A estética e a discussão sobre indústria cultural no Brasil

  • Rodrigo Antonio de Paiva Duarte Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: Indústria cultural.

Resumo

A interpretação filosófica da cultura e da estética constitui o quarto tema abordado no dossiê. Em “A estética e a discussão sobre indústria cultural no Brasil”, Rodrigo Duarte apresenta uma caracterização das transformações sofridas pela filosofia da arte ou estética desde a Crítica da faculdade do juízo, de Immanuel Kant – obra central para a ideia da arte como autônoma –, até a crítica radical realizada por Max Horkheimer e Theodor Adorno, na Dialética do Esclarecimento, à indústria cultural como dominação da produção artística por uma lógica mercantil e massificadora. A partir dessa caracterização da trajetória da estética filosófica no contexto europeu, o autor analisa o movimento correspondente em solo brasileiro, destacando tanto a própria difusão dos meios de comunicação de massa no Brasil quanto o estabelecimento e a diversificação da produção acadêmica crítica sobre o tema, e chega à conclusão de que a compreensão crítica dos fenômenos de cultura de massa se deu no Brasil concomitantemente à consolidação da recepção da teoria crítica da sociedade (tal como concebida por Horkheimer e Adorno) em nosso país.

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Biografia do Autor

Rodrigo Antonio de Paiva Duarte, Universidade Federal de Minas Gerais

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1982), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1985) e doutorado em Filosofia - Universität Gesamthochschule Kassel (1990). Realizou estágios de pós-douoramento na University of California at Berkeley (1997), na Universität Bauhaus de Weimar (2000) e na Hochschule Mannheim (2011). Atualmente é professor titular do Depto. de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética, Estética e Filosofia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, autonomia da arte, arte contemporânea e arte de massa. De maio de 2006 a outubro de 2014 foi presidente da Associação Brasileira de Estética (ABRE). Foi coordenador adjunto do comitê de filosofia da CAPES, de 2000 a 2005 e membro do CA-Filosofia do CNPQ de 2010 a 2013 (tendo sido coordenador do comitê nos últimos seis meses do seu mandato). Foi Pró-Reitor de Pós-Graduação da UFMG de março de 2014 a fevereiro de 2016. Dentre suas publicações, no Brasil e no exterior, destacam-se os livros: "Marx e o Conceito de Natureza em 'O Capital'" (1986), "Mímesis e Racionalidade. A concepção de domínio da Natureza em Theodor W. Adorno" (1993), "Adornos. Nove ensaios sobre o filósofo frankfurtiano" (1997), "Adorno/Horkheimer e a Dialética do Esclarecimento" (2002) , "Teoria Crítica da Indústria Cultural" (2003), "Dizer o que não se deixa dizer. Para uma filosofia da expressão" (2008), "Deplatzierungen. Aufsätze zur Ästhetik und kritischer Theorie" (2009), "Indústria cultural: uma introdução" (2010), "A arte" (2012), "Pós-história de Vilém Flusser. Gênese-anatomia-desdobramentos" (2012), "Varia Aesthetica. Ensaios sobre arte e sociedade" (2014) e "Indústria cultural e meios de comunicação" (2015).

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Publicado
2012-12-13
Como Citar
Duarte, R. A. de P. (2012). A estética e a discussão sobre indústria cultural no Brasil. Idéias, 3(1), 73-93. https://doi.org/10.20396/ideias.v3i1.8649364