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Razão e emoção: reações ao estado da economia e aprovação do governo federal
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Palavras-chave

Emoções. Inteligência afetiva. Avaliação de governo. Crise econômica. Dilma Rousseff.

Como Citar

Mundim, P. S., Gramacho, W., & Pinto, A. J. de P. (2018). Razão e emoção: reações ao estado da economia e aprovação do governo federal. Opinião Pública, 24(1), 90–113. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8652280

Resumo

O artigo analisa os efeitos dos juízos cognitivos e das reações emocionais ao estado da economia brasileira e das finanças pessoais de entrevistados em dois surveys sobre a aprovação do governo federal. Com base na teoria da inteligência afetiva, o artigo mensura e compara a influência dessas duas perspectivas sobre a opinião pública brasileira em dois contextos distintos. Em novembro de 2014, a presidente Dilma Rousseff havia sido recém-reeleita e a percepção predominante sobre o estado da economia era satisfatória. Já em abril de 2015, o governo havia anunciado duras medidas de ajuste fiscal e aumento de preços públicos, alterando de modo relevante a opinião da sociedade brasileira sobre o contexto econômico. Nossos resultados confirmam a expectativa de que razão e emoção atuam de modo complementar na formação da opinião sobre o governo federal e que, em tempos de crise, a influência relativa das emoções é maior.

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