Editorial L&E, v.9, n.3, 2015. Trabalho, gestão e patrimônio

Palavras-chave: editorial, Engenharia civil e ambiental, Arquitetura e urbanismo

Resumo

É com imensa satisfação que apresentamos mais um número da revista Labor & Engenho, este, o terceiro do seu nono ano: L&E, v.9, n.3, 2015. Cumprindo fielmente sua missão de difundir a engenharia e a ciência aplicadas ao desenvolvimento local sustentável, valorizando o trabalho (labor) e a inovação (engenho) resultantes da pesquisa acadêmica ou da experiência profissional, este número destaca a importância da gestão de pessoas e da participação da comunidade nos processos produtivos ou culturais que integram os sistemas territoriais através da conexão "Patrimônio, Paisagem e Desenvolvimento Regional”. Assim, 8 trabalhos de autores de 5 nacionalidades (Brasil, Colômbia, Argentina, México e Espanha) compõem a presente edição.

O artigo de Carlos Alberto Mariottoni (Universidade Estadual de Campinas) [Brasil] e Francisco Javier Cárcel Carrasco (Universidad Politécnica de Valencia) [Espanha] apresenta uma interessante pesquisa acompanhada de estudos práticos que tratam da gestão do conhecimento na engenharia industrial, particularmente no que se poderia denominar engenharia de manutenção. O artigo intitulado Mejora de la eficiencia industrial por la gestión del conocimiento en la Ingeniería del mantenimiento propugna por uma adequada gestão para se evitar nas empresas a ruptura do binômio informação-conhecimento.

Na sequência, os autores Ivan Felipe Silva dos Santos; Geraldo Lucio Tiago Filho; Regina Mambeli Barros e Helmo Lemos, da Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais [Brasil], salientam que a viabilidade de empreendimentos de geração hidrelétrica deve ser testada antes da construção dos mesmos, e para isto são necessárias estimativas de custo, que normalmente são construídas a partir de dados históricos. No artigo intitulado Ajuste e avaliação dos modelos agregados de estimativas de custo de PCHs no Brasil eles se propõem a analisar e comparar, por meio de gráficos e parâmetros estatísticos, três metodologias de estimativas de custo aplicadas ao cenário brasileiro, não com dados históricos, mas com os dados locais de custos de empreendimentos reais.

O terceiro artigo da presente edição leva a uma aproximação com setores do Patrimônio de Bogotá [Colômbia] desde a perspectiva da Paisagem Social. Tal visão se estrutura a partir do reconhecimento do sujeito social como um corpo que ocupa e transforma a paisagem, onde os conflitos sociopolíticos ligados às práticas urbanas e à paisagem como um sistema de representação social e metafórica configuram e dão sentido aos lugares habitados. O artigo intitulado Paisaje Social. Una propuesta de lectura para sectores patrimoniales en Bogotá de Alonso Gutiérrez Aristizábal (Universidad La Gran Colombia) abre a possibilidade de uma leitura transversal e holística dos setores de interesse urbanístico vulneráveis a conflitos de identidade.

Também da Universidad La Gran Colombia, as autoras do artigo intitulado La percepción y las formas de apropiación como indicador del concepto de Patrimonio. Caso Núcleos Fundacionales del Distrito Capital — Martha Cecilia Torres López; Marcela Riveros Alonso e Yeimi Paola Rodrígez Olaya — explicam que em 1954, a cidade de Bogotá passa a integrar os municípios de Usaquén, Suba, Engativá, Fontibón, Bosa y Usme, estes configurando-se como Distritos. Apesar de permanecerem como Núcleos Fundacionais declarados como Patrimonio Material Cultural Territorial, os municípios anexados não foram devidamente valorizados pela comunidade que os habita. Com o tempo acabaram perdendo seu significado histórico e cultural, evidenciando uma total falta de coesão entre eles e deles com o Distrito Capital, Bogotá, desde a sua conotação como Bem de Interesse Cultural.

Por julgar que é essencial considerar a visão dos cidadãos diretamente interessados nos projetos de desenvolvimento local e de desenho urbano, os autores mexicanos do trabalho intitulado Participación ciudadana, factor indispensable en la generación de proyectos de diseño urbano que dan respuesta a las necesidades de los usuarios en México — Flavio Alfredo Franco Muñoz e Oscar Luis Narváez Montoya (Universidad Autónoma de Aguascalientes) — ressaltam que sem a efetiva participação dos cidadãos organizados em suas comunidades nas etapas fundamentais dos projetos de desenho urbano, e nos diferentes aspectos de um bom planejamento urbano, dificilmente se conceberiam soluções adequadas ao contexto que se impõe.

O trabalho de David Francisco Llamosa Escobar (Universidad La Gran Colombia), intitulado El complejo temporal de la ciudad contemporánea apresenta uma interessante reflexão sobre a complexidade e a cidade. O texto compreende uma visão holística da cidade contemporânea a partir da complexidade derivada de sua relação com o tempo. A cidade em virtude das ações e acontecimentos promovidos pelos cidadãos se manifesta como um ente em que o espacial se inibe em favor do tempo fenomênico. Os traços operados por processos naturais, assim como as grafias e marcas provenientes da prática cultural, se manifestam como formas fractais, que por sua vez procedem dos “atratores caóticos” do universo complexo.

O artigo intitulado La cultura del trabajo como recurso para la cultura del ocio: activación turística de patrimonio minero-industrial en Argentina — de Aldo Ramos Schenck e Guilhermina Fernández Zambon (Universidad Nacional del Centro de la Província de Buenos Aires) — desenvolve o tema do uso dos recursos culturais produzidos por atividades minero-industriais e sua revalorização para o turismo e lazer na Argentina, expressando os tipos de projetos mais adequados e as problemáticas associadas a cada um. Se procede a uma análise do caso argentino, ressaltando as potencialidades e dificuldades para a ativação turístico-recreativa de alguns dos recursos ali existentes.

Por fim, a presente edição se encerra com o artigo intitulado Políticas e práticas de gestão de pessoas e suas relações com o absenteísmo: desafios ao desenvolvimento sustentável — de Marlette Cassia Oliveira Ferreira; Jussara Goulart da Silva; Flavio Santino Bizarrias; Juliana Barros Carvalho; Fernanda Maria S. Souza; Maurício Hirata França; Marli de Souza Gonçalves (Universidade Nove de Julho) — em que os autores se propõem a analisar as relações entre as políticas e práticas de gestão de pessoas, o senso de justiça e o absenteísmo na área da produção, em um cenário de constante busca de maior qualidade de vida, a partir de um amplo levantamento de dados primários através de Survey aplicados a 90 colaboradores da área de produção numa empresa de médio porte na cidade de São Paulo, submetidos a uma modelagem de equações estruturais. Um trabalho interessante por tratar de aspectos presentes na maioria das empresas brasileiras de médio porte.

Tenham todos uma boa leitura.

 

André Munhoz de Argollo Ferrão

Universidade Estadual de Campinas 

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Publicado
2015-09-16
Como Citar
Argollo Ferrão, A. M. de. (2015). Editorial L&E, v.9, n.3, 2015. Trabalho, gestão e patrimônio. Labor E Engenho, 9(3), 1-4. https://doi.org/10.20396/lobore.v9i3.8640605
Seção
Editorial

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