O “Destino das Mulheres e de sua Carne”: regulação de gênero e o Estado em Moçambique

  • Osmundo Pinho Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Palavras-chave: Mocambique. FRELIMO. Gênero. Indigenato

Resumo

Neste artigo, busco discutir a continuada produção/regulação da mulher, de seu corpo e das relações de gênero e parentesco no contexto da transição pós-colonial em Moçambique, a partir de: 1) documentação encontrada no Fundo “Direção de Serviços de Negócios Indígenas”, do Arquivo Histórico de Moçambique (AHM) e que se refere ao conturbado processo de elaboração dos Códigos Penal e Civil dos Indígenas de Moçambique, decorrido entre 1941 e 1946; e 2) documentos oficiais da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) e artigos publicados na revista Justiça Popular, “Boletim do Ministério da Justiça” da República Popular de Moçambique, entre 1980 e 1987.

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Biografia do Autor

Osmundo Pinho, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
* Professor Adjunto no Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, campus de Cachoeira; do Programa de PósGraduação em Ciências Sociais, do Mestrado Profissional em África, Diáspora Africana e Povos Indígenas, da mesma universidade; e professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia, Cachoeira, BA, Brasil.

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Publicado
2016-04-27
Como Citar
Pinho, O. (2016). O “Destino das Mulheres e de sua Carne”: regulação de gênero e o Estado em Moçambique. Cadernos Pagu, (45), 157-179. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8645212