O gênero do amor: cultura terapêutica e feminismos*

  • Carolina Branco de Castro Ferreira Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Cultura terapêutica. Amor. Feminismos. Internet.

Resumo

Neste artigo tomo a cultura terapêutica produzida em grupos de ajuda mútua anônimos, particularmente o Mulheres que Amam Demais Anônimas (MADA), e novas táticas e maneiras de atuação feministas em redes digitais, no contexto brasileiro, como instâncias pedagógicas do aprendizado emocional e na (re)organização social do sofrimento amoroso, buscando compreender como repertórios sobre o amor e o sofrimento amoroso oferecem cursos de ação, sistemas de comunicação e interpenetrações entre esses âmbitos.

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Biografia do Autor

Carolina Branco de Castro Ferreira, Universidade Estadual de Campinas
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestrado em Ciências Sociais pela UEL, Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Pós-Doutorado pela Universitat Rovira - Virgili (Catalunya/Espanha) com pesquisa financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Atualmente é pesquisadora pós-doc FAPESP associada ao Núcleo de Estudos de Gênero - PAGU/Unicamp.

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Publicado
2016-11-17
Como Citar
Ferreira, C. B. de C. (2016). O gênero do amor: cultura terapêutica e feminismos*. Cadernos Pagu, (47), 41-84. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8647252