Do Leme a Santa Cruz

a territorialização eleitoral de Jair Bolsonaro no município do Rio de Janeiro

Autores

Palavras-chave:

Geografia eleitoral, Espacialização do voto, Comportamento político, Indicadores sociais, Jair Bolsonaro

Resumo

O objetivo do artigo é compreender como os indicadores sociais territorializados podem dar pistas sobre a ampliação da base eleitoral de Jair Bolsonaro em sua carreira como parlamentar e, posteriormente, como presidenciável, observando rupturas e continuidades nessa trajetória. O método utilizado será uma correlação entre o Índice de Desenvolvimento Social da cidade do Rio de Janeiro e o desempenho eleitoral espacializado do então candidato nas eleições de 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018. Nesse esforço, esperamos oferecer insumos àqueles que se debruçam sobre os seguintes questionamentos: qual o perfil do eleitor de Jair Bolsonaro ao longo de sua trajetória parlamentar? Houve mudanças nesse perfil? Como se deu a ampliação de suas bases eleitorais no processo de construção de sua candidatura à presidência da República?

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mayra Goulart Silva, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Doutorado em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos. Professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

 

Paula Frias dos Santos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Mestrado em Ciência Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Luan Sudário da Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Graduação em andamento em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Referências

ABREU, M. Evolução urbana no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.

ALKMIM, A. C. De Brizola a Cabral. De Collor a Dilma: a geografia do voto no Rio de Janeiro de 1982 a 2010. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2014.

ALONSO, A. A comunidade moral bolsonarista. In: ABRANCHES, S., et al. Democracia em risco? 22 ensaios sobre o Brasil hoje. São Paulo: Companhia das Letras, p. 41-56, 2019.

ALVES, J. C. S. Milícias: mudança na economia política do crime no Rio de Janeiro. In: Justiça Global (org.). Segurança, tráfico e milícias no Rio de Janeiro. 1ª ed. Rio de Janeiro: Justiça Global e Fundação Heinrich Böll, p. 33-36, 2008.

AMARAL, O. E. “The victory of Jair Bolsonaro according to the Brazilian Electoral Study of 2018”. Brazilian Political Science Review, vol. 14, nº 1, 2020.

AVELINO, G.; BIDERMAN, C; SILVA, G. P. “A concentração eleitoral no Brasil (1994-2014)”. Dados, vol. 59, nº 4, p. 1.091-1.125, 2016.

BORGES, A.; VIDIGAL, R. “Do lulismo ao antipetismo? Polarização, partidarismo e voto nas eleições presidenciais brasileiras”. Opinião Pública, vol. 24, n° 1, p. 53-89, 2018.

BRAGA, M. S. S.; PIMENTEL, J. “Os partidos políticos brasileiros realmente não importam?”. Opinião Pública, vol. 17, nº 2, p. 271-303, 2011.

BRASILEIRO, A. M. Região Metropolitana do Grande Rio: serviço de interesse comum. Brasília: Ipea/IplanRio, 1985.

CABELLO, A.; RENNÓ, L. “As bases do lulismo: a volta do personalismo, realinhamento ideológico ou não alinhamento?”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 25, nº 74, p. 39-60, 2010.

CAMPBELL, A., et al. The American voter. New York: John Wiley, 1960.

CARRARO, A., et al. “'It is the economy, companheiro!': uma análise empírica da reeleição de Lula com base em dados municipais”. In: Anais do Encontro de Economia da Região Sul, 10, Porto Alegre, 2007.

CARREIRÃO, Y. S.; BARBETTA, P. A. “A eleição presidencial de 2002: a decisão do voto na região da grande São Paulo”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 19, nº 56, p. 75-93, 2004.

CARVALHO, N. R. “Geografia política das eleições congressuais: a dinâmica de representação das áreas urbanas e metropolitanas no Brasil”. Cadernos Metrópole, vol. 11, nº 22, p. 367-384, 2009.

CAVALLIERI, F.; LOPES, G. P. “Índice de Desenvolvimento Social – IDS: comparando as realidades microurbanas da cidade do Rio de Janeiro”. Coleção Estudos Cariocas, vol. 8, nº 20080401, 2008.

CERVI, E. U. Manual de métodos quantitativos para iniciantes em ciência política, vol. 2. Curitiba: CPOP–UFPR, 2019.

CERVI, E. U.; BORBA, F. “Os diretórios partidários municipais e o perfil sociodemográfico dos seus membros”. Revista Brasileira de Ciência Política, nº 28, p. 65-92, 2019.

CLARK, J.; JONES, A. “The great implications of spatialisation: grounds for closer engagement between political geography and political science?”. Geoforum, vol. 45, p. 305-314, 2013.

CORTEZ, R.; LIMONGI, F. “As eleições de 2010 e o quadro partidário”. Novos Estudos Cebrap, vol. 88, p. 21-37, 2011.

COUTO, C. G. “Novas eleições críticas?”. Em Debate, vol. 6, p. 17-24, 2014.

DAVIES. F. A. “Urbanismo militar na 'região olímpica': dinâmicas de produção do espaço para além dos megaeventos”. Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, vol. 22, 2020. Disponível em: http://www.valor.com.br/politica/3395814/lulismo-ou-qualunquismo. Acesso em: 5 mar. 2020.

DIAS, J. L. M. “O jogo e os jogadores: legislação eleitoral e padrões de competição política”. Dissertação de Mestrado em Ciência Política, Iuperj. Rio de Janeiro, 1991.

DOUGHERTY, M. “Auto-retratos da classe média: hierarquias de 'cultura' e consumo em São Paulo”. Dados, vol. 41, n° 2, p. 411-444, 1998.

ETHINGTON, P. J.; MCDANIEL, J. A. “Political places and institutional spaces: the intersection of political science and political geography”. Annual Review of Political Science, vol. 10, p. 127-142, 2007.

FAUSTO, R. Depois do temporal. In: ABRANCHES, S., et al. Democracia em risco? 22 ensaios sobre o Brasil hoje. São Paulo: Companhia das Letras, p. 116-129, 2019.

FIORINA, M. P. Retrospective voting in American national elections. Yale: Yale University Press, 1981.

FLEISCHER, D. V. “Concentração e dispersão eleitoral: um estudo da distribuição geográfica do voto em Minas Gerais, 1966-1974”. Revista Brasileira de Estudos Políticos, n° 43, 1976.

GRACINO, P.; GOULART, M.; FRIAS, P. “'Os humilhados serão exaltados': ressentimento e adesão evangélica ao bolsonarismo”. Cadernos Metrópole, vol. 23, p. 547-580, 2021.

HILL, S. J.; TAUSANOVITCH, C. “A disconnect in representation? Comparison of trends in congressional and public polarization”. The Journal of Politics, vol. 77, n° 4, p. 1.058-1.075, 2015.

HINKLE, W. Applied statistics for the behavioral sciences. 5ª ed. Boston: Houghton Mifflin, 2003.

HUNTER, W.; POWER, T. “Bolsonaro and Brazil's illiberal backlash”. Journal of Democracy, vol. 30, nº 1, p. 68-82, 2019.

KALIL, I. O. Quem são e no que acreditam os eleitores de Jair Bolsonaro. São Paulo: Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, 2018.

KINZO, M. D. G. “Partidos, eleições e democracia no Brasil pós-1985”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 19, p. 23-40, 2004.

LIMONGI, F.; CORTEZ, R. “As eleições de 2010 e o quadro partidário”. Novos Estudos Cebrap, nº 88, p. 21-37, 2010.

LIPSET, S. M. Political man. New York: Dobleday, 1959.

LUCAS, J. F.; RIBEIRO, A.; TERRON, S. L. “Há padrões espaciais de representatividade na Câmara Municipal do Rio de Janeiro? Análise dos territórios eleitorais dos eleitos em 2008”. Teoria e Pesquisa, vol. 21, nº 1, p. 28-47, 2012.

MEIRELES, F.; SILVA, D.; COSTA, B. ElectionsBR: R functions to download and clean Brazilian electoral data, 2016. Disponível em: http://electionsbr.com/.2016. Acesso em: 5 ago. 2020.

MELO, C. R.; CÂMARA, R. “Estrutura da competição pela presidência e consolidação do sistema partidário no Brasil”. Dados, vol. 55, nº 1, p. 71-117, 2012.

MELO, M. A. Lulismo ou “qualunquismo”. Valor Econômico, 15 jan. 2014.

MISHLER, W.; HAERPFER, C.; ROSE, R. “Democracy and its alternatives: understanding post-communist societies”. The Johns Hopkins University Press, Baltimore, 1998.

NICOLAU, J.; PEIXOTO, V. “Uma disputa em três tempos: uma análise das bases municipais das eleições presidenciais de 2006”. In: Anais do Encontro Anual da Anpocs, Caxambu, vol. 31, p. 22-26, 2007.

NICOLAU, J.; TERRON, S. “Uma cidade partida? As eleições para prefeito do Rio de Janeiro em 2008”. In: Anais do 8º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, Gramado, 2012.

PEIXOTO, V.; RENNÓ, L. “Mobilidade social ascendente e voto: as eleições presidenciais de 2010 no Brasil”. Opinião Pública, vol. 17, nº 2, p. 304-332, 2011.

PINHEIRO-MACHADO, R.; SCALCO, L. M. “Da esperança ao ódio: juventude, política e pobreza do lulismo ao bolsonarismo”. Cadernos IHU Ideias, vol. 16, nº 278, p. 3-15, 2018.

POWER, T. J.; RODRIGUES-SILVEIRA, R. The political right and party politics. In: AMES, B. (ed.). Routledge Handbook of Brazilian politics. London: Routledge, p. 251-268, 2018.

RENNÓ, L. R. “Escândalos e voto: as eleições presidenciais brasileiras de 2006”. Opinião Pública, vol. 13, nº 2, p. 260-282, 2007.

RENNÓ, L. R.; CABELLO, A. “As bases do lulismo: a volta do personalismo, realinhamento ideológico ou não alinhamento?”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 25, p. 39-60, 2010.

RODRIGUES, T. C. M. O Rio que queremos: propostas para uma cidade inclusiva, vol. 1. 1ª ed. Rio de Janeiro: Núcleo Piratininga de Comunicação, 2016.

RODRIGUES, T. C. M. “Realinhamentos partidários no estado do Rio de Janeiro (1982-2018)”. Política & Sociedade, vol. 19, n° 46, p. 332–356, 2020.

ROSE, R.; MISHLER, W. “Negative and positive party identification in post-communist countries”. Electoral Studies, vol. 17, nº 2, p. 217-234, 1998.

SALATA, A. R. “Quem é classe média no Brasil? Um estudo sobre identidades de classe”. Dados, vol. 58, n° 1, p. 111-149, 2015.

SAMUELS, D.; ZUCCO, C. Partisans, anti-partisans, and voter behavior. In: AMES, B. (ed.). Routledge Handbook of Brazilian politics. London: Routledge, p. 269-290, 2018.

SANTOS, S. M.; NORONHA, C. P. “Padrões espaciais de mortalidade e diferenciais sócio-econômicos na cidade do Rio de Janeiro”. Cadernos de Saúde Pública, vol. 17, p. 1.099-1.110, 2001.

SCALON, C.; SALATA, A. “Uma nova classe média no Brasil da última década? O debate a partir da perspectiva sociológica”. Sociedade e Estado, vol. 27, n° 2, p. 387-407, 2012.

SILVA, M. G. Da diferença à equivalência: hipóteses laclaunianas sobre a trajetória legislativa de Jair Bolsonaro, 2022 (no prelo).

SINGER, A. “Raízes sociais e ideológicas do lulismo”. Novos estudos Cebrap, vol. 85, p. 83-102, 2009.

SINGER, A. “A segunda alma do Partido dos Trabalhadores”. Novos Estudos Cebrap, vol. 88, nov. 2010.

SINGER, A. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

SOLANO, E. “Crise da democracia e extremismos de direita”. Análise Friedrich Ebert Stiftung, vol. 42, nº 1, p. 1-27, 2018.

TERRON, S. “Geografia eleitoral em foco”. Em Debate, vol. 4, nº 2, p. 8-18, 2012.

TERRON, S.; RIBEIRO, A.; LUCAS, J. F. “Há padrões espaciais de representatividade na Câmara Municipal do Rio de Janeiro? Análise dos territórios eleitorais dos eleitos em 2008”. Teoria & Pesquisa: Revista de Ciência Política, vol. 21, nº 1, p. 28-47, 2012.

WANIEZ, P., et al. A geografia do voto nas eleições para prefeito e presidente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo: 1996-2010. Rio de Janeiro: Vozes, 2012.

WEAVER, R. “Contextual influences on political behavior in cities: toward urban electoral geography”. Geography Compass, vol. 8, nº 12, p. 874-89, 2014.

Downloads

Publicado

2022-05-10

Como Citar

Silva, M. G. ., Santos, P. F. dos ., & Silva, L. S. da . (2022). Do Leme a Santa Cruz: a territorialização eleitoral de Jair Bolsonaro no município do Rio de Janeiro. Opinião Pública, 28(1), 92–125. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8669214

Edição

Seção

Artigos