A figura do poder na fedra senequiana

Autores

  • Joaquim Brasil Fontes Universidade Estadual de Campinas

Palavras-chave:

Sêneca. Fedra. Retórica. Poder

Resumo

Resumo

 

Habituamo-nos a ver o teatro senequiano como exercícios livrescos, impregnados de retórica e destinados à “sala de recitações”. Antonin Artaud, entretanto, descobriu nessa dramaturgia a presença de “um iniciado nos Segredos e que, mais do que Ésquilo, soube faze-los palavra”. É a partir dessa intuição que tentamos entrar no teatro do grande latino, procurando o núcleo lexical, estilístico, retórico que o sustenta: ele parece encontrar-se numa oposição de forças, entre as quais não há síntese possível, o que dá à tragédia senequiana o aspecto de uma dialética travada, aparentemente imóvel, e progredindo por meio de explosões súbitas.

 

Abstract

 

We often see Seneca’s theatre as mere literay exercises, saturated of rhetoric and destined only for declamation. Antonin Artaud, however, discovered in this dramaturgy the presence of an initiated in the Mysteries, and who, more than Aeschylus, knew how to transform them into words. From this intuition we try to enter Seneca’s theatre looking for its stylistical, lexical and rhetorical nucleus: this seems to be an opposition of forces between which there is no possible synthesis, which gives Seneca’s tragedy the form of a blocked dialetics, apparently motionless and progressing through abrupt explosions.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Joaquim Brasil Fontes, Universidade Estadual de Campinas

Graduação e licenciatura em Letras [Francês/Português] pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1972), graduação e licenciatura em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1969), mestrado em Letras Modernas - Université de Besançon (1973) e doutorado em Letras Modernas - Université de Besançon (1977). Seguiu cursos, no quadro de um pós-doutorado, no Collège de France, Paris (1978-79) e École des Hautes Études, Paris (1978-79). Defendeu tese de Livre Docência, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sobre a lírica de Safo de Lesbos (1989). É atualmente professor-titular colaborador da Universidade Estadual de Campinas e coordenador do GEISH (Grupo de Estudo Interdisciplinar em Sexualidade Humana) da Unicamp, no âmbito do qual desenvolve pesquisas sobre erotismo e sexualidade, no horizonte das literaturas clássicas e modernas. Atua também nos Grupos: Poesia da Idade Imperial Romana (Unicamp) e Diversidade em Educação. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Literatura e Ensino, e atua nas áreas de Literatura Comparada, Literaturas Clássicas (Grega e Latina) e Francesa (séculos XVII, XVIII e XIX), voltando-se particularmente para questões ligadas a narrativa, poesia e teatro, bem como ensino de literatura e leitura.

Referências

ACHCAR, Francisco. Genealogia do Carpe Diem: Imagens do Efêmero de Homero a Catulo. In: Lírica e Lugar-Comum. São Paulo, Edusp, 1994.

ARTAUD, Antonin. Carta a Jean Paulhan. In: Oeuvres Complètes, Paris, Gallimard, s/d, p.335.

BARTHES, Roland. S/Z. Paris, Seuil, 1970, pp.48-49

BAYET, Jean. La religion romaine. Paris, Payot, 1969, pg.129.

CANETTI, Elias, in Massa e Poder, Brasília/ed. Universidade de Brasília/Melhoramentos, 1983.

CURTIUS, E.R. La topique, Héros et souverains. In: La Littérature Européenne et le Moyen Âge latin, Paris, P.U.F., 1986.

DEELEUZE, Gilles. Klossovski ou os corpos-linguagem. In: Lógica do sentido, São Paulo, Perspectiva, 1974, p.293.

ERNOUT, A. e MEILLET, A. verbete supplex. Dictionaire éymologique de la langue latine, Paris, Klincksieck, 1985.

LAUSBERG, Heinrich. Elementos de retórica literária. Lisboa, Calouste Gulbenkian, s/d, § 107.

LIVIO, Tito. 8, 24: in fata ruitur; En., 10, 811: quo ruis? En: 2, 290: ruit alto a culmine Troia. (Embora no último sentido ruere se use sobretudo com relação a construções, o verbo é também atestado com referência a sujeitos humanos: En., 10, 756: cadebant pariter pariter que ruebant uictores uictique).

Phaedra, texto estabelecido e anotado por F. Giancotti, in Giancotti, Poesia e filosofia in Seneca trágico (Torino, Celid, 1986). Verso 704.

Seneca, Medea/Fedra, introduzione e note de Giuseppe Gilberto Biondi (Milano, Laterza, 1987)

SÊNECA, Phaedra, versos 704-05. Edições consultadas: Sêneca, Tragedies, with an English traslation by Frank Justus Miller (London, Loeb Classical Library, 1979)

Sénèque, Tragédies, I, texte établi et traduit par Léon Herrmann (Paris, Les Belles Lettres, 1924)

Downloads

Publicado

2013-01-01

Como Citar

Fontes, J. B. (2013). A figura do poder na fedra senequiana. Cadernos Pagu, (11), 345–359. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8634638

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)