Feminismos brasileiros nas relações com o Estado: contextos e incertezas

  • Lia Zanotta Machado Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Estado e feminismo brasileiro. Fundamentalismo. Ética da autonomia individual. Legalização do aborto, Violência contra mulheres. Educação sexista.

Resumo

Este texto busca repensar as relações entre os feminismos brasileiros e o Estado. O diálogo e a tensão contínuos estão fundados na pauta feminista que não só supõe uma revolução cultural das subjetividades, como exige uma notável reforma/revolução política. Se, de um lado, o enfrentamento da violência contra as mulheres ganha fôlego, a pauta da educação pela igualdade de gênero e pela legalização do aborto sofre o que já se chamou de “backlash”. Trava-se um embate entre movimentos neoconservadores que buscam a imposição moral a toda sociedade e os movimentos feministas que buscam a ética da autonomia individual, da pluralidade e dos direitos sociais.

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Biografia do Autor

Lia Zanotta Machado, Universidade Estadual de Campinas
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1967), mestrado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1979) e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1980). Atualmente é Professora Titular de Antropologia da Universidade de Brasília. É membro do grupo assessor internacional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Coordenadora área de antropologia junto a CAPES

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Publicado
2016-11-17
Como Citar
Machado, L. Z. (2016). Feminismos brasileiros nas relações com o Estado: contextos e incertezas. Cadernos Pagu, (47), 5-40. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8647251