O território paulistânico: um olhar existencial para além dos mapas antigos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/labore.v11i3.8649202

Palavras-chave:

Antropologia. Sociologia. História. Arquitetura Vernácula Paulista. Fundação de cidades paulistas.

Resumo

A Paulistânia fora denominada como a origem do campo de ação de um ser humano que mais tarde seria designado na literatura sociológica e antropológica como caipira, um tipo de homem que contemplava um modo de vida ligado às lides do trabalho campal. Entretanto, no período colonial, este território teria contornos imaginários, onde primordialmente seria reconhecido pela presença de pontos de permanência com habitações caracterizadas pelas técnicas utilizadas por este ser humano tanto no intuito de sua sobrevivência, quanto no auxílio de uma confecção paisagística que lhe forneceria relações simbólicas importantes em meio à uma vastidão de matas e caminhos a serem explorados. Desta forma, estas habitações revelar-se-iam como ponto nodal do surgimento deste território, oferecendo uma integração pautada pelo fator “tempo” e denunciando a passagem ou permanência do mameluco nesta região. Na ocasião, este território compunha-se de uma vastidão que englobava as áreas dos atuais estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, campo de influências e de exploração do antigo paulista nas incursões bandeirista e entradista. Ao longo do tempo, este território foi sendo repartido em áreas administrativas e reduzido às terras paulistas. Entretanto, onde houvesse o tipo humano em questão e as marcas de sua cultura material e imaterial, ali se encontrava a Paulistânia, tal como ficou registrado na literatura. Porém, este artigo também intenta apresentar a Paulistânia como origem do desenvolvimento do drama relacionado à existência caipira, se transformando não somente num arcabouço de relações causais entre meio, homem e luta, mas também num símbolo dos problemas humanos, ou seja, de um homem que tem a necessidade de se construir e de construir um mundo para si próprio. 

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Biografia do Autor

Vitor Sartori Cordova, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Formado em Ciências Sociais pelo Instituto Superior de Ciências Aplicadas de Limeira (ISCA), mestre em Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC) e doutorando em Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC).

Jane Victal, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Jane Victal - Professora Titular do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (POSURB PUC-Campinas) onde integra a Linha de Pesquisa História do Pensamento Urbanístico e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. É graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1982), mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1999), Pós-Doutorado na Kings College London. Foi tutora do Programa de Educação Tutorial (PET) da Secretaria de Educação Superior (Sesu), unidade do Ministério da Educação (MEC). Coordenou o Centro Audiovisual (CAV) e o Centro de Documentação (CeDoc ) do Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias (CEATEC PUC-Campinas). Foi Editor e membro do Conselho Editorial da Revista Oculum Ensaios e Consultora ad hoc da FAPESP. Áreas de atuação: Arquitetura e Urbanismo, História Urbana, Patrimônio Cultural, Teoria da Urbanização e Urbanismo Contemporâneo.

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Publicado

2017-09-23

Como Citar

CORDOVA, V. S.; VICTAL, J. O território paulistânico: um olhar existencial para além dos mapas antigos. Labor e Engenho, Campinas, SP, v. 11, n. 3, p. 263-279, 2017. DOI: 10.20396/labore.v11i3.8649202. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/labore/article/view/8649202. Acesso em: 30 out. 2020.

Edição

Seção

Artigos