Banner Portal
O sexo sem lei, o poder sem rei: Sexualidade, gênero e identidade no cotidiano travesti
Remoto

Palavras-chave

Travestismo/Travestilidade. Gênero. Sexualidade. Identidade Sexual

Como Citar

JIMENEZ, Luciene; RUBENS C. F. ADORNO, Rubens C. F. O sexo sem lei, o poder sem rei: Sexualidade, gênero e identidade no cotidiano travesti. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 33, p. 343–367, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8644931. Acesso em: 21 abr. 2024.

Resumo

Neste trabalho propomos questionar como são construídos e validados os discursos acerca de sexualidade, gênero e identidade sexual, a partir da história de vida de três irmãos homossexuais nascidos no interior do nordeste brasileiro. Ainda jovens, migraram para a cidade de Diadema – São Paulo, onde se tornaram, no decorrer de alguns anos, travestis e profissionais do sexo. A percepção da homossexualidade foi relatada como parte da infância, e sentida como uma força natural. Já, as transformações realizadas sobre o corpo decorrentes da travestilidade, a decisão pela prostituição, a orientação sexual (por homem ou por mulher), e a construção de uma identidade sexual (gay ou travesti), apareceram como instâncias dissociadas entre si e relacionadas à busca da valorização pessoal e social diante do estigma atribuído ao gay afeminado, pobre e migrante. A religiosidade afro-brasileira e a gramática yorubá assumiram relevância para a constituição desta possibilidade identitária.

Abstract

In this work we propose to question how the speeches on sexuality, gender and sexual identity are built and validated, emerging from the life story of three homosexual brothers who were born in the inland areas of the Brazilian northeast. When they were still young, they migrated to Diadema, in São Paulo, where in the course of time, they became transvestites and sex professionals. The perception of homosexuality was reported as part of childhood and sensed as a natural force. Now, the modifications made in the body due to “travestilidade”, the decision on prostitution, the sex orientation (to men or to women) and the building of a sexual identity (gay or transvestite), came to view as fields dissociated from each other and related to the search of individual and social valorization before the stigma attached to the effeminate, poor and migrant gay. The Afro-Brazilian religiosity and the Yoruba grammar assumed relevance to the constitution of this possibility of identity.

Key Words: Transvestism/Travestilidade, Gender, Sexuality, Sexual Identity

Remoto

Referências

BENEDETTI, Marcos. Toda Feita: o corpo e o gênero das travestis. Rio de Janeiro, Garamond, 2005.

BENTO, Berenice. A reinvenção do corpo: Sexualidade e gênero na experiência transexual. Rio de Janeiro, Garamond, 2006.

BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2004.

DIZART, Hugo. Engenharia erótica: Travestis no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997.

FAUSTO-STERLING, Anne. Dualismos em duelo. Cadernos Pagu (17/18), Campinas-SP, Núcleo de Estudos de Gênero-Pagu/Unicamp, 2001- 02, pp.9-79.

GOFFMAN, Erving. Estigma: Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro, Zahar Editores; 1978.

GUERRIERO, Iara C. Z. Aspectos éticos das pesquisas qualitativas em saúde. Tese de Doutorado em Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, 2006.

KULICK, Don. Travesti: prostituição, sexo, gênero e cultura no Brasil. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2008.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia de Prevenção das DST/Aids e Cidadania para Homossexuais. Brasília, Secretaria de Políticas de Saúde, Coordenação Nacional de DST/Aids, Série manuais, nº 52, 2002.

MOTT, Luiz. Sobre candomblé e homossexualidade. Entrevista disponível em: http://br.geocities.com/luizmottbr/entre6.html [data da consulta 10/03/2009].

____________. Escravidão, homossexualidade e demonologia. São Paulo, Editora Ícone, 1988.

PELÚCIO, Larissa. Nos nervos, na carne, na pele: uma etnografia sobre prostituição travesti e o modelo preventivo de Aids. Doutorado em Ciências Sociais, Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, 2007.

____________. Três casamentos e algumas reflexões: Notas sobre conjugalidade envolvendo travestis que se prostituem. Rev. Estudos Feministas 14(2), Florianópolis, 2006, pp.522-534.

PERES, Wiliam Siqueira. Subjetividade das travestis brasileiras: da vulnerabilidade da estigmatização à construção da cidadania. Tese de doutorado, PPG em Saúde Coletiva/Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2005.

PRIEUR, Annick. La feminilité volée: les constructions corporelles et symboliques chez les travestis mexicains. Anais do Congresso Sociétés et Représentations, avr. 1996.

SILVA, Hélio R. S. Travesti: A invenção do feminino. Rio de Janeiro, Relume-Dumará/ISER, 1993.

____________ e FLORENTINO, Cristina de Oliveira. A sociedade dos travestis: Espelhos, papéis e interpretações. In: PARKER, Richard; BARBOSA, Regina Maria. (orgs.) Sexualidades Brasileiras. Rio de Janeiro, Relume Dumará/ABIA/IMS/UERJ, 1996.

Downloads

Não há dados estatísticos.