Jogo de damas: trajetórias de mulheres nas ciências sociais paulistas (1934-1969)

  • Dimitri Pinheiro Universidade de São Paulo (USP)
Palavras-chave: Gênero. Trajetória. Academia. Cátedra. Assimetria

Resumo

O artigo examina o processo de institucionalização das ciências sociais em São Paulo privilegiando o entrelaçamento entre disputas acadêmicas e assimetrias de gênero. O fio condutor é a reconstituição das trajetórias de quatro professoras da primeira geração de intelectuais universitários entre 1934 e 69: Gilda de Mello e Souza, Gioconda Mussolini, Maria Isaura Pereira de Queiroz e Paula Beiguelman. Apesar da maior inserção profissional das mulheres nas novas instituições de ensino superior, a progressão de suas carreiras foi tortuosa e difícil. Sob a lógica patriarcal do regime de cátedras, elas estiveram em desvantagem, ocupando geralmente posições inferiores e de maior insegurança na hierarquia acadêmica.

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Biografia do Autor

Dimitri Pinheiro, Universidade de São Paulo (USP)
Doutor pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil.

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Publicado
2016-06-01
Como Citar
Pinheiro, D. (2016). Jogo de damas: trajetórias de mulheres nas ciências sociais paulistas (1934-1969). Cadernos Pagu, (46), 165-196. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8645404