“A gente sempre tem coragem”: identificação, reconhecimento e as experiências de (não) passar por homem e/ou mulher

  • Tiago Duque Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Palavras-chave: Passar por. Identificação. Reconhecimento. Marcadores sociais da diferença.

Resumo

Neste artigo, analiso as experiências de (não) passar por homem e/ou mulher enquanto performances contemporâneas de feminilidades e masculinidades de modo a ir além da compreensão de um sujeito totalmente autônomo diante de suas experiências de gênero e sexualidade, e a não tomá-lo tampouco a partir de uma ideia de determinismo cultural. A partir de etnografia de espaços on-line e off-line, entrevistas e análise documental, discuto a identificação e o desejo de reconhecimento de diferentes interlocutores considerando alguns marcadores sociais da diferença. Concluo que o (não) passar por se dá pela agência diante de vários elementos, em um contexto de valorização das diferenças, mas de rechaços e discriminações aos diferentes em demasiado.

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Biografia do Autor

Tiago Duque, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Professor do Programa de Pós-graduação em Educação (CPAN) e do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (FACH), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS, Brasil.

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Publicado
2017-12-06
Como Citar
Duque, T. (2017). “A gente sempre tem coragem”: identificação, reconhecimento e as experiências de (não) passar por homem e/ou mulher. Cadernos Pagu, (51). Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8651155