“Este país é cheio de apartheid”, diálogos com mulheres sul-africanas na província de KwaZulu-Natal

  • Maíra Cavalcanti Vale UNICAMP
Palavras-chave: Mulheres. África do Sul. Apartheid. Ancestralidade. Terra

Resumo

Esse artigo busca traçar paralelos entre o caminho pelo qual a ideologia africâner, apoiada indiretamente pelos sul-africanos de origem inglesa, ganhou forças no cenário político sul-africano – configurando-se de um sistema legal de segregação para o racismo instituído do apartheid – e causou influências no cotidiano das pessoas não brancas daquele país, afetando diretamente elementos cosmológicos que mobilizam o seu dia-a-dia. A partir da violência que promoveu diversas remoções na zona rural, os efeitos do apartheid causaram pendências com os ancestrais que as pessoas de origem zulu e moradoras das regiões afetadas têm de lidar até os dias atuais, em um movimento que busca acertar as contas com o passado.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maíra Cavalcanti Vale, UNICAMP
Doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, Unicamp, Campinas, SP, Brasil

Referências

AZEVEDO, Aina. Três lugares para viver e um para morrer – O sentido das casas na África do Sul. Projeto de qualificação de doutorado, Antropologia Social, Universidade de Brasília (UnB), 2009.

______. Conquistas Cosmológicas: pessoa, casa e casamento entre os Khubeka de KwaZulu-Natal e Guateng. Tese de doutorado, Antropologia Social, Universidade de Brasília (UnB), 2013.

BEINART, William; DUBOW, Saul (orgs.). Segregation and Apartheid in twentieth-century South Africa. Londres, Routledge, 1995.

BORGES, Antonádia. Bruxaria como (pre)conceito: contrastes etnográficos e os limites da linguagem em antropologia. Trabalho apresentado na 32ª ANPOCS, em Caxambu – MG, no Grupo de Trabalho “Entre Fronteiras e Disciplinas: estudos sobre África e Caribe”, 2008a.

______. Tsotsi and Yesterday: an anthropological appraisal. Vibrant - Virtual Brazilian Anthropology, vol.5, nº 2, Brasília, 2008b, pp.246- 267 [http://www.vibrant.org.br/issues/v5n2/ – acesso em: 23 mar. 2015].

______. Explorando a noção de etnografia popular: comparações e transformações a partir dos casos das cidades-satélites brasileiras e das townships sul-africanas. Cuadernos de Antropología Social nº 29, Buenos Aires, 2009, pp.23–42.

COETZEE, John. À espera dos bárbaros. São Paulo, Editora Best Seller, 1980.

COUTO, Mia. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo, Companhia das Letras, 2003.

GOTLIB, Joyce. “Getting people back to the land”: a interdependência entre governo e ONGs na produção de beneficiários por terra na província de KwaZulu-Natal, África do Sul. Dissertação de mestrado, Sociologia e Direito, Universidade Federal Fluminense, 2010. JAMES, Deborah. Gaining Ground? Rights and property in South African land reform. Johannesbourg, Wits, 2007.

KROG, Antjie; MPOLWENI, Nosisi; KOPANO, Ratele. There was this Goat. Scottsville, University of KwaZulu-Natal Press, 2009.

KUPER, Adam. The “House” and Zulu Political Structure in the Nineteenth Century. The Journal of African History, vol. 34, nº 3, Cambridge University Press, 1993, pp.469-487.

______. Entrevista, Colônias, Metrópoles: um antropólogo e sua antropologia. Mana 6(1), Rio de Janeiro, 2000, pp.157-173.

M’BOKOLO, Elikia. As práticas do apartheid. In: FERRO, Marc (Org.). O livro negro do colonialismo. Rio de Janeiro, Ediouro, 2004, pp.540- 560.

MELLO, Fabrício. Pluralidade e mediação: ONGs e indivíduos na reforma agrária sul-africana. Monografia de graduação, Ciências Sociais, Universidade Federal Fluminense, 2009.

MONTEIRO, Paula. Desafiando o direito de propriedade: O embate entre diferentes concepções de direito à terra no contexto de reforma agrária sul-africana. Monografia de graduação, Ciências Sociais, Universidade Federal Fluminense, 2010.

NDEBELE, Njabulo S. The rediscovery of the ordinary: some new writings in South Africa. In: ______. Rediscovery of the Ordinary. Essays on south African literature and culture. Durban, University of KwaZuluNatal Press, 2006, pp.31-54.

NTSEBEZA, Lungisile; Hall, Ruth. The Land Question in South Africa: the challenge of transformation and redistribution. Cape Town, HRSC Press, 2007.

ROSA, Marcelo. Estado e ações coletivas na África do Sul e no Brasil: por uma sociologia contemporânea dos países não exemplares. Sociologias ano 10, nº 20, jul./dez, Porto Alegre, 2008, pp.292-318.

______. Espectros de Mamdani: desafios de uma sociologia da vida política rural na África do Sul contemporânea. Estudos de Sociologia, vol. 15, nº 2, Recife, 2009, pp.69-91. ______. Mas eu fui uma estrela do futebol! As incoerências sociológicas e as controvérsias sociais de um militante sem-terra sul-africano. Mana vol.17, nº 2, Rio de Janeiro, 2011, pp.365-394.

RIBEIRO, Rosa; FERREIRA, Luiz Fernando da. Apartheid: o reino de Deus na terra. Dissertação de mestrado, Antropologia Social, Universidade de Brasília (UnB), 1990.

VALE, Maíra Cavalcanti. Prosa que tece a vida, estórias de mulheres em KwaZulu-Natal, África do Sul. Dissertação de mestrado Antropologia Social, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 2013.

WHITE, Hylton. Beastly whiteness: Animal kinds and the social imagination in South Africa. Anthropology Southern Africa 34(3&4), 2011, pp.104-113.

Publicado
2016-04-27
Como Citar
Vale, M. C. (2016). “Este país é cheio de apartheid”, diálogos com mulheres sul-africanas na província de KwaZulu-Natal. Cadernos Pagu, (45), 51-78. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8645203