Percepção de mulheres extrativistas sobre o trabalho na ilha de Marajó-Pará

  • Bianca Ferreira Lima Fundação Nacional do Índio
  • Dalva Maria da Mota Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Palavras-chave: Mulheres. Trabalho assalariado e doméstico. Reprodução social.

Resumo

O artigo objetiva analisar por que a atividade extrativista não é Considerada como trabalho pelas próprias mulheres, pelos membros do seu grupo doméstico e demais agentes sociais entrevistados quando comparado ao assalariado. A pesquisa foi realizada no povoado Vila Paca, Ilha do Marajó – PA entre 2011 e 2012. A abordagem foi qualitativa. As conclusões mostram que as atividades domésticas e extrativas conformam arranjos de trabalho complementares e flexíveis; o fato do extrativismo ser feito exclusivamente por mulheres influencia no status de não trabalho; e a autonomia para organizar o trabalho influencia nas noções construídas sobre trabalho.

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Biografia do Autor

Bianca Ferreira Lima, Fundação Nacional do Índio
Mestre em Agriculturas Amazônicas e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Pará.
Dalva Maria da Mota, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Pós-doutora em Antropologia, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, bolsista de produtividade do CNPq.

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Publicado
2016-10-04
Como Citar
Lima, B. F., & Mota, D. M. da. (2016). Percepção de mulheres extrativistas sobre o trabalho na ilha de Marajó-Pará. Ideias, 7(1), 89-110. https://doi.org/10.20396/ideias.v7i1.8649512
Seção
Dossiê: Relações Brasil-China