Automatismo ontem e hoje

reflexões sobre os limites da inteligência artificial a partir de Simondon

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/ideias.v13i00.8668218

Palavras-chave:

Inteligência artificial, Automatismo, Gilbert Simondon

Resumo

Com a crescente popularidade das técnicas de inteligência artificial, questões relativas às capacidades e limitações dessas tecnologias ganham notoriedade. Este trabalho propõe que, como formas contemporâneas de automatismo, tais tecnologias compartilham semelhanças com as analisadas pela filosofia da técnica de Gilbert Simondon e que, por isso, seu pensamento seria de grande valor para refletir sobre elas. Partindo principalmente da “Nota complementar sobre as consequências da noção de individuação”, e tomando o algoritmo rede neural artificial como exemplo, o artigo apresenta três momentos em que a inteligência artificial apresentaria limitações em relação a sua estrutura fixada pelo humano inventor: nos dados de entrada, no treinamento do modelo e na representação final do conhecimento supostamente aprendido. O artigo conclui com uma breve análise das consequências do uso extensivo de tecnologias inteligentes à luz das limitações apresentadas.

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Biografia do Autor

Rafael Gonçalves, Universidade Estadual de Campinas

Graduando do curso Engenharia Elétrica na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação pela Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2022-06-21

Como Citar

Gonçalves, R. (2022). Automatismo ontem e hoje: reflexões sobre os limites da inteligência artificial a partir de Simondon. Ideias, 13(00), e022008. https://doi.org/10.20396/ideias.v13i00.8668218

Edição

Seção

Dossiê: Gilbert Simondon: reticulações contemporâneas na América Latina