A antropologia e o processo de cidadanização da homossexualidade no Brasil

  • Sérgio Carrara Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Antropologia. Homossexualidade. Movimento LGBT. Política Sexual. Brasil.

Resumo

Com o intuito de contribuir para a reflexão mais geral sobre as articulações entre ciência e política, discuto neste artigo como, na prática, se constrói o conhecimento dos antropólogos que, em contínuo trânsito pelas fluidas fronteiras entre o ativismo LGBT e a reflexão acadêmica, tornaram-se atores importantes no processo de cidadanização da homossexualidade no Brasil. Tomo como referência dois contextos históricos distintos. O primeiro deles situa-se entre finais dos anos 1970 e meados dos anos 1980, quando o movimento começa a se organizar no Brasil. O segundo, no qual se desenvolve minha própria experiência de pesquisa, corresponde, grosso modo, à primeira década dos anos 2000.

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Biografia do Autor

Sérgio Carrara, Universidade Estadual de Campinas
Professor Associado do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro desde 1985. Editor da Revista Sexualidade, Saúde e Sociedade, Bolsista CNPq/Produtividade em Pesquisa, e membro do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos - CLAM/IMS/UERJ e do Laboratório Integrado em Diversidade Sexual e de Gênero, Políticas e Direitos - LIDIS/UERJ. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Publicado
2016-11-17
Como Citar
Carrara, S. (2016). A antropologia e o processo de cidadanização da homossexualidade no Brasil. Cadernos Pagu, (47), 445-482. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8647270