O rolê feminista

autonomia e política prefigurativa no campo feminista contemporâneo

Palavras-chave: Movimentos Sociais, Prefiguração, Feminismos, Autonomia, Escracho.

Resumo

Este artigo parte do contexto dos movimentos sociais contemporâneos e tem como objeto empírico uma rede informal de ativistas jovens auto-referenciada como rolê feminista, cujas relações são norteadas por ideário associado à autonomia, ao faça você mesma e à horizontalidade. Tendo em vista as formas recentes de politização do gênero e da sexualidade, o artigo busca explorar os sentidos nativos atribuídos à autonomia. Assim, olhando para os discursos e práticas ativistas,  discuto a sua materialização na prática da okupação e seus desdobramentos – como o escracho – no espaço público. Para tal, dialogo criticamente com a noção de “prefiguração”, apontando, à luz dos dados etnográficos, potencialidades e lacunas. Por fim, chamo atenção para a rentabilidade analítica de rolê frente aos limites da categoria movimento social no período pós-anos 2000.

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Biografia do Autor

Íris Nery do Carmo, Universidade Estadual de Campinas

Doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas, SP, Brasil.

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Publicado
2019-12-15
Como Citar
do Carmo, Íris N. (2019). O rolê feminista . Cadernos Pagu, (57), e195704. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8658139
Seção
Artigos