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“Financeirização” da riqueza, inflação de ativos e decisões de gasto em economias abertas
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Palavras-chave

Macroeconomia. Instabilidade. Especulação. Acumulação financeira

Como Citar

COUTINHO, Luciano; BELLUZZO, Luiz Gonzaga. “Financeirização” da riqueza, inflação de ativos e decisões de gasto em economias abertas. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 7, n. 2, p. 137–150, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8643156. Acesso em: 13 abr. 2024.

Resumo

O objetivo deste breve artigo é de avançar na análise e interpretação de como a extraordinária expansão da massa de riqueza mobiliária nas últimas duas décadas vem afetando a determinação dos gastos de investimento e consumo nas sociedades desenvolvidas (especialmente nos Estados Unidos), num contexto de intensa mobilidade global dos capitais, com taxas de câmbio flutuantes. Como será demonstrado, a intensa e continuada valorização da riqueza financeira privada e seu peso crescente nos porta-fólios tende a exacerbar os ciclos de expansão, propulsionando decisões de consumo e de investimento com graus crescentes de alavancagem (entretanto mascaradas pela própria valorização dos ativos), resultando em situações vulneráveis de sobre acumulação de capital e de sobrevalorização da riqueza que podem provocar graves colapsos financeiros e redundar em crises de lenta e difícil digestão. Num mundo de elevada mobilidade e estreita integração entre os mercados de capitais estes processos de valorização tanto podem ganhar reforços inesperados quanto, ao contrário, provocar efeitos depressores mais prolongados aprofundando a instabilidade e os riscos sistêmicos, além de multiplicar as contradições e dilemas paradoxais (inclusive de moral hasard) entre as políticas monetária, fiscal e cambial.

Abstract

This brief paper intends to offer a contribution to the analysis and interpretation of how consumption and investment decisions became increasingly affected by the extraordinary wave of asset inflation in developed economies during the last two decades, bearing in mind that capital markets are now closely integrated, with floating exchange rates and intense capital mobility. In addition to its enlarged weight in wealth portfolios the vigorous growth of financial asset prices has stimulated a sustained expansionary cycle of consumption and investment expenditures based on deeper financial leveraging of both households and corporations, particularly in USA. However, this process becomes well masked by on overall perception of wealth expansion, which leads to capital over accumulation and asset-bubble overvaluation. Those two, combined, tend to result in asset price bursts, widespread financial disequilibria and protracted economic crisis. In a world of high financial mobility and of global capital market integration these expansionary processes might get reinforced and, the same time, they may exacerbate the danger of asset deflation (and/or of flight to quality movements) that deepens instability and magnifies systemic risks. Under floating exchange rates and high capital mobility, macroeconomic policy contradictions, dilemmas and moral hazards are therefore multiplied.

Key-words: Macroeconomics. Instability. Financial accumulation. Speculatives bubbles

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Referências

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COUTINHO, L. G., BELLUZZO, L. G. M. Desenvolvimento e estabilização sob finanças globalizadas. Economia e Sociedade, Campinas, n. 7, p. 129-54, dez. 1996.

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MINSKY, H. P. John Maynard Keynes. New York: Colombia University, 1975.

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