O imperativo das imagens: construção de afinidades nas mídias digitais

  • Iara Beleli Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Mídias Digitais. Autonomia. Diferenças. Corpo. Tecnologia

Resumo

A partir de etnografia realizada em sites de relacionamento e aplicativos direcionados à busca de parcerias amorosas/ afetivas/sexuais, neste artigo analiso como as mídias digitais são “incorporadas” no cotidiano de mulheres entre 35 e 48 anos, heterossexuais de “classe média”, “independentes”, residentes na cidade de São Paulo. Autonomia, liberdade, afinidade, termos recorrentes nas narrativas, levam a questões sobre o que rege a escolha de parcerias, cujas afinidades são definidas a partir similaridades de capital social e cultural. As afinidades, num primeiro momento, percebidas por meio da circulação de fotos, são lidas não só por meio da aparência física, mas também pelo seu entorno – paisagens, objetos –, que também criam imaginações sobre “estilos de vida”. No jogo dessas novas dinâmicas, procuro entender como as diferenças (classe, geração, raça/cor, localização) operam na seleção, e escolha, dos parceiros.

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Biografia do Autor

Iara Beleli, Universidade Estadual de Campinas
Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu/Unicamp

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Publicado
2015-06-24
Como Citar
Beleli, I. (2015). O imperativo das imagens: construção de afinidades nas mídias digitais. Cadernos Pagu, (44), 91-114. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8637321