Internacionalização e dependência estrutural

empresas estrangeiras e a trajetória errante da economia brasileira

Autores

Palavras-chave:

Economia brasileira, Empresas transnacionais, Internacionalização, Dependência estrutural

Resumo

O artigo analisa a internacionalização da estrutura produtiva industrial brasileira, ampliada e aprofundada durante a década de 1990 e início dos anos 2000, com o objetivo de avaliar se esse processo foi benéfico para o desenvolvimento nacional. Enfatiza-se o comércio intrafirma das empresas de capital estrangeiro da indústria de transformação brasileira, a partir dos dados do Censo de Capitais Estrangeiros do Banco Central do Brasil (BCB), para os anos de 1995, 2000 e 2005. A crescente internacionalização da estrutura produtiva industrial aprofundou uma histórica relação de dependência, a qual ganhou maior dimensão quando o Brasil se tornou uma economia mais aberta e mais atrativa ao investimento externo direto, a partir da década de 1990. Conclui-se que o aumento da participação das empresas transnacionais (ETNs) na economia brasileira, e a forma como o Brasil se inseriu nas Cadeias Globais de Valor (CGVs), contribuiu para aumentar a dependência estrutural, com efeitos negativos sobre o desenvolvimento.

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Biografia do Autor

Adriano José Pereira, Universidade Federal de Santa Maria

Professor Associado do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e dos Programas de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento e de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil.

Ricardo Dathein, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.

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Publicado

2021-07-22

Como Citar

PEREIRA, A. J. .; DATHEIN, R. . Internacionalização e dependência estrutural: empresas estrangeiras e a trajetória errante da economia brasileira. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 31, n. 2, p. 371–391, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8666457. Acesso em: 28 set. 2021.

Edição

Seção

Artigos