Padrões de votação no tempo e no espaço

classificando as eleições presidenciais brasileiras

Autores

Palavras-chave:

Eleições presidenciais, Eleições críticas, Realinhamento, Comportamento eleitoral, Brasil

Resumo

Em 2018, o Brasil realizou seu oitavo pleito presidencial pós-redemocratização, acumulando evidências empíricas cruciais para a análise das características dos processos eleitorais que podem ser responsáveis por mudanças substanciais na distribuição do poder entre os partidos políticos. A partir de base conceitual alicerçada em literatura internacional sobre eleições críticas, este artigo visa criar uma classificação para as eleições brasileiras. Como subsídio principal para essa classificação, é analisado simultaneamente, no tempo e no espaço, por meio da análise fatorial, o desempenho eleitoral dos primeiros colocados nas eleições presidenciais desde 1989 até 2018 em primeiro turno na escala das microrregiões brasileiras, buscando identificar as regiões de apoio duradouro e os períodos de estabilidade e mudança nos padrões de votação. Como resultado, as eleições presidenciais são classificadas em três tipos: mantidas, desviantes e convertidas (críticas).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria do Socorro Braga, Universidade Federal de São Carlos

Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Ciências Sociais. São Carlos (SP), Brasil.

Aleksei Zolnerkevic, Universidade de São Paulo

Universidade de São Paulo, Departamento de Geografia. São Paulo (SP), Brasil.

Referências

ARCHER, J. C.; TAYLOR, P. J. Section and party: a political geography of American presidential elections, from Andrew Jackson to Ronald Reagan. Chichester: Wiley, 1981.

BARTOLINI, S.; MAIR, P. Identity, competition and electoral availability: the stabilization of European electorates, 1885-1985. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

BLONDEL, J. The discipline of politics. London & Boston: Butterworths, 1981.

BOHN, S. R. "Social policy and vote in Brazil: Bolsa Família and the shifts in Lula's electoral base". Latin American Research Review, vol. 46, nº 1, p. 54-69, 2011.

CAMPBELL, A. A classification of elections. In: CAMPBELL, A., et al. (eds.). Elections and the political order. New York: Wiley, 1966.

CAMPBELL, A., et al. The American voter. New York: Wiley, 1960.

CARAMANI, D. The dynamic perspective: state formation and mass democratization. In: CARAMANI, D. The nationalization of politics: Cambridge studies in comparative politics. Cambridge: Cambridge University Press, p. 195-250, 2004.

CARREIRÃO, Y. S. "Identificação ideológica e voto para presidente". Opinião Pública, Campinas, vol. 8, nº 1, p. 54-7, 2002.

________. "Identificação ideológica, partidos e voto na eleição presidencial de 2006". Opinião Pública, Campinas, vol. 13, nº 2, p. 307-339, 2007.

CARRERAS, M.; MORGENSTERN, S.; SU, Y. "Refining the theory of partisan alignments: evidence from Latin America". Party Politics, vol. 21, nº 5, p. 671-685, 2013.

CONVERSE, P. E. The concept of a normal vote. In: CAMPBELL, A., et al. (eds.). Elections and the political order. New York: Wiley, 1966.

DALTON, R. J.; MCALLISTER, I.; WATTENBERG, M. P. The consequences of partisan dealignment. In: DALTON, R. J.; WATTENBERG, M. P. (eds.). Parties without partisans: political change in advanced industrial democracies. Oxford: Oxford University Press, p. 37-63, 2000.

________. "Democracia e identificação partidária nas sociedades industriais avançadas". Análise Social, vol. 38, nº 167, p. 295-320, 2003.

DALTON, R. J.; SCOTT, C. F.; BECK, P. (eds.). Electoral change: realignment and dealigment in advanced industrial democracies. Princeton: Princeton University Press, 1984.

FIGUEIREDO, A. C., et al. “Partidos e distribuição espacial dos votos na cidade de São Paulo (1994-2000)”. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, nº 64, p. 153-176, 2002.

FIGUEIREDO FILHO, D. B.; SILVA JUNIOR, J. A. "Visão além do alcance: uma introdução à análise fatorial". Opinião Pública, Campinas, vol. 16, nº 1, p. 160-185, 2010.

GALLAGHER, M.; LAVER, M.; MAIR, P. Cleavage structures and electoral change. In: GALLAGHER, M.; LAVER, M.; MAIR, P. Representative government in modern Europe. New York: McGraw-Hill Higher Education, p. 278-325, 2011.

HUNTER, W.; POWER, T. Recompensando Lula: Poder Executivo, política social e as eleições brasileiras de 2006. In: MELO, C. R.; MANUEL A. S. (orgs.). A democracia brasileira: balanço e perspectivas para o século 21. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.

INGLEHART, R.; NORRIS, P. “Trump, Brexit, and the rise of populism: economic have-nots and cultural backlash”. In: American Political Science Association Annual Meeting, Philadelphia, 2016.

JACOB, C. R., et al. “A eleição presidencial de 2006 no Brasil: continuidade política e mudança na geografia eleitoral”. Revista Alceu, vol. 10, nº 9, p. 232-261, 2009.

JOHNSTON, R., et al. "Was the 2016 United States’ presidential contest a deviating election? Continuity and change in the electoral map – or “Plus ça change, plus c’est la mème géographie”. Journal of Elections, Public Opinion and Parties, vol. 27, nº 4, p. 369-388, 2017.

KEY, V. O. "A theory of critical elections". The Journal of Politics, vol. 17, nº 1, p. 3-8, 1955.

________. "Secular realignment and the party system". The Journal of Politics, vol. 21, nº 2, p. 198-210, 1959.

KNUCKEY, J. "Classification of presidential elections: an update". Polity, vol. 31, nº 4, p. 639-653, 1999.

LIMONGI, F.; GUARNIERI, F. "A base e os partidos: as eleições presidenciais no Brasil pós-redemocratização". Novos Estudos – Cebrap, São Paulo, nº 99, p. 5-24, 2014.

LIPSET, S. M.; ROKKAN, S. Cleavage structures, party systems, and voter alignments. In: MAIR, P. The West European party system. Oxford: Oxford University Press, 1990.

LÖWY, M. "Conservadorismo e extrema-direita na Europa e no Brasil". Serviço Social e Sociedade, São Paulo, nº 124, p. 652-664, 2015.

MAGALHÃES, A. M.; SILVA, M. E. A.; DIAS, F. M. "Eleição de Dilma ou segunda reeleição de Lula? Uma análise espacial do pleito de 2010". Opinião Pública, Campinas, vol. 21, nº 3, p. 535-573, 2015.

MARZAGÃO, T. "A dimensão geográfica das eleições brasileiras". Opinião Pública, Campinas, vol. 19, nº 2, p. 270-290, 2013.

MAYHEW, D. R. Electoral realignments: a critique of an American genre. New Haven, CT: Yale University Press, 2002.

MELO, M. A. “Lulismo ou ‘qualunquismo’”? Valor Econômico, 15 jan. 2014.
Disponível em: <https://qualidadedademocracia.com.br/lulismo-ou-qualunquismo-d8cea335e496>. Acesso em: out. 2019.

NICOLAU, J.; PEIXOTO, V. As bases municipais da votação de Lula em 2006. In: REIS VELLOSO, J. P. (coord.). Quem elegeu Lula? Cadernos do Fórum Nacional, nº 19866, 2007.

NORRIS, P. "A tese da ‘nova clivagem’ e a base social do apoio à direita radical". Opinião Pública, vol. 11, nº 1, p. 1-32, 2005.

PEDERSEN, M. N. "The dynamics of European party systems: changing patterns of electoral volatility". European Journal of Political Research, vol. 7, nº 1, p. 1-26, 1979.

POMPER, G. "Classification of presidential elections". The Journal of Politics, vol. 29, nº 3, p. 535-566, 1967.

RENNÓ, L. "Escândalos e voto: as eleições presidenciais brasileiras de 2006". Opinião Pública, vol. 13, nº 2, p. 260-282, 2007.

RIBEIRO, E.; CARREIRÃO, Y.; BORBA, J. "Sentimentos partidários e atitudes políticas entre os brasileiros". Opinião Pública, vol. 17, n° 2, p. 333-368, 2011.

________. "Sentimentos partidários e antipetismo: condicionantes e covariantes". Opinião Pública, Campinas, vol. 22, nº 3, p. 603-637, 2016.

SALLUM JR., B. "Governo Collor: o reformismo liberal e a nova orientação da política externa brasileira". Dados – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 54, nº 2, p. 259-288, 2011.

SAMUELS, D. J.; ZUCCO, C. "The power of partisanship in Brazil: evidence from survey experiments". American Journal of Political Science, vol. 58, nº 1 p. 212-225, 2014.

________. Partisans, antipartisans, and nonpartisans: voting behavior in Brazil. Cambridge: Cambridge University Press, 2018.

SCHATTSCHNEIDER, E. E. The semisovereign people: a realist's view of democracy in America. Boston: Wadsworth, 1975.

SHELLEY, F. M., et al. Political geography of the United States. New York: The Guilford Press, 1996.

SIMONI JR., S. "Política distributiva e competição presidencial no Brasil: Programa Bolsa-Familia e a tese do realinhamento eleitoral". Tese de Doutorado, Departamento de Ciência Política, USP, São Paulo, 2017.

SINGER, A. "O lulismo e seu futuro". Revista Piauí, nº 49, 2010. Disponível em: <https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-lulismo-e-seu-futuro/>. Acesso em: nov. 2019.

SOARES, G. A. D.; TERRON, S. L. "Dois Lulas: a geografia eleitoral da reeleição (explorando conceitos, métodos e técnicas de análise geoespacial)". Opinião Pública, Campinas, vol. 14, nº 2, p. 269-301, 2008.

SUNDQUIST, J. L. Dynamics of the party system, alignment and realignment of political parties in the United States. Revised Edition. Washington, DC: Brookings Institution, 1983.

TERRON, S. L.; SOARES, G. A. D. "As bases eleitorais de Lula e do PT: do distanciamento ao divórcio". Opinião Pública, Campinas, vol. 16, nº 2, p. 310-337, 2010.

ZUCCO, C. "The president’s ‘new’ constituency: Lula and the pragmatic vote in Brazil’s 2006 presidential elections". Journal of Latin American Studies, vol. 40, nº 1, p. 29-49, 2008.

Downloads

Publicado

2020-05-07

Como Citar

Braga, M. do S. ., & Zolnerkevic, A. . (2020). Padrões de votação no tempo e no espaço: classificando as eleições presidenciais brasileiras. Opinião Pública, 26(1), 1–33. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8659514

Edição

Seção

Artigos