Acumulação fictícia, especulação e instabilidade financeira. Parte I

uma reflexão sobre a financeirização a partir de Marx, Keynes e Minsky

Palavras-chave: Financeirização, Acumulação fictícia, Especulação, Instabilidade financeira, Crise financeira.

Resumo

Este texto, tem como objetivo essencial, entender os principais traços da financeirização, à luz da contribuição de autores clássicos como Marx, Keynes e Minsky, dos quais se enfatiza algumas categorias analíticas, distintas, mas similares. Ao fazer isto, busca investigar como esses autores estabeleceram os fundamentos para o tratamento do tema, para a partir daí analisar as contribuições contemporâneas, abordadas em ensaio ulterior. Adota como perspectiva que o essencial é distinguir o conteúdo da forma, ou seja, o avanço geral do capital financeiro como etapa superior e desregulada do capitalismo, das formas concretas e históricas que este assume. No plano mais geral e abstrato, a financeirização representa a retomada e o aprofundamento da lógica patrimonial, fictícia ou especulativa de valorização do capital. Distingue-se da morfologia, que diz respeito aos agentes e mercados principais envolvidos nesse processo, e às suas relações.

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Biografia do Autor

Ricardo Carneiro

Doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. Professor Titular de Economia da Universidade Estadual de Campinas.

Referências

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Publicado
2019-10-07
Como Citar
Carneiro, R. (2019). Acumulação fictícia, especulação e instabilidade financeira. Parte I. Economia E Sociedade, 28(2), 293-312. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8656960
Seção
Artigos