O teto de vidro nas organizações públicas: evidências para o Brasil

Autores

  • Daniela Verzola Vaz Universidade Federal de São Paulo

Palavras-chave:

Discriminação. Gênero. Teto de vidro. Setor público.

Resumo

No Brasil, as mulheres ainda são raras nos altos postos de comando das organizações. A percepção desta situação por parte dos dirigentes, no entanto, nem sempre é clara. No serviço público, em particular, a atitude menos discriminatória nas contratações – já que o acesso ao emprego público depende, via de regra, de aprovação prévia em concurso –, e a garantia de igualdade de tratamento a integrantes de uma mesma carreira conduzem à impressão de que o teto de vidro seja menos pronunciado. Este artigo reúne evidências de que, a despeito de seu modo de recrutamento por concurso, as carreiras do setor público brasileiro tampouco escapam ao teto de vidro. A distribuição desigual das mulheres nas distintas instâncias hierárquicas das organizações públicas se faz notar tanto em âmbito administrativo quanto técnico. As práticas discriminatórias sozinhas não explicam o fenômeno, cujas raízes também devem ser buscadas nas intersecções entre vida doméstica e profissional.

 

Abstract

In Brazil women are still underrepresented in upper-level positions in companies. This situation, however, is frequently not recognized by leaders. In public service, in particular, the adoption of more transparent recruitment practices and the egalitarian treatment to members of the same career may give the misleading impression that the glass ceiling phenomenon is less pronounced. This article gathers evidences that the concerns of the public sector with the adoption of more transparent recruitment practices do not prevent the persistence of hierarchical gender segregation among public employees. Female underrepresentation at the top of public organizations can be observed either in administrative and technical tasks. Discrimination practices alone do not explain the phenomenon, which is also rooted in the intersections between private and professional life.

Keywords: Discrimination; Gender; Glass ceiling; Public sector.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Daniela Verzola Vaz, Universidade Federal de São Paulo

Professora Adjunta A-I da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (EPPEN-UNIFESP, Campus Osasco). Bacharel (2002), Mestre (2005) e Doutora (2010) em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência nas áreas de Estatística e Econometria. Atua principalmente nos seguintes temas: mercado de trabalho, ocupação, distribuição de renda e diferenças salariais entre os gêneros.

Referências

BELTRÃO, K. I.; ALVES, J. E. D. A reversão do hiato de gênero na educação brasileira no século XX. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS, 14, Caxambu, Disponível em: <http://www.abep.nepo.unicamp.br/site_eventos_abep/PDF/ ABEP2004_111.pdf>. Acesso em: 20 out. 2008.

BELTRÃO, K. I; TEIXEIRA, M. P. Cor e gênero na seletividade das carreiras universitárias. In: SOARES, S. et al. (Org.). Os mecanismos de discriminação racial nas escolas brasileiras. Rio de Janeiro: Ipea, 2005. cap. 6, p. 143-193.

BERNARDES, F. C.; MOURA, M. G.; ACCO, M. A C. Diagnóstico da situação da mulher na administração pública federal. Brasília: ENAP, 1998. (Textos para Discussão, n. 28). Disponível em: <http://www.enap.gov.br/index.php?option=content&task =view&id=259&Itemid=70>. Acesso em: 24 jul. 2008.

BRISOLLA, S. N.; VASCONCELLOS, E. C. C.; PIMENTEL, R. A presença feminina no estudo e no trabalho da ciência na Unicamp. Jornal da Unicamp, Campinas, 20-26 ago. 2007. Opinião, p. 2. Disponível em: <http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/ agosto2007/ju368pag02.html>. Acesso em: 2 abr. 2009.

DGAFP. Fonction publique: chiffres-clés 2008. Ministère du budget, des comptes publics et de la fonction publique/DGAFP, sept. 2008. 16p. Disponível em: <http://www.fonctionpublique.gouv.fr/IMG/Chiffres_cles__2008.pdf. Acesso em: 19 maio 2009.

ENAP. Gênero, raça e competências de direção no Serviço Público Federal. Brasília: Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), 2006. 68p. (Cadernos ENAP, n. 31). Disponível em: <http://www.enap.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_ download&gid=2210>. Acesso em: 7 abr. 2009.

ETHOS. Perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas – Pesquisa 2007. São Paulo: Instituto Ethos, 2007. Disponível em: <http://www.uniethos.org.br/_Uniethos/Documents/PesquisaDiversidade2007.pdf>. Acesso em: 17 dez. 2007.

FONTENELE-MOURÃO, T. M. Mulheres no topo de carreira: flexibilidade e persistência. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2006. 92p. Disponível em: <http://200.130.7.5/spmu/docs/topo_carreira_fim.pdf>. Acesso em: 17 mar. 2009.

GEORGES, I. Entre vida doméstica e vida profissional: engenheiras no Brasil e na França. In: Costa, A. O. et al. (Org.). Mercado de trabalho e gênero: comparações internacionais. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. cap. 13, p. 245-261.

HIRATA, H.; KERGOAT, D. Divisão sexual do trabalho profissional e doméstico: Brasil, França, Japão. In: Costa, A. O. et al. (Org.). Mercado de trabalho e gênero: comparações internacionais. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. cap. 14, p. 263-278.

INEP. Resumo técnico: Censo da Educação Superior 2007. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC), 2009. 47p. Disponível em: <http://www.inep.gov.br/download/superior/censo/2007/Resumo_tecnico_2007.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2009.

LETA, J.; CARISEY, M.; SÉCHET, P.; OHAYON, P. As mulheres na pesquisa, no desenvolvimento tecnológico e na inovação: Uma comparação Brasil/França. Revista do Serviço Público, Brasília, ENAP, ano 57, n. 4, p. 531-548, out./dez. 2006.

LOMBARDI, M. R. Engenheira e gerente: Desafios enfrentados por mulheres em posições de comando na área tecnológica. In: COSTA, A. O. et al. (Org.). Mercado de trabalho e gênero: comparações internacionais. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. cap. 21, p. 387- 402.

MARRY, C. As carreiras das mulheres no mundo acadêmico: O exemplo da biologia. In: COSTA, A. O. et al. (Org.). Mercado de trabalho e gênero: comparações internacionais.Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. cap. 22, p. 401-419.

MELO, H. P.; LASTRES, H. M. M. Ciência e tecnologia numa perspectiva de gênero: o caso do CNPq. (s.d.). Disponível em: <http://www.cbpf.br/~mulher/hildete2.pdf>. Acesso em: 03 jun. 2009. O documento realmente não contém data, embora seja provavelmente 2003.

MELO, H. P; CASEMIRO, M. C. P. A Ciência no feminino: uma análise da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Ciência. Revista Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, UERJ, n 11, set./dez. 2003. Disponível em: <http://www.forumrio.uerj.br/ documentos/revista_11/11-Hildete.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2009.

SCHIENBINGER, L. O feminismo mudou a ciência? Bauru: Edusc, 2001. 382p. Disponível em: <http://brasil.indymedia.org/media/2007/06//386937.pdf>. Acesso em: 1 jun. 2009.

SCHWEITZER, S. As mulheres e o acesso às profissões superiores: uma comparação européia, séculos XIX e XX. In: Costa, A. O. et al. (Org.). Mercado de trabalho e gênero: comparações internacionais. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. cap. 20, p. 371-385.

SOARES, T. A. Mulheres em ciência e tecnologia: ascensão limitada. Química Nova, São Paulo: v. 24, n. 2, p. 281-285, mar./abr. 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/qn/ v24n2/4292.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2009.

VELHO, L.; LEÓN, E. A construção social da produção científica por mulheres. Cadernos Pagu, n. 10, p. 309-344, 1998. Disponível em: <http://www.pagu.unicamp.br/files/ cadpagu/Cad10/pagu10.12.pdf>. Acesso em: 31 maio 2009.

Downloads

Publicado

2015-12-11

Como Citar

VAZ, D. V. O teto de vidro nas organizações públicas: evidências para o Brasil. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 22, n. 3, p. 765–790, 2015. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8642183. Acesso em: 29 nov. 2022.

Edição

Seção

Artigos