p. 295-312, 2000.

FELDMAN, S. “Economic self-interest and political behavior”. American Journal of Political Science, vol. 26, n° 3, p. 446-466, 1982.

FIORINA, M. P. Retrospective voting in American nacional elections. New Haven; London: Yale University Press, 1981.

FIORINA, M. P.; SHEPSLE, K. A. “Is negative voting an artifact?”.American Journal of Political Science, vol. 33, n° 2, p. 423-443, 1989.

GRAMACHO, W. "A pesquisa governamental de opinião pública: razões, limites e a experiência recente no Brasil". Revista do Serviço Público, vol. 65, nº 1, p. 49-64, 2014.

HIBBS, D. A. The American political economy. Cambridge: Harvard University Press, 1987.

ISBELL, L. M.; OTTATI, V. C.; BURNS, K. C. Affect and politics: effects on judgment, processing, and information seeking. In: REDLAWSK, D. P. (org.). Feeling politics: emotion in political information processing. New York: Palgrave Macmillan, p. 57-86, 2006.

KAHNEMAN, D. Thinking, fast and slow. New York: FSG Books, 2011.

KAHNEMAN, D.; TVERSKY, A. “Prospect theory: an analysis of decision under risk”. Econometrica, vol. 47, n° 2, p. 263-292, 1979.

KIEWIET, D. R. “Policy-oriented voting in response to economic issues”. American Political Science Review, vol. 75, n° 2, p. 448-459, 1981.

KIEWIET, D. R. Macroeconomics and micropolitics: the electoral effects of economic issues. Chicago andLondon: The University of Chicago Press, 1983.

KINDER, D. R. “Presidents, prosperity, and public opinion”. Public Opinion Quarterly, vol. 45, p. 1-21, 1981.

KING, G. “How not to lie with statistics: avoiding common mistakes in quantitative political science”. American Journal of Political Science, vol. 30, p. 666-687, 1986.

LAU, R. R. “Negativity in political perception”. Political Behavior, vol. 4, n° 4, p. 353-377, 1982.

LAVAREDA, A. Emoções ocultas e estratégias eleitorais. São Paulo: Objetiva, 2009.

LAZARSFELD, P. F.; BERELSON, B.; GAUDET, H. The people’s choice: how the voter makes up his mind in a presidential election. 6ª ed. New York: Columbia University Press, 1948.

LEWIS-BECK, M. S.; MARTINI, N. F.; KIEWIET, D. R. "The nature of economic perceptions in mass publics". Electoral Studies, vol. 32, n° 3, p. 524-528, 2013.

LEWIS-BECK, M. S.; STEGMAIER, M. "The VP-function revisited: a survey of the literature on vote and popularity functions after over 40 years". Public Choice, vol. 157, n° 3, p. 367-385, 2013.

LODGE, M.; STEENBERGEN, M. R.; BRAU, S. “The responsive voter: campaign information and the dynamics of candidate evaluation”. American Political Science Review, vol. 89, n° 2, p. 309-236, jun. 1995.

MACKUEN, M.; ERIKSON, R. S.; STIMSON, J. A. “Peasants or Bankers? The American electorate and the U.S. economy”. The Amerincan Political Science Review, vol. 86, n° 3, p. 597-611, 1992.

MACKUEN, M., et al. The third way: the theory of affective intelligence and American democracy. In: NEUMAN, W. R., et al. (orgs.). The affect effect: dynamics of emotion in political thinking and behavior. Chicago: The University of Chicago Press, p. 124-151, 2007.

MARCUS, G. E. The sentimental citizen: emotion in democratic politics. University Park: The Pennsylvania State University Press, 2002.

MARCUS, G. E.,et al.The measure and mismeasure of emotion. In: REDLAWSK, D. P. (org.). Feeling politics: emotion in political information processing. New York: Palgrave Macmilla, p. 31-45, 2006.

MARCUS, G. E.; MACKUEN, M. “Anxiety, enthusiasm, and the vote: the emotional underpinnings of learning and involvement during presidential campaigns”. American Political Science Review, vol. 87, n° 3, p. 672-685, 1993.

MARCUS, G. E.; NEUMAN, W. R.; MACKUEN, M. Affect intelligence and political judgment. Chicago: The University of Chicago Press, 2000.

NADEAU, R.; LEWIS-BECK, M. S.; BÉLANGER, E. “Economics and elections revisited”. Comparative Political Studies, vol. 46, n° 5, p. 551-573, 2012.

NANNESTAD, P.; PALDAM, M. “The VP-function: a survey of the literature on vote and popularity functions after 25 years”. Public Choice, vol. 79, n° 3-4, p. 213-245, 1994.

OTTATI, V. C.; WYERJR., R. S. Affect and political judgement. In: IYENGAR, S.; MCGUIRE, W. J. (orgs.). Explorations in political psychology. Durham and London: Duke University Press, p. 297-315, 1993.

PIMENTEL JÚNIOR, J. “Razão e emoção no voto: o caso da eleição presidencial de 2006”. Dissertação de Mestrado, Departamento de Ciência Política, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007.

PIMENTEL JÚNIOR, J. “Razão e emoção: o voto na eleição presidencial de 2006”. Opinião Pública, vol. 16, n° 2, p. 516-541, 2010.

POPKIN, S. L. The reasoning voter: communication and persuasion in presidential elections. 2ª ed. Chicago and London: The University of Chicago Press, 1991.

POPKIN, S. L. Information shortcuts and the reasoning voter. In: GROFMAN, B. (org.). Information, participation and choice: an economic theory of democracy in perspective. Ann Arbor: The University of Michigan Press, p. 17-35, 1993.

TVERSKY, A.; KAHNEMAN, D. “Judgment under uncertainty: heuristics and biases”. Science, vol. 185, n° 4.157, p. 1.124-1.131, 1974.

VEIGA, L.; ROSS, S. D. “Os determinantes da avaliação da economia na eleição presidencial brasileira em 2014”. Opinião Pública, vol. 22, n° 3, p. 524-549, 2016.

ZAJONC, R. "Feeling and thinking: preferences need no inferences". The American Psychologist, vol. 35, n° 2, p. 151-175, 1980.

Downloads

Publicado

2018-04-23

Como Citar

MUNDIM, P. S.; GRAMACHO, W.; PINTO, A. J. de P. Razão e emoção: reações ao estado da economia e aprovação do governo federal. Opinião Pública, Campinas, SP, v. 24, n. 1, p. 90–113, 2018. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8652280. Acesso em: 2 dez. 2021.

Edição

Seção

Artigos