Chorar, verbo transitivo

Autores

  • Maria José Somerlate Barbosa University of Iowa

Palavras-chave:

Choro. Masculinidade. Virilidade. Perfis masculinos

Resumo

Resumo

 

Este estudo analisa o choro e/ou a ausência dele como um dos parâmetros usados, especialmente nos séculos XIX e XX, para se definir masculinidade e virilidade. Examina também os discursos das emoções fortes (fúria, medo, dor, vergonha) e as mudanças de código do significado de masculinidade e virilidade que ocorreram a partir dos anos 60, fomentadas, em parte, pelos movimentos de contra-cultura. Utiliza vários textos (o filme “A intrusa”, algumas passagens de Grande sertão: veredas, o Canto V de Os lusíadas e várias letras do cancioneiro popular brasileiro) como exemplos da desconstrução da masculinidade e da virilidade e das discussões teóricas apresentadas ao longo deste trabalho.

 

Abstract

 

This study analyzes the act of crying/not crying as one of the parameters used, especially in the 19th and 20th centuries, to define masculinity and virility. It also examines the discourses of strong emotions (fury, fear, pain, shame) and the changes in the codes used to define masculinity and virility that have occurred since the 1960s, in part because of counter-culture discourses. This work also utilizes several texts (the film, A intrusa, some passages of Grande sertão: veredas, Chant V of The Lusiads, and several lyrics selected from Brazilian popular songs) which exemplify the deconstruction of masculinity and virility and the theoretical discussions presented throughout this study.

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Biografia do Autor

Maria José Somerlate Barbosa, University of Iowa

Doutorado em Romance Languages pela University of North Carolina - Multi-Campus University(1990). Tem experiência na área de Letras.

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Publicado

2013-01-01

Como Citar

Barbosa, M. J. S. (2013). Chorar, verbo transitivo. Cadernos Pagu, (11), 321–343. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8634637