Questionando a tese da cartelização

o financiamento das organizações partidárias no Brasil (1998-2016)

Autores

Palavras-chave:

Financiamento partidário, Cartelização, Filiação partidária, Fundo partidário, Financiamento privado

Resumo

O artigo analisa o financiamento das organizações partidárias no Brasil, no período de 1998 a 2016. Recorrendo a técnicas de estatística descritiva, tratamos do papel dos recursos públicos, das doações de empresas privadas, das contribuições dos filiados e dos parlamentares. Questionamos a aplicabilidade da tese da cartelização dos partidos ao caso brasileiro, mostrando que o modelo de distribuição dos recursos públicos promove a fragmentação, não a cartelização, do sistema partidário. Constatamos que o setor privado não mantém vínculos orgânicos com partidos que representam seus interesses, mas age de forma pragmática. Concentra as doações nos partidos que disputam as eleições para presidente, com ampla vantagem para o partido que ocupa a Presidência. Nem os filiados nem os parlamentares contribuem significativamente para o orçamento dos partidos no Brasil.

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Biografia do Autor

Bruno Wilhelm Speck, Universidade de São Paulo

Doutorado em Pós Graduação Ciência Política pela Universität Freiburg, UNI FREIBURG, Alemanha. Professor no Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo.

Mauro Macedo Campos, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor e pesquisador associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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Publicado

2022-03-25

Como Citar

Speck, B. W. ., & Campos, M. M. . (2022). Questionando a tese da cartelização: o financiamento das organizações partidárias no Brasil (1998-2016). Opinião Pública, 27(3), 923–959. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8668740

Edição

Seção

Artigos