Política monetária brasileira nos governos Dilma (2011-2016)

um ensaio de ruptura e a restauração do conservadorismo

Autores

Palavras-chave:

Política monetária, Regime de metas para inflação, Expectativas de inflação, Banco Central do Brasil, Governo Dilma (2011-2016)

Resumo

A gestão da política monetária brasileira é marcada pelo conservadorismo desde a década de 1990. No primeiro governo de Dilma Rousseff, o Banco Central reduziu a taxa de juros a seu então piso histórico, parecendo romper com este padrão. Entretanto, de 2013 em diante, as diretrizes de política foram revistas, com a restauração de um conservadorismo ainda mais agudo. Este artigo descreve o comportamento da política monetária no Brasil entre 2011 e 2016, apresentando seus condicionantes ao longo do tempo. Analisa-se de que forma o arcabouço de metas para inflação respondeu às pressões sob a ótica da economia política e como a convenção em prol de elevadas taxas de juros se reafirmou após 2013. Argumenta-se que o comportamento rentista de empresas não-financeiras e a inação do governo em modificar a institucionalidade do referido regime sustentaram este comportamento da política monetária brasileira.

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Biografia do Autor

Norberto Montani Martins, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor adjunto do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 

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Publicado

2022-04-06

Como Citar

MARTINS, N. M. . Política monetária brasileira nos governos Dilma (2011-2016): um ensaio de ruptura e a restauração do conservadorismo. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 31, n. 1, p. 43–63, 2022. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8668948. Acesso em: 25 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos