Eles vão ficando mais próximos do normal. Considerações sobre normalização na assistência ao autismo infantil

  • Rosa Maria Monteiro López Universidade de São Paulo
  • Cynthia Sarti Universidade Federal de São Paulo
Palavras-chave: Autismo.

Resumo

Este artigo visa ressaltar formas implícitas ou explícitas de manifestação de uma tendência a seguir um padrão de normalidade nas práticas de assistência ao autismo infantil em diferentes instituições e abordagens, destacando suas implicações no que se refere às possibilidades que se abrem, ou fecham, à criança diagnosticada como “autista”. Baseia-se em dados de uma pesquisa etnográfica desenvolvida em duas instituições paulistanas de assistência pública a crianças “autistas” – uma baseada em abordagem comportamental, a outra em abordagem psicanalítica –, cujo eixo de análise foram as construções conceituais sobre o autismo e as práticas de atendimento que lhes são correspondentes.

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Biografia do Autor

Rosa Maria Monteiro López, Universidade de São Paulo
Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de São Paulo, mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em Ciências Sociais pela USP.
Cynthia Sarti, Universidade Federal de São Paulo
Professora titular na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) onde trabalha desde 1994, doutora em Antropologia (1994) pela Universidade de São Paulo, livre-docente pelo Departamento de Medicina Preventiva da UNIFESP (2003).

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Publicado
2013-07-29
Como Citar
López, R. M. M., & Sarti, C. (2013). Eles vão ficando mais próximos do normal. Considerações sobre normalização na assistência ao autismo infantil. Idéias, 4(1), 77-98. https://doi.org/10.20396/ideias.v4i1.8649399