“Vou pra rua e bebo a tempestade”1 : observações sobre os dissabores do guarda-chuva do tráfico de pessoas no Brasil

  • Marcia Anita Sprande Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Trabalho escravo. Tráfico de pessoas. Escravidão. Congresso nacional.

Resumo

Este artigo analisa um dos aspectos da definição de “tráfico de pessoas”: a escravatura ou práticas similares à escravatura. Apresenta a história da categoria nativa “trabalho escravo”, conforme utilizada atualmente no Brasil, para que se possa corretamente diferencia-la da categoria internacional “tráfico de pessoas” ou das campanhas contemporâneas contra “sex trafficking” e “modern slavery”. Aponta para as idiossincrasias da introdução da agenda antitráfico no Brasil, após a ratificação do Protocolo de Palermo, sobretudo sua potencial capacidade de enfraquecer pautas históricas da sociedade brasileira, como o enfrentamento ao racismo e a luta pela reforma agrária e pelos direitos dos trabalhadores.

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Biografia do Autor

Marcia Anita Sprande, Universidade Estadual de Campinas

Doutora em Antropologia pela Universidade de Brasília (2001). Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional (1992). Bacharel em História pelo IFCS/UFRJ (1985). Assessora Técnica no Senado Federal desde 1997. Consultora da Organização Internacional do Trabalho. Especialista em campesinato em regiões de fronteira, migrações internacionais, pensamento social brasileiro, políticas públicas, Mercosul, organismos internacionais, trabalho infantil e tráfico de seres humanos. Integra o Grupo de Trabalho em Migrações Internacionais da Associação Brasileira de Antropologia. Pesquisadora Associada do Centro de Estudo em Migrações Internacionais (CEMI/Unicamp).

 

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Publicado
2016-11-17
Como Citar
Sprande, M. A. (2016). “Vou pra rua e bebo a tempestade”1 : observações sobre os dissabores do guarda-chuva do tráfico de pessoas no Brasil. Cadernos Pagu, (47), 196-223. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8647260