Determinantes para a condição nem-nem dos jovens brasileiros

uma análise desagregada de inativos e desocupados

Autores

Palavras-chave:

Nem-nem, Emprego de jovens, Desemprego de jovens, Inatividade de jovens, Escolaridade de jovens

Resumo

O artigo analisa as razões de chance para os jovens brasileiros estarem na condição de nem-nem (não estuda nem trabalha) no período 2004/2015. Para isso utiliza um modelo Logit, desagregando os jovens segundo diversas características pessoais, familiares, domiciliares e geográficas utilizadas na literatura especializada. A principal novidade é separar os nem-nem em dois grupos - inativos e desocupados -, o que permite observar as diferenças entre eles e comparar seus resultados. Assim, o objetivo desse estudo é analisar os determinantes para a condição nem-nem dos jovens no país com o intuito de avaliar: i) os principais determinantes que levam os jovens a estarem nessa condição nem-nem em seu conjunto e nos seus subgrupos de inativos e de desocupados; ii) se houve alteração nesses determinantes entre 2004 e 2014, dadas as mudanças demográficas, econômicas e educacionais ocorridas no período; e iii) se, em 2015, com a crise econômica iniciada em meados de 2014, houve alguma mudança nesses determinantes e na vulnerabilidade social e econômica desses jovens.

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Biografia do Autor

Denise Guichard Freire, Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Tecnologista sênior da Diretoria de Pesquisas da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 

João Saboia, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professor emérito do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Publicado

2022-03-31

Como Citar

FREIRE, D. G. .; SABOIA, J. Determinantes para a condição nem-nem dos jovens brasileiros: uma análise desagregada de inativos e desocupados. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 30, n. 3, p. 811–844, 2022. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8667900. Acesso em: 7 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos