A política fiscal do primeiro governo Dilma Rousseff: ortodoxia e retrocesso

Autores

  • Denise Gentil Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Jennifer Hermann Universidade Federal do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

Política fiscal. Macroeconomia keynesiana. Governo Dilma Rousseff. Gasto público. Crescimento econômico.

Resumo

Os anos 2011-14 marcam uma fase de desaceleração da economia brasileira, a despeito da aparente manutenção do modelo de política econômica desenvolvimentista que sustentou o crescimento e enfrentou a crise internacional durante o período 2004-10. Tornou-se dominante, desde então, a interpretação de que esse quadro evidenciava o esgotamento do modelo desenvolvimentista, sobretudo na área fiscal: as mesmas estratégias de expansão do gasto público e de desonerações tributárias que estimularam o crescimento a partir de 2004 não produziam mais este efeito. Este artigo questiona essa interpretação a partir de uma leitura keynesiana da política fiscal do Primeiro Governo Dilma. Concluise que esta foi apenas aparentemente expansionista, colaborando, na prática, para a desaceleração econômica. Não se trata, portanto, de ineficácia da política fiscal, mas sim de sua inadequação ao cenário de incerteza do período 2011-14, que exigia do governo uma postura menos conservadora.

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Biografia do Autor

Denise Gentil, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Jennifer Hermann, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professora aposentada do Instituto de Economia da UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail:

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Publicado

2018-04-02

Como Citar

GENTIL, D.; HERMANN, J. A política fiscal do primeiro governo Dilma Rousseff: ortodoxia e retrocesso. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 26, n. 3, p. 793–816, 2018. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8652131. Acesso em: 11 maio. 2021.

Edição

Seção

Artigos