O Oito de Março no Congresso: representações da condição feminina no discurso parlamentar

  • Luiz Augusto Campos Universidade Estadual de Campinas
  • Luís Felipe Miguel Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Discurso Parlamentar. Representação Política. Gênero. 8 de Março

Resumo

Estudar as representações sobre as questões de gênero no parlamento é observar um espaço fundamental para as lutas políticas feministas, mas onde são poucas as vozes femininas. É também buscar entender os limites impostos pelas próprias dinâmicas do campo político a determinadas pautas, dentre as quais podemos incluir as questões de gênero. Este artigo pretende discutir as representações dos deputados e das deputadas brasileiras em relação à mulher, através da análise das representações da condição feminina nos discursos proferidos no plenário da Câmara dos Deputados durante as sessões dedicadas ao Dia Internacional da Mulher entre 1975 e 2006.

Abstract

Congress and its current representations about gender are crucial spaces in feminist political struggles, but where there are few female voices. In these spaces, we can observe the limitations that the dynamics of the political field impose on certain issues, including gender. This paper discusses how female and male members of congress make their representations about women, analyzing the representations of the female condition present in speeches made in the plenary assembly of Brazilian Chamber of Deputies, in the course of the sessions held on International Women’s Day (March 8th), between 1975 and 2006.

Key Words: Parliamentary Speech, Political Representation, Gender, March 8th.

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Biografia do Autor

Luiz Augusto Campos, Universidade Estadual de Campinas
Doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (2013), mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ (2009) e graduado em Ciência Política pela UnB (2007). É professor de Sociologia do IESP-UERJ, onde coordena, junto com o professor João Feres Júnior, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA). É também pesquisador associado do Grupo de Estudos Sobre Democracia e Desigualdades (Demode-UnB). Foi Professor Adjunto da UNIRIO (2013-2014) e temporário na UFRJ (2010) e PUC-RJ (2010). Realizou estágio doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris e estágio pós-doutoral no Observatoire Sociologique du Changement na SciencesPo, onde também atuou como pesquisador visitante. Atua na interface entre Sociologia e Ciência Política, com pesquisas sobre relações raciais, ações afirmativas, ensino superior, teoria feminista, mídia, esfera pública, teoria social e teoria política. Realiza atualmente pesquisas sobre a politização da questão racial no Brasil, negros e eleições, políticas de inclusão no ensino superior, multiculturalismo, interseccionalidade e estudos sobre análise de corpus linguísticos.
Luís Felipe Miguel, Universidade Estadual de Campinas
Luis Felipe Miguel (Rio de Janeiro, 1967) é doutor em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor titular do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), onde coordena o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê) e edita a Revista Brasileira de Ciência Política. É pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica). É autor de dezenas de artigos em publicações acadêmicas e dos livros Revolta em Florianópolis: a novem­brada de 1979 (Insular, 1995), Mito e discurso político (Editora Unicamp, 2000), Política e mídia no Brasil (Plano, 2002), O nascimento da política moderna (Editora UnB, 2007), Caleidoscópio convexo: mulheres, política e mídia (com Flávia Biroli, Editora Unesp, 2011) e Democracia e representação: territórios em disputa (Editora Unesp, 2014). Organizou os livrosMídia, representação e democracia (com Flávia Biroli, Hucitec, 2010), Coligações partidárias na nova democracia brasileira (com Silvana Krause e Rogério Schmitt, Editora Unesp, 2010), Teoria política e feminismo: abordagens brasileiras (com Flávia Biroli, Horizonte, 2012), Teoria política feminista: textos centrais (com Flávia Biroli, Eduff e Horizonte, 2013) e A democracia face às desigualdades: problemas e horizontes (com Flávia Biroli, Danusa Marques e Carlos Machado, Alameda, no prelo)

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Publicado
2016-04-11
Como Citar
Campos, L. A., & Miguel, L. F. (2016). O Oito de Março no Congresso: representações da condição feminina no discurso parlamentar. Cadernos Pagu, (31), 471-508. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8644897
Seção
Artigos