Banner Portal
Masculinidade corporativa e o contexto global: um estudo de caso de dinâmica conservadora de gênero
Remoto

Palavras-chave

Masculinidade Hegemônica. Corporações Transnacionais. Administradores. Corporalidade. Família. Relações de Gênero

Como Citar

CONNELL, Raewyn. Masculinidade corporativa e o contexto global: um estudo de caso de dinâmica conservadora de gênero. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 40, p. 323–344, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8645081. Acesso em: 19 jun. 2024.

Resumo

A pesquisa sobre masculinidade atualmente é mundial, oferecendo-nos ricas bases para o entendimento desse tema em arenas globais. O tema da globalização tem, cada vez mais, entrado em foco nos estudos de gênero, e especificamente na pesquisa sobre masculinidade. Este trabalho mostra a utilidade de uma aproximação de história de vida para se entender gênero, baseada essencialmente na psicanálise, embora modificada para utilização em trabalho de campo sócio-científico. Apresenta-se um estudo de caso que representa a contribuição australiana para um estudo realizado em vários países, compreendendo a masculinidade corporativa. Diz respeito a um administrador de meia idade na indústria de construção, que revela uma forma conservadora de masculinidade hegemônica. Isso foi gerado em sua família de origem, em sua educação e na indústria de construção que é pesadamente masculinizada. Seu processo de trabalho administrativo é uma espécie de bricolagem de negociações e relacionamentos que são mais locais e concretos do que abstratos e globalizados. Esse padrão de masculinidade se articula com a economia global, mas não reproduz exatamente a masculinidade hegemônica das corporações transnacionais, que são, por contraste, caracterizadas por altos níveis de escolaridade e envolvimento tecnológico. Dois locais de contradição estão presentes na vida desse administrador: sua corporalidade e suas relações familiares, o que pode causar problemas para uma condução sem percalços de sua vida. Na entrevista há também um curioso momento de utopia, que coloca em questão seu projeto de gênero.

Abstract

Research on masculinity is now worldwide, offering us rich bases for understanding masculinities in global arenas. The issue of globalization has increasingly come into focus in gender studies, and research on masculinity specifically. This paper shows the usefulness of a life-history approach to understanding gender, based ultimately on psychoanalysis though modified for use in social-scientific field work. A case study from the Australian part of a multi-country study of corporate masculinities is presented. It concerns a middle-aged manager in the construction industry, who reveals a conservative form of hegemonic masculinity. This was fostered in his family of origin, in his education and in the heavilymasculinized construction industry. His managerial labour process is a kind of bricolage of negotiations and relationships that are more local and concrete than abstract and globalized. This pattern of masculinity is articulated with the global economy but does not exactly reproduce the hegemonic masculinity of transnational corporations, which are by contrast marked by high levels of education and technological involvement. Two sites of contradiction in this manager's life, i.e. his embodiment and his family relations, are identified, which may cause problems for the smooth management of his life. There is also in the interview a curious moment of utopia that calls into question his gender project.

Key Words: Hegemonic Masculinity, Transnational Corporations, Managers, Embodiment, Family, Gender Relations

Remoto

Referências

CHOPRA, Radhika. (ed.) Reframing Masculinities: Narrating the Supportive Practices of Men. New Delhi, Orient Longman Private, 2007.

CHOW, Esther Ngan-ling. Gender matters: studying globalization and social change in the 21st century. International Sociology 18 (3), 2003, pp.443-460.

COLLINSON, David L. e HEARN, Jeff. (eds.) Men as Managers, Managers as Men: Critical Perspectives on Men, Masculinities and Managements. London, Sage, 1996.

CONNELL, Raewyn. Masculinities and globalization. Men and Masculinities, vol. 1 nº 1, 1998, pp.3-23.

__________. Masculinities. Cambridge, Polity Press, 2005.

__________. Southern Theory: The Global Dynamics of Knowledge in Social Science. Cambridge, Polity Press, 2007.

__________. ImInnern des gläsernen Turms: Die Konstruktion von MännlichkeitenimFinanzkapital. FeministischeStudien, vol. 28, nº 1, 2010a, pp.8-24.

__________. Lives of the businessmen. Reflections on life-history method and contemporary hegemonic masculinity.

ÖsterreichischeZeitschriftfürSoziologie, vol. 35 nº 2, 2010b, pp.54-71.

__________ e MESSERSCHMIDT, James W. Hegemonic masculinity: rethinking the concept. Gender and Society, vol. 19 nº 6, 2005, pp.829-859.

DOLLARD, John. Criteria for the Life History: With Analyses of Six Notable Documents. New Haven, Yale University Press, 1935.

__________. Caste and Class in a Southern Town. New York, Doubleday Anchor, 1957.

DONALDSON, Mike e POYNTING, Scott. Ruling Class Men: Money, Sex, Power. Bern, Peter Lang, 2007.

ELIAS, Juanita. Hegemonic masculinities, the multinational corporation, and the developmental state: constructing gender in “progressive” firms. Men and Masculinities, vol. 10, nº 4, 2008, pp.405-421.

FREUD, Sigmund. From the History of an Infantile Neurosis. In Complete Psychological Works. Standard Edition, vol. 17. London, Hogarth Press, 1955, pp.3-123 [1918].

GILDING, Michael. Secrets of the Super Rich. Sydney, HarperCollins, 2002.

GHOUSSOUB, Mai e SINCLAIR-WEBB, Emma. (eds.) Imagined Masculinities.

London, Saqi Books, 2000.

HOOPER, Charlotte. Masculinities in transition: the case of globalization.

In: MARCHAND, Marianne H. e RUNYAN, Anne Sisson. (eds.) Gender and Global Restructuring. London, Routledge, 2000, pp.59-73 MESSNER, Michael A. Power at Play: Sports and the Problem of Masculinity. Boston, Beacon Press, 1992.

NANDY, Ashis. The Intimate Enemy. Loss and Recovery of Self under Colonialism. Delhi, Oxford University Press, 1983.

OLAVARRIA, José. (ed.) Masculinidades y globalización: Trabajo y vida privada, familias y sexualidades. Santiago, Red de Masculinidad en Chile, Universidad Academia de Humanismo Cristiano e CEDEM, 2009.

OUZGANE, Lahoucine. (ed.) Islamic Masculinities. London, Zed Books, 2006.

PLUMMER, Ken. Documents of Life 2: An Invitation to a Critical Humanism. London, Sage, 2001.

PRÜGL, Elisabeth. The Global Construction of Gender: Home-Based Work in the Political Economy of the 20th Century. New York, Columbia University Press, 1999.

SARTRE, Jean-Paul. Search for a Method. New York, Vintage, 1968.

SASSEN, Saskia. The Global City: New York, London, Tokyo. PrincetonNJ, Princeton University Press, 1991.

SHEFER, T.; RATELE, K.; STREBEL, A.; Shabalala, N. e BUIKEMA, R. (eds.) From Boys to Men: Social Constructions of Men in Contemporary Society. Lansdowne (South Africa), UCT Press, 2007.

TAGA Futoshi; HIGASHINO, Mitsunari; SASAKI, Masanori e MURATA, Yohei.

Changing Lives of Salarymen. Kyoto, Mineruvashobo, 2011.

THOMAS, William I. e ZNANIECKI, Florian. The Polish Peasant in Europe and America. New York, Dover, 1958.

TOMSEN, Stephen e DONALDSON, Mike. (eds.) Male Trouble: Looking at Australian Masculinities. Melbourne, Pluto Press, 2003.

VALDÉS, Teresa e OLAVARRÍA, José. (eds. ) Masculinidades y Equidad de Género en América Latina. Santiago, FLACSO/UNFPA, 1998.

Downloads

Não há dados estatísticos.