A maternidade como resistência à violência de Estado

Palavras-chave: Mães, Maternidade, Corpo, Violência, Estado.

Resumo

Este trabalho analisa o movimento de mães que perderam seus filhos, assassinados por policiais militares nas favelas do Rio de Janeiro, como um dos efeitos perversos da política de pacificação das favelas. A luta das mães pela responsabilização e pelo reconhecimento do Estado brasileiro pelas mortes de seus filhos as inscreve em um movimento que mobiliza a maternidade como símbolo central para o engajamento político. É sobre os limites e ambivalências da maternidade que as mães mobilizam as condições para catalisar um espaço de aliança e resistência. A violência perpetrada sobre os filhos também atinge essas mulheres, cujos corpos maternos se tornam protagonistas no enfrentamento à violência de Estado.

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Biografia do Autor

Vinicius Santiago, Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Doutorando em Relações Internacionais no Instituto de Relações Internacionais, Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-RJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Publicado
2019-08-28
Como Citar
Santiago, V. (2019). A maternidade como resistência à violência de Estado. Cadernos Pagu, (55), e195511. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8656372